Introdução

Texto de Estudo: Rute 1:8-18

Noemi era uma israelita que foi com seu marido e seus dois filhos para Moabe, quando houve uma fome em sua cidade natal, Belém (v. 1). Em Moabe, seu marido morreu e então seus filhos casaram-se com mulheres moabitas, Orfa e Rute (vv. 2-4). Os filhos de Noemi também morreram, deixando-a com duas noras (v. 5). Quando ela ouviu que a fome terminara, decidiu retornar a seu país natal (v. 6). Então, Noemi, Orfa e Rute começaram a jornada para Belém (v.7). Foi aí que Noemi insistiu que as duas jovens retornassem para suas famílias em Moabe. O contexto de nossa passagem das Escrituras consiste em três intercâmbios entre essas mulheres. Como veremos, essas interações levaram à tona uma mudança de lealdade em Rute.

O primeiro intercâmbio

Inicialmente, Noemi falou com Orfa e Rute. Ela implorou-lhes que retornassem às suas famílias. Esse pedido inicial é notável por muitas razões. Primeiramente, Noemi disse a cada uma delas para retornarem à "casa de sua mãe" (v. 8a). Em seu comentário sobre Juízes, Daniel Block destaca que essa frase é incomum para uma sociedade patriarcal e é provavelmente usada para enfatizar o desejo de Noemi de que elas se casassem novamente7. Embora Noemi se beneficiasse da companhia feminina, esse desejo pelo bem-estar delas era um sinal de um terno amor.

Essa declaração é também interessante porque Noemi pediu que Deus abençoasse suas noras, ainda que elas retornassem à terra e aos deuses de Moabe. Não há discussão mais tarde no livro que diga se Orfa foi, de fato, abençoada, quando retornou aos seus ídolos. Mesmo assim, Noemi parecia crer que Deus honraria suas palavras. Depois dessa declaração, as mulheres não se moveram e disseram que continuariam indo até Belém.

O segundo intercâmbio

A segunda tentativa de Noemi de persuadir as mulheres a retornar pinta uma imagem mais áspera. Seu questionamento retórico era quase uma repreensão para as mulheres, dizendo-lhes que continuar com ela seria uma decisão ruim. Com ela, elas não teriam esperança de um futuro. Não fazia nenhum sentido para elas irem até Belém com ela. Noemi, então, expôs sua amargura para com Deus, pelas circunstâncias de sua vida. Ela cria que Deus havia estendido Sua mão, causado uma fome, levando-a ao exílio, matado seu marido e filhos, e não lhe dado nenhum neto. Sua situação era incrivelmente ruim. Em resposta, Orfa retornou para sua casa, mas Rute perseverou.

O terceiro intercâmbio

Na terceira parte desta interação, Noemi insistiu para que Rute retornasse com sua cunhada para suas famílias e seus deuses. Mas Rute recusou-se com os versículos mais recitados no livro inteiro. Sua resposta é um belo e poético juramento. Ele pode ser dividido em cinco pares de versos com a estrutura A-B-C-B-A.

O primeiro e o último par correspondem, sendo ambos imperativos. O primeiro foi direcionado para Noemi: "Não me instes para que te deixe". O último foi direcionado para Deus: "Faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti". Semelhantemente, o segundo e quarto par combinam, são opostos com o mesmo ponto de vista. O versículo 16b fala de como Rute seguiria Noemi na vida, e o verso 17a mostra como ela a seguiria na morte. Fica o terceiro par, "O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus", como ponto principal da fala.8

Muitos têm argumentado que esse foi o anúncio de Rute de uma fé pessoal em Deus. Talvez seja isso. Talvez tenha sido seu amor por sua sogra ou a devoção ao seu marido morto que a tenha feito declarar tal coisa. O texto não diz explicitamente. O que está muito claro, entretanto, é que esse foi o momento em que Rute fez uma declaração de lealdade a Noemi e sua comunidade.

A linguagem de Rute era a mesma linguagem usada em todo o Antigo Testamento, quando alguém está fazendo um juramento (1Samuel 3:17; 1Samuel 14:44; 1Samuel 20:13 etc.). Como tal, ela estava invocando punição severa sobre si mesma se não mantivesse sua palavra.9 E o que exatamente ela estava prometendo fazer? Matthew Henry observa que ela estava dizendo que compartilharia as viagens, habitações, interesses, religião, local de morte e local de sepultamento com Noemi.10 Resumindo, ela seria companheira constante de Noemi, esquecendo tudo o que conhecera antes, devotada a ela, mesmo na morte.

Essa foi a decisão mais importante que Rute tomaria. Isso determinaria de quem ela seria amiga, onde ela moraria, que tipo de comida ela comeria e quase cada aspecto adicional de sua vida, daquele momento em diante. Lendo o restante do livro de Rute, sabemos que ela tomou a decisão certa. Ela foi incluída na linhagem do Cristo!

Aplicação pessoal

Da mesma maneira, as decisões que tomamos, sobre as comunidades das quais faremos parte e sobre os amigos em quem confiaremos, terão efeitos de longo alcance. Devemos, como Rute, escolher sabiamente. Devemos nos perguntar: Esta pessoa/comunidade me levará para mais perto de Deus? De que outras formas esta pessoa/comunidade me influencia? Como Jesus iria querer que eu me relacionasse com esta pessoa/comunidade?

Não somente Rute escolheu sua comunidade sabiamente, mas ela assumiu um forte compromisso com essa comunidade. Ela abriu mão de tudo o conhecera, até aquele ponto em sua vida, e não deixou consigo quaisquer opções para deixar a comunidade. Isso deveria forçar cada um de nós a questionar o quão comprometido somos com as pessoas/comunidades em nossa vida. Essas comunidades podem incluir igreja, trabalho, escola, família, atividades extracurriculares, vizinhanças, equipes esportivas, organizações voluntárias, comunidades online etc.

Pergunte a si mesmo: sou apropriadamente comprometido com cada uma das minhas comunidades? Preciso reduzir meu compromisso com algumas para aumentar meu comprometimento com outra? Quais são as ramificações dessas mudanças? Quais são as ramificações de não se fazer nenhuma mudança?

Minha oração é que nos tornemos pessoas que façam escolhas de Deus e que vivam com integridade e perseverança mais e mais a cada dia. Que a história da devoção de Rute nos inspire.

 

7 BLOCK, Daniel L. The new american commentary: v. 6 - Juízes, Rute. Nashville, TN: Broadman and Holman Publishers, 1999, p. 632-634.

8 BLOCK, Daniel L. Obra citada, p. 640.

9 KEIL, Carl Friedrich; DELITZCH, Franz. Commentary on the Old Testament:v. 2 - Joshua, Judges, Ruth, 1 & 2 Samuel. Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 1996, p. 346.

10 HENRY, Matthew. An exposition, with practical observations, of the bok of Ruth. Disponível em: .

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