Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes.    

Isaías 44:3 

INTRODUÇÃO

Amada Igreja, nesta série do trimestre vimos, a cada semana, estudando sobre a magistral doutrina do Espírito Santo. Assim, no estudo inaugural tivemos o privilégio de reforçar nossa convicção de fé de que o Espírito Santo não é uma mera “energia de Deus”, ou, como afirmam outros, uma “força ativa”, mas Ele é uma pessoa. Sim, uma pessoa com caraterísticas inerentes à personalidade, porquanto tem vontade própria, tem sentimentos, tem consciência própria. Concordamos com o Pastor e Professor Zacarias de Aguiar Severa quando, ao discorrer sobre a convicção de que o Espírito Santo não é mera energia ou poder impessoal; (...) é um ser pessoal, preleciona: Destacamos quatro fatos que evidenciam a Sua pessoalidade.

Primeiro, o Espírito Santo tem as propriedades básicas de uma pessoa. Essas propriedades são: inteligência (1 Coríntios 2:10-12); consciência própria, isto é, consciência de si mesmo como sendo distinto de outros seres (João 16 13, 14); autodeterminação (1 Coríntios 12:11); consciência moral (Gálatas 5:16-17). Estas qualidades são próprias de seres dotados de personalidade, e não de animais ou de coisas como o ar, o fogo, o vento, a luz.

Segundo, o Espírito age como uma pessoa. Ele fala (Atos dos Apóstolos 13:2; Apocalipse 27), ensina (João 14:26); convence (João 16:8-11); intercede (Romanos 8:26); dá testemunho de Jesus (João 15:26); guia os crentes (Atos dos Apóstolos 8:14 29); dirige os missionários na obra (Atos dos Apóstolos 16:6 7); constitui pastores na Igreja (Atos dos Apóstolos 20:28); distribui dons (1 Coríntios 12:7-12). Ele não poderia fazer estas coisas se não fosse um ser pessoal em sua natureza.

Terceiro, o Espírito Santo pode ser atingido como uma pessoa. Ele pode ser atingido pela mentira dos homens (Atos dos Apóstolos 5:3 4); ser insultado (Hebreus 10:29); blasfemado (Mateus 12:31-32); entristecido (Efésios 4:30). Ele não poderia ser afetado por essas coisas se não fosse de natureza pessoal.

Quarto, o Espírito Santo é chamado de “paracleto” (João 14:16). O nome parácleto, dado ao Espírito Santo, significa ajudador, advogado, consolador, conselheiro; indica, portanto, função própria de uma pessoa, capaz de ajudar outras (João 14:26; 1 João 2:1). Além disto, Ele é “outro parácleto”, que veio para ocupar o lugar de Jesus na terra e continuar a obra da redenção. Sua função, portanto, requer que Ele seja um ser pessoal, como Jesus.

Estudamos, ademais, neste trimestre, sobre a Divindade do Espírito Santo, Sua Processão (no sentido de procedência, origem), Sua obra no Antigo Testamento (desde a Criação), Sua obra na Revelação e na Inspiração, Sua obra na vida e no ministério de Jesus, Sua obra na Salvação, Seus dons, Sua plenitude e, agora, o objeto deste estudo é a atuação do Espírito Santo no Futuro. Depois desta larga investigação da atuação do Espírito Santo desde a Criação até nossos dias, é natural que surja a indagação sobre como será a ação do Espírito Santo no desenrolar final da história da humanidade, a saber, (i) na Grande Tribulação, e, depois, (ii) no Reino de Deus, é dizer, quando todos os resgatados do Senhor já estivermos no glorioso Lar dos Salvos.

 

A atuação do Espírito Santo

na Tribulação

Conquanto pareça desnecessário, é de suma importância a esta altura, firmarmos a convicção de que o conjunto de doutrinas de nossa IBSD não ensina a heresia da “confissão positiva”, ou, “teologia da prosperidade”, no sentido de que qualquer sofrimento do crente significa falta de fé. Assim, para os defensores desse antibíblico ensino teológico, a marca do cristão cheio de fé e bem sucedido é a plena saúde física, emocional e espiritual, além da prosperidade material. Ensinam, ainda, que pobreza e doença são resultados visíveis do fracasso do cristão que vive em pecado ou que possui fé insuficiente.

Eles chegam ao ponto de, com base em Isaías 53:4 e 5, afirmar que o Senhor promete curar todas as enfermidades. Um dos grandes pregadores desse viés hermenêutico vai além, proclamando, sob a suposta base de Êxodo 23:26 e Deuteronômio 28:4 que “Deus promete partos normais às senhoras”. Espero que as mulheres do movimento da fé que não puderam dar à luz através de um parto normal não venham a carregar um sentimento de culpa por terem recorrido a uma operação cesariana, pois não é disto que os textos mencionados estão falando.

Ora, tais comentários foram trazidos a este estudo com o propósito de aclararmos que a Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, está repleta de exemplos de fiéis servos de Deus que arrostaram privações e dificuldades em sua caminhada. E não cabe nesses exemplos bíblicos a introdução da distorcida, estúpida e não bíblica doutrina da “maldição hereditária”, ou, “maldição em família”, ou, ainda, “pecado de geração”. O Livro Sagrado nos previne, em reiterados pontos, que os filhos de Deus não estão imunes às aflições próprias deste mundo que, aliás, jaz no maligno. No conceito paulino, quem passa pela tribulação, renova a sua esperança, porque através das tribulações descobrimos que DEUS está conosco.

Mostra-se conveniente, nesse passo, lembrar que a palavra “tribulação” vem do latim “tribulum”. No tempo de Paulo, o “tribulum” era um pedaço pesado de madeira com cravos de metal usado para debulhar cereais. Ao ser batido sobre os cereais, o “tribulum” separava o grão da palha. Ao passarmos por tribulações e dependermos da graça de Deus, as dificuldades nos purificam e nos ajudam a eliminar a palha.

Assim, alertamos que a nossa adoção de filhos, alicerçada na doutrina da justificação pela fé, não é uma fuga das tribulações da vida. “No mundo, passais por aflições” (João 16:33), o Senhor alertou. Porém, para o cristão, as tribulações trabalham em seu favor e não contra ele. Não há sofrimento que nos separe de DEUS (Romanos 8:35-39); antes, as provações nos aproximam do SENHOR e nos tornam mais semelhantes a Ele. Logo, mesmo em meio às aflições, temos paz com Deus.

Cumpre assinalar, nessa moldura, que “a paz de Deus não é a ausência de tensões e tumultos, mas, sim, uma paz que, mesmo em meio às tensões e tumultos, continua a existir”. Por outras palavras, a paz que o Senhor promete aos regenerados não é a ausência de tribulações e sofrimentos, mas o sossego e a confiança que perduram mesmo no meio das aflições. Daí, somos levados a concordar com o Pastor Doutor Hernandes Dias Lopes que, ao comentar Romanos 5:1 escreveu: “Se a paz tem a ver com o passado, e o acesso à graça se relaciona ao presente, a expectativa da glória está atrelada ao futuro. Quem foi justificado não teme o futuro. A morte já não o apavora. O porvir é seu anseio e a glória, sua expectativa mais excelsa”.

Pois bem. Não se trata de nenhuma novidade a assertiva de que o cristão mais fervoroso e leal ao Senhor também passa por aflições que, algumas vezes, por se mostrarem tão agigantadas, parecem ser maiores do que a nossa capacidade de resistir. A pergunta que, para este estudo, avulta em importância é:

 

Haverá um período de tribulação inigualável para os crentes? Os crentes estarão fora da grande tribulação?

 

Se a resposta à primeira pergunta for afirmativa, dela exsurgem duas outras indagações: (i) como será a atuação do Espírito Santo? (ii) Lançando-se um paralelo analógico, com base na afirmação bíblica atinente ao povo antediluviano, em Gên. 6:3 (“O meu Espírito não contenderá para sempre com o homem, ...”), pode-se imaginar um período em que o Espírito Santo não mais estará agindo? Sim. Haverá grande tribulação. Mas, a promessa aos resgatados do Senhor é de que tais dias de provas desmedidas serão abreviados.

Em verdade, para a expressão bíblica “a grande tribulação” (Apocalipse 7:14; Mat. 24:), diferentes correntes de interpretação teológica se apressaram em criar diversas teorias com o intuito de explicar o período de duração do evento, bem como suas principais características. Daí, as múltiplas explicações sobre o que ocorrerá com o Planeta nesta ocasião e como será a atuação do Espírito Santo.

Os Dicionários Teológicos de vertente pentecostal asseveram que os seus mais destacados teólogos dividem este evento em dois períodos: (i) o primeiro será a Tribulação, e (ii) o segundo, a Grande Tribulação, quando os juízos de Deus sobre a terra ocorrem sequencialmente. No que se refere ao primeiro, dizem que será um tempo de sofrimento, especialmente para Israel, com a presença e ação do Anticristo. Atinente ao segundo, ensinam que haverá a manifestação dos juízos de Deus na terra, inclusive sobre a natureza. Para os “pré-tribulacionistas” tudo isso terá início quando o Senhor Jesus arrebatar a Sua Igreja que, no seu entender, passará ilesa.

De todo modo, nossa Igreja Batista do Sétimo Dia não adota uma postura definida atinente à escatologia (doutrina das últimas coisas, ou últimos acontecimentos) e, mais precisamente, sobre a doutrina do milênio e suas variantes interpretativas, entre nós conhecidas como “pré-milenismo”, “pós-milenismo” e “amilenismo”, desdobrando-se em “pré-tribulacionismo” e “pós-tribulacionismo”. Logo, este estudo não tem o objetivo de dizer como será o lapso de tempo que a cristandade convencionou chamar de “a grande tribulação”. Nada impede, todavia, que num futuro próximo, adentremos tais estudos. Importa-nos descobrir, por agora, à luz da revelação nas Escrituras Sagradas se, antes da definitiva implantação do Reino do Messias triunfante, haverá um período de tempo em que o Espírito Santo deixará de agir.

Com efeito, não aderimos à teologia que proclama a chegada de um tempo em que, antes mesmo de se fechar a porta da graça, o Espírito Santo não mais atuará na humanidade. Aliás, é impossível alguém se achegar a Deus, aceitando a oferta de perdão e salvação, se não for pela poderosa ação do Consolador. Cremos, portanto, que todos os que se achegam a Cristo, só conseguem tal acesso por meio do Espírito Santo, cujo papel é o de convencer os homens e mulheres do pecado, da Justiça e do juízo (João 16:8).

Ademais, é impossível alguém viver vida santa, aqui na Terra, sem a presença do Consolador, o Espírito Santo da promessa. De relevo se mencione que até mesmo os evangélicos de orientação teológica pentecostal, conquanto preguem o arrebatamento da Igreja no espaço de tempo por eles denominado “a era da graça”, é dizer, no seu entender, antes da “grande tribulação”, reconhecem ser imprescindível a atuação do Espírito Santo no referido período. Confira-se, pois:

“Além de atuar na vida da Igreja, durante o Seu tempo de vida na terra, (...), há também promessa bíblica de que o Espírito Santo atuará no Milênio, ou seja, nos mil anos de paz que haverá sobre a terra no reinado de Cristo Jesus (Apoc. 20:1-10). Enquanto a obra de Deus não estiver completamente concluída, o Espírito Santo não cessará a Sua obra. Haverá um tempo, ainda aguardado pelos crentes, em que algumas promessas feitas por Deus — ainda não cumpridas — serão realizadas. O Espírito Santo ali estará presente para executá-las. Durante o Milênio, quando Cristo reinar sobre a terra, o Espírito Santo exercerá a plenitude de Seu ministério: haverá um derramamento como nunca houve no mundo”.

Em suma, amada Igreja, o que importa solidificar na mente e coração de cada crente batista do sétimo dia é a certeza de que o Espírito nos ensina e nos dá segurança e nos ilumina e nos une e nos fortalece na luta contra o pecado, habilita-nos a testemunhar com poder, enfim, cria para o salvo que experimentou o Seu revestimento uma atmosfera celestial, visto se conduzir com a certeza da presença de Deus. Sendo assim, somos levados a concordar com o Pastor Doutor Wayne Gruden, ao proclamar que

“como o Espírito Santo é plenamente Deus e compartilha todos os Seus atributos, Sua influência deverá trazer caráter ou atmosfera próprios de Deus a situações em que Ele está ativo. Uma vez que Ele é o Espírito Santo, produzirá às vezes uma convicção de pecado, de justiça e de juízo (João 16:8-11). Como Deus é amor, o Espírito Santo derrama o amor de Deus em nosso coração (Romanos 5:5; 15:30; Colossenses 1:8) e muitas vezes a Sua presença manifestada de maneira poderosa criará uma atmosfera de amor. E ‘porque Deus não é de confusão e sim de paz’ (1 Coríntios 14:33), o Espírito Santo traz uma atmosfera de paz às diversas situações: ‘Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo’ (Romanos 14:17; Gálatas 5:22). Este último versículo também ensina que o Espírito Santo comunica uma atmosfera de alegria (veja Atos dos Apóstolos 13:52. 1 Tessalonicenses 1:6). Embora a lista não seja exaustiva, Paulo sintetiza muitas dessas qualidades divinas produzidas pelo Espírito Santo ao alistar os vários elementos do fruto do Espírito em Gálatas 5:22-23. Outros elementos da atmosfera que o Espírito Santo pode transmitir são verdade (João 14:17; 15:26; 16:13; 1 João 5:7), sabedoria (Deuteronômio 34:9; Isaías 11:2), conforto (Atos dos Apóstolos 9:31), liberdade (2 Coríntios 3:17), justiça (Romanos 14:17), esperança (Romanos 15:13; Gálatas 5:5), consciência de filiação ou adoção (Romanos 8:15-16; Gálatas 4:5-6) e até glória (2 Coríntios 3:8). O Espírito Santo traz também unidade (Efésios 4:3) e poder (Atos dos Apóstolos 1:18; 1 Coríntios 2:4; 2 Timóteo 1:7; Atos dos Apóstolos 1:8). Todos esses elementos da atividade do Espírito Santo indicam os vários aspectos de uma atmosfera em que Ele dá às pessoas a consciência de Sua presença — e desse modo, do Seu caráter”.

Nessa linha de raciocínio, voltando à indagação sobre a possível existência, no futuro, de um período na história da humanidade caracterizado pelo desencadeamento de tribulação inigualável — identificado como “a grande tribulação” — amparados nas Escrituras, somos compelidos a responder afirmativamente.

Outrossim, estamos convictos, ancorados na revelação bíblica, que a atuação do Espírito Santo será tão contundente, efetiva e eficaz quanto em outras ocasiões, até a consumação dos séculos. Ou seja, inexiste base bíblica para alicerçar o ensino de que haverá um tempo em que as pessoas poderão ser salvas sem o auxílio do “Parákletos” — o Consolador — o Espírito Santo.

Entrementes, a afirmação bíblica direcionada ao povo antediluviano, em Gênesis 6:3 (“O meu Espírito não contenderá para sempre com o homem, ...”), faz-nos crer que chegará o tempo em que o Senhor cessará a sua atuação em favor dos pecadores. Isso ocorrerá quando a “porta da graça” se fechar. Mas quando se fechará tal porta, cumprindo-se a palavra que exorta: “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda” (Apocalipse 22:11)?

No caso do povo dos dias de Noé, ou, como se convencionou chamar, os antediluvianos, tem-se que estes esgotaram o limite da misericórdia e paciência divinos. “Cativos de suas paixões, eles já não estavam sujeitos ao Espírito de Deus. A palavra heb. traduzida como ‘agir’, significa ‘governar’ e ‘julgar’. Isso indica que o Espírito Santo só podia continuar atuando pouco tempo mais, e então seria retirado dos não regenerados e impenitentes seres humanos. Até mesmo a longanimidade de Deus tem limite. Pedro se refere à obra do Espírito no coração dos antediluvianos, dizendo que o Espírito de Cristo pregou a esses prisioneiros de Satanás (1 Pedro 3:18-20)”.

A este respeito, o Pastor Doutor R. N. Champlin anota que a luta de Deus com os homens para que estes fizessem o que é direito, continuaria através do ministério de Noé. Mas, esse ministério fracassaria, e então cessaria em seus esforços. E sobreviria o juízo divino. (...). Quando a ameaça foi feita, a humanidade já estava madura para o julgamento. A misericórdia de Deus interveio. Dito de outro modo, Deus jamais executa um juízo de condenação sobre alguém sem antes lhe propiciar ampla e suficiente oportunidade de arrependimento com a subsequente mudança de rumo.

 

A atuação do Espírito

no Reino de Deus

Todos nós sonhamos com a chegada do dia em que o pecado não mais existirá, quando, enfim, o mal será definitivamente extirpado do Universo. Estamos todos marchando, às vezes correndo, mas, no mais das vezes, caminhando para a Terra Prometida — o glorioso Lar dos Salvos! Em nossas meditações e reflexões sobre a vida no paraíso restaurado, muito provavelmente surjam indagações sobre como será a nossa relação com o Senhor. Como será a nossa relação com o Deus triúno? Qual será a atuação do Espírito Santo com os remidos no reino de Deus?

A Bíblia não traz explícitas definições a tais questionamentos. De todo modo, o conjunto da revelação de Deus nas Escrituras nos conduz à certeza de que o Senhor estará para sempre com os redimidos. Então, as infundadas ideias unicistas (de um Deus que, ora se apresenta como Pai, ora como Filho e, ainda, noutro momento como Espírito Santo), desmoronarão, porquanto estaremos para sempre com o Senhor, desfrutando concomitantemente a presença de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

É razoável, entretanto, acalentarmos a ideia de que assim como o papel precípuo de Deus Filho, o Senhor Jesus Cristo, na obra da redenção já será tido por consumado; por semelhante modo, o papel primordial do ministério de Deus, o Espírito Santo — convencer os homens e mulheres do pecado, da Justiça e do juízo (João 16:8) — também não mais terá sentido e nem lugar na eternidade.

Feitas estas ponderações, revela-se inafastável a confrontação com uma última indagação: Como será a nossa relação com o Deus Triúno durante a eternidade? A mais honesta e segura resposta, extraímos diretamente das Escrituras, que afirma: “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam” (1 Coríntios 2:9).

 

Considerações Finais

Amada Igreja, ao término deste estudo, far-nos-ia bem meditar nas palavras do Senhor a Zorobabel, quando do retorno do cativeiro babilônico, que durou 70 anos. Este servo de Deus estava empenhado na reconstrução do templo e os desafios eram múltiplos. Confira-se: “(...): Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4:6; 12:10).

Revela-se muito oportuna, a esta altura, a observação feita pelo Pastor e Professor Warren W. Wiersbe, ao comentar o texto acima mencionado, quando ensinou que a palavra, ‘força’ refere-se à força militar, àquilo que as pessoas podem fazer em conjunto, mas o remanescente não possuía um exército. O termo ‘poder’ refere-se à força individual, mas sem dúvida, as forças de Zorobabel estavam chegando ao fim. ‘Não desanime’. Essa era a mensagem do profeta. ‘O meu Espírito habita no meio de vós; não temais’ (Ageu 2:5).

Podemos tentar realizar a obra de Deus de três maneiras: confiar em nossa própria força e sabedoria; tomar emprestados os recursos do mundo; ou depender do poder de Deus. As duas primeiras abordagens podem parecer funcionar, mas no final, sempre falham. Somente a obra realizada pelo poder do Espírito glorificará a Deus e passará pelo fogo do julgamento (1 Coríntios 3:12-15). Com seus recursos limitados, para os judeus a conclusão do templo devia parecer algo tão impossível quanto mover uma montanha, mas Deus disse a Zorobabel que o governante iria, pelo poder do Senhor, aplainar o monte e transformá-lo em campina! Jesus disse a Seus discípulos que exercitar a fé como um grão de mostarda (pequeno, porém vivo) podia mover montanhas (Mateus 17:20; 21:21).

Quais eram as ‘montanhas’ que Zorobabel tinha diante de si? O desânimo no meio do povo, a oposição dos inimigos a seu redor, colheitas escassas, uma economia instável, pessoas desobedecendo à lei de Deus — problemas não muito diferentes daqueles quo o povo de Deus tem enfrentado ao longo dos séculos. A resposta para esses problemas é a oração, que libera o poder do Espírito Santo. Quando os cristãos da igreja primitiva enfrentaram dificuldades, voltaram-se para Deus em oração, e Ele respondeu enchendo-os novamente com o Espírito (Atos dos Apóstolos 4:23-31).

Afirmamos depender do Espírito Santo’, disse Vance Havner, ‘mas, na verdade, estamos tão ligados em nossos próprios recursos que, se o fogo não descer do céu, produzimos nosso próprio fogo falso. Se não se pode escutar o som do vento poderoso, nossa fornalha está preparada para soltar ar quente. Deus nos livre de um Pentecoste sintético!’

Lembremo-nos sempre: Jesus Cristo orienta Sua Igreja hoje pelas Escrituras e pelo Espírito Santo. O Espírito, habitando em cada crente, testifica de Jesus Cristo. O Espírito opera junto às Escrituras, aplicando a mensagem bíblica ao entendimento do leitor. O testemunho da bíblia sobre Jesus Cristo é objetivo; o testemunho do Espírito é subjetivo. Mas os dois são harmoniosos. O Espírito aplica a doutrina à vida interior do crente, mas não revela novas doutrinas. O Espírito leva o indivíduo a aplicar a doutrina cristã à sua própria vida. Mesmo assim, cada crente deve interpretar criticamente sua própria experiência espiritual.

A presença do Espírito Santo em cada crente constitui a base da democracia batista. Uma igreja regenerada goza a segurança da presença interior do Espírito Santo, pois o Espírito habita em cada membro que compõe a igreja. Sem esta base, uma igreja está sujeita à tirania de quem se diz mais espiritual, mais poderoso, ou portador de sonhos e visões. Fundamentados na compreensão da presença contínua do Espírito Santo em todos os crentes, os batistas organizam suas igrejas (...).

Portanto, na vida cristã é importante depender do poder do Espírito Santo, reconhecendo que qualquer obra mais expressiva é feita ‘não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos’ (Zacarias 4:6). Paulo é enfático ao dizer aos gálatas que o Espírito Santo foi recebido pela fé no início da vida cristã deles (Gálatas 3:2) e continuaria a operar de acordo com sua fé na vida posterior à conversão: ‘Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne? (...) Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?’ (Gálatas 3:3-6).

Por essa razão, devemos andar segundo a direção do Espírito Santo (Romanos 8:12-16; Gálatas 5:16-26) e concentrar nossa mente nas coisas do Espírito (Romanos 8:4-6). Todo o nosso ministério, qualquer que seja a forma que ele assuma, deve ser desenvolvido no poder do Espírito Santo”. Lembremo-nos sempre de que o Espírito Santo é o poder de Deus em uma pessoa divina, atuando desde a Criação até a consumação de tudo, em todas as circunstâncias (Gênesis 1:2; Apocalipse 22:17). Ele é inteiramente Deus, possuindo todos os atributos de Deus, na plenitude que pertence a Deus. Não há nenhum sentido em Ele ser um Deus reduzido. Ele participa plenamente de todas as obras de Deus. Ele é tão santo e poderoso quanto o Pai e tão gracioso e amoroso quanto o Filho. Ele é a perfeição divina em sua plenitude. Assim, Ele é digno de nossa adoração, tanto quanto o Pai e o Filho.

Charles Spurgeon, expressando sua própria paixão pela honra do Espírito, cobrou sua congregação com estas palavras: “Querido irmão, honre o Espírito de Deus como honraria a Jesus Cristo se Ele estivesse presente. Se Jesus Cristo morasse em sua casa, você não O ignoraria, você não faria sua rotina como se Ele não estivesse lá. Não ignore a presença do Espírito Santo em sua alma. Rogo-lhe, não viva como se não tivesse ouvido falar da existência do Espírito Santo. Faça adorações constantes a Ele. Reverencie o augusto hóspede que tem tido o prazer de fazer do seu corpo Sua morada sagrada. Ame-O, obedeça-O, adore-O”.

O que o Espírito Santo está realmente fazendo no mundo hoje? Ele, que participou ativamente da Criação do universo material (Gênesis 1:2), agora está focado na Criação espiritual (2 Coríntios 4:6). Ele produz a vida espiritual — regenera pecadores através do Evangelho de Jesus Cristo e os transforma em filhos de Deus. Ele os santifica, equipa-os para o culto, produz frutos em suas vidas, e capacita-os para agradarem seu Salvador. Ele lhes garante a glória eterna e prepara-os para a vida no céu. A mesma fonte de energia explosiva que do nada trouxe o mundo à existência, está atualmente trabalhando nos corações e nas vidas dos redimidos. E assim como a Criação foi um milagre surpreendente, assim é toda a nova Criação — conforme o Espírito sobrenaturalmente traz a salvação àqueles que de outra forma teriam sido condenados à ruína eterna. Empenhemo-nos, pois, na busca da santificação — sem a qual, ninguém verá o Senhor. Assim, andaremos nas pegadas do Salvador, trilhando os caminhos, às vezes ensanguentados, pelos quais passaram os heróis da fé em todos os tempos.

Amada Igreja, a despeito das lutas, provações e duras dificuldades pelas quais estejamos passando, não nos desanimemos, porquanto a vinda do Senhor é certa! Os melhores dias de nossa vida ainda estão por vir. Sem mais demora Cristo virá! Este será dia de muita alegria! Sim, nesse tão glorioso dia, os salvos mortos ressurgirão para a ressurreição da vida! Teremos corpos gloriosos, incorruptíveis e imortais. Ocorrida esta transformação, seremos arrebatados para viver sempre com o Deus Triúno!

Não pode haver melhor arremate a este estudo, se não a bênção apostólica que, num misto de saudação e de intercessão, proclama:

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor e Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós. Amém!” (2 Coríntios 13:13).

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

  1. À luz do texto comentado, discuta com a classe a atuação do Espírito Santo enquanto aberta a “Porta da Graça”. Fundamente suas posições com o texto bíblico.

R.

 

  1. Refute à luz dos comentários desta lição e com base nas Santas Escrituras, a doutrina conhecida como a “teologia da prosperidade” em comparação com a prevenção bíblica de que nos sobrevirá um tempo de acentuada e grande tribulação.

R.

 

  1. Com base na revelação bíblica de que haverá uma “grande tribulação”, como será a atuação do Espírito Santo nesse período?

R.

 

  1. Analise o texto bíblico de Zacarias 4:6 e desenvolva uma aplicação de sua mensagem para os dias atuais.

R.

 

  1. Tomando-se por base o texto de 1 Coríntios 2:9 realize um debate em família e/ou na classe de estudos bíblicos, sobre como será a atuação do Espírito Santo na eternidade, é dizer, no glorioso Lar dos salvos.

R.

 

1 SEVERA, Zacarias de Aguiar. Manual de Teologia Sistemática. Curitiba – A. D. Santos Editora, 2ª ed., 2014, p. 243.

2 ROMEIRO, Paulo. Supercrentes: O Evangelho Segundo Kenneth Hagin, ValniceMilhomens e os Profetas da Prosperidade. São Paulo – Editora Mundo Cristão, 1ª ed., 1993, p. 5.

3 Op. Cit., p. 30.

4 GRAHAM, Billy. Como Nascer de Novo. Venda Nova/MG – Editora Betânia S/C, 1ª ed., 1977, p. 21.

5 LOPES, Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos: Romanos – O Evangelho Segundo Paulo. 1ª ed.. São Paulo: Editora Hagnos, 2010, p. 206.

6 CAITANO, Joá. Os Mistérios do Apocalipse: 325 respostas bíblicas, históricas e científicas. 1ª ed., 18ª Reimpressão. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2016, pp. 71/72.

7 BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais: Uma Teologia Sistemática Expandida. – vol. 02, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2016, p. 202.

8 GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática – Atual e Exaustiva. 2ª ed.. São Paulo: Editora Vida Nova, 15ª Reimpressão, 2017, pp. 538/539.

9 NICHOL, Francis D. The Seventh-day Adventist Bible Commentary (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia). Vol. 1, 1ª ed, 3ª impressão. Casa Publicadora Brasieleira. Tatuí: 2012, p. 238.

10 CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado – versículo por versículo. Vol. 1, 2ª ed, 4ª reimpressão. Editora Hagnos. São Paulo: 2001, p. 58.

11 WIERSBE, WARREN W. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento. Tomo 4, Editora Geográfica. Santo André: 1ª ed., 6ª reimpressão, 2012, p. 563.

12 LANDERS, John. Teologia dos Princípios Batistas. 1ª ed., Rio de Janeiro. JUERP – Junta de Educação Religiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira, 1986, p. 77.

13 GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática – Atual e Exaustiva. 2ª ed. - São Paulo: Editora Vida Nova, 15ª Reimpressão, 2017, p. 543.

14 MACARTHUR, John. Fogo Estranho: um olhar questionador sobre a operação do Espírito Santo no mundo de hoje. 1ª ed. – Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2015, pp. 206/207.

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