Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas.

Amós 3:7

INTRODUÇÃO


   Billy Graham, um dos maiores pregadores evangelistas deste século, disse certa vez: “A Bíblia é mais atual do que o jornal que irá circular amanhã”. Sem sombra de dúvidas, ele tinha razão! Quando nos debruçamos sobre as Escrituras e permitimos que o Espírito Santo nos conduza em um estudo humilde e sincero dela, percebemos que a mensagem escrita há tanto tempo é tão atual e relevante aos nossos dias. O autor de Hebreus afirmou que a Palavra de Deus é “viva” (Hb 4:12), Paulo disse que os acontecimentos do passado foram registrados para nos servir de exemplo (1 Coríntios 10:11) e Pedro escreveu que a “Palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pedro 1:24 e 25).
   Neste trimestre dedicaremos nossa atenção aos escritos proféticos do Antigo Testamento, em especial ao compêndio dos chamados Profetas Menores. Conheceremos sobre pessoas que viveram em um passado tão distante de nós e 
que em nome do Senhor profetizaram ao povo de sua época, mas suas palavras ecoam até a presente geração e ainda falam aos nossos corações.


QUEM ERA O PROFETA DO ANTIGO TESTAMENTO


   Quando falamos sobre profetas do Antigo Testamento logo vem à mente nomes como Isaías, Jeremias, Daniel ou
outros que deixaram registrado um grande conteúdo escrito. Mas a Bíblia indica que desde o primeiro livro podemos encontrar registros de pessoas que foram usadas como profetas do Senhor: Abraão (Gênesis 20:7), Moisés (Deuteronômio 34:10), Samuel (1 Samuel 3:19-20), Hulda (2 Reis 22:14) entre outros. Mas qualquer um poderia ser considerado profeta ou profetiza? Certamente, não! Vejamos alguns critérios importantes que definiam a identidade e o perfil de um profeta.
   Chamado específico: nenhum profeta poderia considerar-se por si mesmo. Este era um chamado específico e exclusivo que provinha de Deus, ou seja, a iniciativa sempre partia de Deus e não do homem. (Êx 3:1-4; 1 Reis 19:16; Isaías 6:1-10Jeremias 1:4-19; Os 1:2; Amós 7:14 e 15)1.
   Mensagem: a mensagem do profeta poderia ser caracterizada por, pelo menos, três aspectos: pregação, proclamação ou predição. É importante lembrar que não era função do profeta ensinar a Palavra de Deus, essa era a função dos sacerdotes (Deuteronômio 33:10). Mas quando estes falhavam o Senhor levantava profetas que pregavam a Palavra relembrando o povo os ensinos que haviam sido esquecidos. Além disso, o profeta proclamava ao povo a mensagem que vinha direto de Deus. Essa mensagem poderia ser um alerta ou uma predição de um evento de calamidade ou bênção.
    Cumprir o chamado a qualquer custo: uma das características mais marcantes na vida de um profeta era a sua entrega. Isso implicava em dispor-se a sofrer quaisquer consequências resultantes da sua missão. Moisés teve que abandonar o conforto do seu lar (Êx 4:18-20). Eliseu deixou para trás sua família (1 Reis 19:19-21). Isaías, segundo a tradição, foi serrado ao meio (Hebreus 11:37)2. Jeremias foi açoitado e amarrado ao tronco, preso e jogado em uma cisterna (Jeremias 20:1 e 2; 37:15 e 16; 38:6). Oséias casou-se com uma meretriz com o fim de denunciar ao povo o relacionamento leviano que estavam vivendo com Deus (Os 1:2). Amós abandonou sua vida profissional para cumprir seu chamado (Amós 7:14). Estes são apenas alguns exemplos do comprometimento que o profeta deveria ter com seu chamado. Jesus afirmou que muitos deles foram mortos ou apedrejados pelo seu próprio povo (Lucas 13:34).
   Se enquadrar aos critérios estabelecidos por Deus: no livro de Deuteronômio encontramos uma relação de critérios indispensáveis, estabelecidos pelo Senhor, que validavam um profeta: ser israelita (18:15), devia ser fiel a aliança mediada por Moisés (13:1-5) e suas predições deveriam se cumprir (18:21 e 22). Essa era a maneira que o profeta deveria ser avaliado pelo povo para comprovar sua autenticidade. Se o mesmo não se enquadrasse nestes critérios, deveria ser morto, pois não falava em nome do Senhor.
    Deus não apenas chamava os profetas, mas também os capacitava para missão. Moisés estava com medo e não se achava capaz, mas Deus lhe capacitou com poder para operar sinais e maravilhas e comissionou Arão para se apresentar diante do faraó como porta-voz de Moisés (Êxodo 4). Isaías tinha lábios impuros, mas Deus o purificou e perdoou o seu pecado (Isaías 6:7). Jeremias se achava imaturo demais para assumir um chamado tão nobre, todavia o Senhor o encorajou e prometeu estar com ele durante a caminhada (Jeremias 1:8). Deus não desampara os que são chamados segundo o Seu propósito.

 

    O profeta era muito mais do que alguém que dizia “Assim diz o Senhor”, mas era aquele que antes de tudo, fora escolhido a dedo por Deus. Uma pessoa disposta a renunciar o que fosse preciso e pronto a pagar o preço pelo seu chamado. Um indivíduo comprometido com a verdade que em hipótese alguma negociava a sua fé. Era a voz de Deus para a humanidade.

 

OS PROFETAS MENORES


   Agora que já vimos um pouco do perfil dos profetas do Antigo Testamento vamos iniciar o estudo sobre alguns destes que nos deixaram parte de seus ministérios e mensagens registradas em livros. Em especial vamos estudar um conjunto chamado de Profetas Menores e é composto por 12 (doze) livros. Não é fácil determinar a data aproximada de cada um deles, pois abrangem um período que parte do tempo Pré-exílico, Exílico e Pós-exílico entre os séculos VIII e V a.C3.
    O conjunto dos livros chamados “Profetas Menores” se encontra na Bíblia protestante como os últimos doze livros do Antigo Testamento e está disposto em ordem não cronológica da seguinte maneira: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofoninas, Ageu, Zacarias e Malaquias.
    Por que esse conjunto de livros é denominado “Profetas Menores”? Será que os autores eram de pequena estatura? Ou seus escritos e ministérios não eram tão importantes ou relevantes como os de outros profetas como Isaías ou Jeremias? Na verdade, essa denominação não tem qualquer ligação com a autoridade ou qualidade destes escritos. Eles são chamados “menores”, simplesmente, para que se diferenciem dos livros proféticos “maiores” em conteúdo. Ou seja, são chamados de menores porque os textos dos livros são mais curtos em comparação com outros escritos proféticos. Mas isso não significa que o seu conteúdo seja de menor importância, pelo contrário, neles encontramos mensagens muito importantes como as profecias messiânicas presentes em quase todos os livros do conjunto.

 

   A importância de um livro profético não está na extensão do seu conteúdo, mas na mensagem que ele se propõe a transmitir. Seja através de muitas palavras ou por meio de poucas frases, a mensagem de Deus cumpre o seu papel, pois a palavra não é do homem, mas do Senhor.

 

A ATUALIDADE DA MENSAGEM DOS PROFETAS MENORES


   O apóstolo Paulo, ao referir-se aos escritos do Antigo Testamento, afirmou: “Pois tudo o que no passado foi escrito para o nosso ensino foi escrito” (Romanos 15:4). Também afirmou que “toda a Escritura é inspirada por Deus” (2 Timóteo 3:16). Assim, cremos que o conteúdo que estudaremos neste trimestre foi inspirado por Deus e escrito para nosso ensino. A mensagem contida nos livros dos Profetas Menores não era apenas preditiva, aqueles homens de Deus eram, sobretudo, pregadores morais e éticos, sentinelas e vigias, chamados por Deus para exortar e despertar suas respectivas gerações.
   Cada profeta, em sua época e contexto, levou ao povo uma mensagem importante não apenas aos seus contemporâneos, mas a todas as gerações. Questões relevantes às suas épocas se repetem ao longo do desdobramento da história da humanidade e da Igreja de Cristo e precisamos levar em conta algumas delas: infidelidade do povo de Deus (Os 2:2). Injustiça praticada pelos poderosos (Amós 2:6-7). Pessoas tirando vantagem da desgraça alheia (Obadias 10 a 14). A importância de levar o Evangelho aos não alcançados (Jonas 4:11). Injustiça social
(Miquéias 2). Soberba e impiedade dos reinos poderosos (Na 3:1-4). A dificuldade do homem em entender os desígnios de Deus (Habacuque 1:2). O julgamento final é inevitável (Sofonias 1:2). O fracasso do homem em colocar Deus acima dos interesses próprios (Ag 1:4). O problema da infidelidade conjugal (Malaquias 2:15 e 16).
   Diante dos temas apresentados percebemos que a mensagem registrada por estes homens é tão atual quanto foi em seu tempo. Mas os profetas não apenas trouxeram exortação, eles falaram sobre esperança e renovação. Um dos temas mais importantes encontrados na narrativa destes homens são as profecias messiânicas que somadas ultrapassam qualquer outro livro profético.

   A mensagem divina através dos profetas não apenas denunciava os problemas e as mazelas do Seu povo, mas apontava para um futuro de paz e esperança que seriam alcançados pelo arrependimento genuíno. O mesmo Deus que sempre Se apresentou como Justo também se mostrou Gracioso para com os Seus filhos e essa graça atinge toda sua plenitude na pessoa de Jesus, o Messias anunciado desde os tempos antigos.


CONCLUSÃO


    Seja através de muitas ou por meio de poucas palavras, toda pessoa pode ser usada por Deus. A mensagem é simples: denunciar o problema pecado e apresentar a solução oferecida pela Graça. Esse era o papel dos profetas, ser “boca de Deus”, também é papel da Igreja. Enquanto aqueles anunciavam a primeira vinda do Messias, nós anunciamos a segunda e definitiva vinda de Jesus a esse mundo.


QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE


1.
Segundo o estudo proposto, quais os critérios que definiam o perfil e identidade de um profeta?
R.


2. O conjunto dos 12 últimos livros do Antigo Testamento é chamado de “Profetas Menores”. Qual o significado desse título? Que conclusões você pode tirar da sua resposta?
R.


3. Nesta lição foram citados alguns temas abordados nos escritos dos Profetas Menores. Cite alguns deles que você julga importantes a serem tratados no contexto em que você vive.
R.


4. Como nós podemos ser uma geração profética nos dias em que vivemos? Como nossa mensagem se assemelha ou se diferencia dos profetas do Antigo Testamento?

R.

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