Este Esdras subiu de Babilônia; e era escriba hábil na lei de Moisés, que o SENHOR Deus de Israel tinha dado; e, segundo a mão do SENHOR seu Deus, que estava sobre ele, o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira.

Esdras 7:6 

E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

1 Coríntios 12:5 

INTRODUÇÃO

   Ao refletir neste estudo bíblico sobre as funções de uma Igreja local, vamos nos valer, primeiramente, dos ensinamentos bíblicos e, num segundo momento, da tradição da Igreja Cristã, desde os seus primórdios no período apostólico (anos 31 a 100 d.C.) até os nossos dias.

   Em um de seus sermões sobre a Igreja e a razão de sua existência no mundo, o Pastor Bernardino de Vargas, em sua parte introdutória, faz alusão ao Pastor e Professor Ray C. Stedman, que ensinou:

   “A palavra ‘igreja’ traz à tona imagens muito diferentes. Para alguns, a igreja não é nada mais que um esnobe clube de campo religioso, com rituais tradicionais tão sagrados como uma tradicional caça à raposa. Para outros, a igreja é um grupo de ação política, um bloco de pressão de fazedores do bem, batalhando contra os males da sociedade. Alguns veem a igreja como uma espécie de sala de espera, não-segregada racialmente, destinada a pessoas que estão esperando o próximo ônibus para o céu. Alguns a veem como um tipo de sobremesa especial [...]. Outros pensam dela como se fosse uma reunião comum de fanáticos religiosos, gozando seu transe de fim de semana. Para muitos a igreja é uma espécie de tábua de salvação no jogo da vida ou uma democracia religiosa, que quer legislar sobre moral para o resto do mundo.

   Sejamos bem honestos em admitir que a igreja tem sido todas estas coisas, em muitos lugares e ocasiões. Tem justificado amplamente todas as amargas acusações contra ela levantadas. Apesar de suas numerosas fraquezas e de seus trágicos pecados, a igreja tem sido através de todos os séculos, desde o seu início, a mais poderosa força em prol do bem sobre a face da terra. Tem sido uma luz no meio da escuridão tão densa, que pode ser sentida. Ela tem sido sal dentro da sociedade, retardando o alastramento da corrupção moral e dando tempero e sabor à vida humana”.

   É sempre oportuno lembrar que o vocábulo “igreja”, vem de uma palavra grega e significava um ajuntamento de pessoas. Sua origem não é bíblica, mas sim, da convivência popular da sociedade grega antes de Cristo, com o propósito de designar uma assembleia ou um ajuntamento de cidadãos de uma determinada localidade para discutir seus assuntos em comum (semelhante, nos dias de hoje, a uma reunião da associação dos amigos do bairro). Evidentemente, a introdução do vocábulo Igreja nos textos do Novo Testamento sofreu uma evolução semântica (em seu sentido), com uma riqueza de significados como hoje conhecemos.

   Nesse cenário, é recomendável que cada membro de uma Igreja Batista do Sétimo Dia (local) se pergunte se a administração e condução de sua igreja, nas suas mais variadas atividades, estão em sintonia com as orientações da Palavra de Deus. Certamente, as linhas mestras de uma administração eclesiástica saudável encontramos nas diversas orientações bíblicas. Entretanto, nossa igreja não tem a ilusão de ver a Bíblia como se fosse um Manual de Administração Eclesiástica (da Igreja).

   Com isso, estamos admitindo que a Igreja Cristã, no transcurso das décadas, séculos e milênios, necessitou se adequar às novas exigências e necessidades que se impunham em decorrência do desenvolvimento da sociedade.

   Assim, por exemplo, na Igreja Cristã Primitiva (apostólica) não se tem notícia da necessidade de um Departamento Infanto-Juvenil, de Adolescentes ou de Jovens. Tampouco, um Departamento de Patrimônio ou de Planejamento ou, ainda, de Comunicação e Marketing. Não se tem notícia de uma Secretaria da Igreja e nem de um Departamento de Música, incluindo-se conjuntos musicais e grupos corais.

   É necessário reiterar que não existe na Bíblia uma explícita determinação para a criação desses setores da administração da Igreja. Por outro lado, tudo isso está contido, em sua essência, principalmente, quando admite uma diversidade de ministérios dentro da própria Igreja, consoante se constata no cap. 12, v. 5, da 1ª Epístola aos Coríntios.

   Em relação aos textos de Esdras 7 e 8, da “Bíblia de Estudo Arqueológica — NVI”, tendo como prefaciador o Professor e Pastor Batista, Doutor Luiz Alberto Sayão, extrai-se a nota:

   “Os escribas constituíam uma importante classe profissional na sociedade do mundo antigo. A arte escribal da leitura, escrita e interpretação de documentos escritos, proporcionava-lhes um papel fundamental em questões pessoais, estatais e religiosas. Geralmente o texto era redigido a partir de um ditado (Jeremias 36:32). A formação de um escriba era adquirida na escola, e a profissão às vezes era vista como um negócio familiar (1 Crônicas 2:55). Alguns personagens importantes da Bíblia foram escribas: Safã, que leu o livro da lei ao rei Josias (2 Reis 22:10); Baruque, que documentou as palavras do profeta Jeremias (Jeremias 36:4); Esdras, que copiou e leu os decretos dos reis da Pérsia e a lei de Moisés (Esdras 7:6 – 11); o evangelista Mateus, que usou suas habilidades de escriba para compor o primeiro evangelho canônico (Mateus 8:19; 13:52).

   A Bíblia apresenta corretamente a função de escriba como sendo documentar e preservar a vontade dos reis (1 Crônicas 24:6; Ester 3:12). Eles desempenhavam importantes funções dentro da hierarquia militar (2 Reis 25:19; Jeremias 52:25) e geralmente são apresentados como conselheiros dos reis ao lado do sumo sacerdote (2 Reis 12:10; 18:18, 37; Mateus 2:4). Muitos escribas também eram sacerdote se estavam incumbidos de preservar, interpretar e explicar as Escrituras (Nee. 8:9; Mat. 17:10; 23:2). É, portanto, compreensível que os escribas tenham se tornado, na opinião geral, homens de grande sabedoria e conhecimento. Jônatas, tio de Davi, ‘era conselheiro, homem sábio e também escriba’ (1 Crônicas 27:32).

   (...). Jeremias denunciou ‘a pena mentirosa dos escribas’ que haviam abandonado a lei do Senhor (Jer. 8:8), e o próprio Jesus pronunciou uma extensa lista de acusações contra os escribas e fariseus (Mat. 23)”.

 

DEFINIÇÃO DE SECRETARIA DA IGREJA

   Consoante afirmamos anteriormente, não existe na Bíblia uma explícita determinação para a criação de uma secretaria na administração da Igreja. Entretanto, nenhum crente, em sã consciência, duvida da necessidade de implantação desse ministério em sua igreja. Aliás, é da própria Bíblia que, orientando como deva ser o culto, extraímos o princípio basilar para uma Igreja saudável, quando exorta: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.” (1 Coríntios 14:40).

   De modo geral, cada Igreja Batista do Sétimo Dia possui uma Diretoria que é composta por presidente, vice-presidente, 1º e 2° secretários e 1° e 2° tesoureiros, que são escolhidos por meio de uma eleição. Esse secretário participa de todas as reuniões de diretoria, do conselho eclesiástico, das assembleias ordinárias e extraordinárias.

   Para um melhor desempenho das suas funções, o secretário precisa ter algumas qualificações, como:

a) Ser uma pessoa extremamente responsável e de confiança;

b) Ter boa educação e maturidade cristã;

c) Ser organizado;

d) Saber escrever com facilidade;

f) Ser zeloso pelo seu trabalho, sempre pontual, pois é aquele que registra o que acontece nas reuniões e assembleias da igreja.

   O secretário faz parte da liderança da igreja (Conselho de Administração Eclesiástiade; e) De preferência, estar atento aos avanços tecnológicos e saber lidar com programas de computação), por isso precisa ter as qualidades de um líder, visto que sua atividade não se resume à fidelidade dos registros em ata. Mas, também, participa das tomadas de decisões. Portanto, deve ser qualificado para manter em sigilo as informações discutidas em reunião.

   Nos dias atuais, com o fácil acesso à informática, algumas Igrejas não utilizam mais o livro de registro de ata. O secretário digita a ata e depois imprime para assinatura. Tais modernidades são aceitáveis, porquanto atingem o objetivo de um fiel registro de tudo que foi discutido e deliberado.

   O Regimento Interno da Conferência Batista do Sétimo Dia Brasileira, em seu art. 42, estabelece os requisitos para desempenhar a função de secretário da Diretoria Geral.

   Mostra-se relevante esclarecer, a essa altura, que a CBSDB (e, possivelmente, as Associações Regionais e algumas igrejas locais), além dos 1º e 2º Secretários — que fazem parte da Diretoria — tem um(a) secretário(a) executivo(a). Esse(a) é aquele(a) que, sem fazer parte da Diretoria e/ou Conselho Eclesiástico, realiza os serviços práticos de uma secretaria, tais como serviços de postagem, telefonia, etc. Esse trabalho pode ser remunerado ou gratuito (voluntário) na Igreja durante a semana. Há Igrejas que designam um membro para atender essa função com dedicação voluntária de algumas horas semanais — seja na Igreja, na casa pastoral, na sua própria casa ou, ainda, na casa de um irmão.

   Para exemplificar a diferença entre um secretário membro da Diretoria e um secretário executivo, podemos utilizar a estrutura da Conferência Batista do Sétimo Dia Brasileira (CBSDB), na qual temos o 1° secretário, Pr. André Garcia Ferreira e o 2° secretário, irmã Fernanda Wendt Leite, que são integrantes da Diretoria Geral e o Diác. Marcelo Ângelo Negri que é o secretário executivo (faz tudo) da CBSDB.

   Observa-se que as funções de secretaria são complementares no cuidado dos registros da Igreja e na assessoria da liderança, do pastor e dos demais membros.

 

QUAIS AS PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES DA SECRETARIA?

   Um exemplo das atribuições de um secretário de Diretoria pode ser obtido a partir do art. 11 da Constituição da Conferência Batista do Sétimo Dia Brasileira32. Como essas atribuições são em nível nacional, há igrejas locais que possuem Estatuto Social ou Regimento Interno ou Constituição, nos quais elas definem as atribuições desta função. Aliás, nesse ensejo, é de suma importância ressaltar que cada Igreja local deve elaborar o seu Estatuto Social e seu Regimento Interno.

   Assim, para reforçar o que foi dito acima, vejamos o art. 37 do Estatuto Social da Primeira Igreja Batista do Sétimo Dia de Campinas/SP:

   “Art. 37. Compete ao Secretário:

I - redigir, lavrar em livro próprio, apresentar e assinar as Atas das Assembleias e das reuniões do Conselho Eclesiástico;

II - manter em ordem os arquivos, livros, cadastros e o fichário do rol de membros da IBSD;

III - substituir o Vice-Presidente, na ordem de eleição, em sua falta ou nos eventuais impedimentos incluindo-se as atividades previstas no Regimento Interno.

   São diversas as atribuições que a secretaria da Igreja local tem sobre seus ombros, podendo ser apenas administrativa, informativa, contábil ou envolvendo todas elas. Vamos listar as mais comuns:

a) Lavrar todo o conteúdo que está inserido na ata, bem como registrá-la no cartório;

b) Zelar pela documentação, arquivar cartas, boletins, documentos, certificados;

c) Com a assessoria do pastor, verificar todas as correspondências, tanto as recebidas como responder e enviar aquelas que devam ser encaminhadas, sejam mensagens, e-mails, cartões, cartas de transferência, boletins;

d) Manter atualizado o registro de membros da igreja, fichas de batismo, casamento e outras informações e publicações, bem como emitir os seus respectivos certificados;

e) Elaborar ou digitar os relatórios da igreja para as assembleias gerais;

f) Preparar e auxiliar na administração da agenda da igreja e do pastor;

g) Registrar e zelar por todos os bens da igreja.

   Conclui-se, portanto, que a secretaria da igreja é uma peça fundamental para o bom funcionamento da administração eclesiástica. Assim sendo, o secretário que desempenha bem sua função não permite que a sua igreja passe por contratempos desnecessários na área administrativa.

 

ALGUNS PERSONAGENS BÍBLICOS NA SECRETARIA

   À luz dos registros da história eclesiástica cruzados com as descobertas arqueológicas, somos levados a crer que o primeiro personagem da Bíblia a desempenhar a função de um verdadeiro secretário tenha sido Moisés. Assim, em Êxodo 17:14, lemos:

   “Então o Senhor disse a Moisés: — Escreva isto para memória num livro e repita-o a Josué, porque eu vou apagar totalmente a memória dos amalequitas da face da terra.”.

   Deus determinou o registro dessa ação futura para que, quando acontecesse, eles se lembrassem da fiel promessa do Senhor. De Êxodo 24:1-4, extrai-se:

   “Deus disse a Moisés: — Subam para junto do Senhor, você, Arão, Nadabe, Abiú e setenta dos anciãos de Israel; e adorem de longe. Só Moisés se aproximará do Senhor; os outros não se aproximarão, nem o povo subirá com ele. Moisés foi e transmitiu ao povo todas as palavras do Senhor e todos os estatutos. Então todo o povo respondeu a uma voz e disse: — Tudo o que o Senhor falou nós faremos. Moisés escreveu todas as palavras do Senhor e, tendo-se levantado de manhã cedo, edificou um altar ao pé do monte e ergueu doze colunas, segundo as doze tribos de Israel.”

   Nesse texto, Moisés fala ao povo todos os estatutos de Deus e depois da assembleia (composta de todos os israelitas) deliberar aceitando a aliança, Moisés faz o registro. Em outras palavras, ele escreve a ata dessa reunião. Portanto, na própria Bíblia se encontra, ainda que de forma implícita, a importância de se registrar as atas das reuniões da igreja. Em verdade, esses registros contam a história da igreja assim como podem ser consultados para lembrar o que foi decidido. Os registros de Moisés foram muito além de contar a história do povo de Israel, eles trazem ensinamentos para todas as épocas e povos, até porque, integram a inspirada Palavra de Deus.

   O rei Davi também instituiu pessoas para fazerem os registros:

   “[...] Josafá, filho de Ailude, era o cronista. Seva era o escrivão[...].” (2 Samuel 20:24 25).

   Na versão NVI — Nova Versão Internacional, a Bíblia traz os ajudantes de Davi como arquivista e secretário. É de se ressaltar, contudo, que nas traduções e versões tradicionais, as funções acima descritas são denominadas cronista e escrivão. Por isso, a Sociedade Bíblica do Brasil, em uma de suas obras que tratam da história do surgimento da Bíblia, esclarece:

   “A Bíblia não descreve a atividade desses dois homens, mas alguns estudiosos sugerem que esses oficiais dirigiam dois departamentos de escribas. O cronista era, possivelmente, o responsável por escrever os decretos do rei e colocá-los em circulação, agindo como um porta-voz que comunicava os desejos reais ao povo. O escrivão deve ter sido responsável pela correspondência particular de Davi com outros israelitas e com governantes de outras nações.”

   Esdras foi escriba conforme o verso-chave dessa lição. Escriba pode ser traduzido como escrivão, intérprete da lei e mestre da lei. Os escribas não eram apenas copistas, eles eram estudantes científicos da Lei, pois o conhecimento deles era considerado profissional. Esdras não apenas escrevia como também ensinava a Lei. Ele não era considerado um secretário, mas fez importantes registros de sua época (como um verdadeiro secretário) que nos ensinam até os dias atuais.

   Além desses, o Antigo Testamento relata outros secretários ou arquivistas, como: Safã (2 Reis 22:3), Sausa (1 Crônicas 18:16), Jeiel (2 Crônicas 26:11), Sinsai (Esdras 4:8), Sebna e Joá (Isaías 36:3), Elisama (Jeremias 36:12) e Jônatas (Jeremias 37:15).

   No Novo Testamento temos um relato de um escrivão em Atos dos Apóstolos 19:23-41. Ele é chamado de escrivão da cidade em Éfeso. Quando ele vê todo aquele alvoroço na cidade devido ao tumulto que Demétrio causa, ele consegue a atenção de todos e orienta a parar com aquela confusão. E se quisessem poderiam resolver isso em assembleia (v. 39). Observa-se que ele era um líder, pois ele foi ouvido e respeitado. Como dito anteriormente, o secretário, não apenas, faz os registros, mas também conhece os protocolos para resolver os conflitos de forma correta.

   Todos os membros da diretoria precisam conhecer os regimentos, constituição e estatutos, que regem a instituição que eles integram. Assim, o secretário que cuida de todos os registros, além destes documentos, também tem as atas registradas para ajudar na solução das questões levantadas.

   Trazendo essa situação para a Igreja, verificamos que o secretário auxilia a liderança na tomada de decisões, lembrando das atas já registradas e também dos documentos que regem aquela Igreja local.

 

DEUS NOS CHAMA PARA SERVIR

   A articulista Daisy é secretária da PIB7 Campinas/SP desde a sua fundação em 2011, como também é secretária executiva da Igreja cuidando de todos os registros e literatura. E, atualmente, é a primeira secretária da Federação de Jovens Batistas do Sétimo Dia.

   A Igreja de Campinas não tem um templo próprio nem casa pastoral, fica situada em uma sala de convenção de hotel para os cultos aos sábados (todo o material da Igreja fica na casa de um dos membros da Diretoria). A PIB7 Campinas tem um site, uma página no Facebook e um canal no Youtube. Sempre há pessoas que entram em contato pedindo oração, ajuda, estudo bíblico, literatura. Essa articulista responde às solicitações ou as encaminha para o responsável.

   Além disso, há outras tarefas, como: redigir atas (digitar, imprimir para assinatura e arquivar); auxiliar o presidente e o pastor na sua agenda de atividades; verificar o rol de membros; fazer o boletim mensal; nesta fase de pandemia devido ao coronavírus que não podemos realizar cultos presenciais, enviar convites para o culto online; fazer as comunicações através da ferramenta WhatsApp; fazer as atualizações no site e nas redes sociais da igreja; fazer os pedidos de literatura na CBSDB. São muitos registros para zelar atuando, quer na secretaria geral, quer na executiva, mas é tudo muito gratificante.

   Pela experiência dessa articulista, para uma pessoa exercer essa função, precisa gostar e ter facilidade para escrever, ser atenciosa, organizada, detalhista, honesta, no sentido de escrever exatamente o que foi tratado na reunião, imparcial, discreta e que tenha facilidade com planilhas eletrônicas e softwares de produção de texto.

   Uma das experiências muito boas que aconteceram foi quando houve a primeira apresentação de bebê na Igreja. Estavam os pais e os avós do bebê e a alegria da família ao receber o certificado de apresentação é algo que marca bastante. Muitas vezes não paramos para pensar que pequenos gestos fazem toda a diferença na vida de uma pessoa ou de uma comunidade inteira. Por isso, o secretário precisa sempre estar atualizado e cuidar para atender da melhor forma as necessidades da Igreja.

   A articulista Línia foi, em meados da década de 1980, secretária da diretoria local da mocidade e da então Diretoria Nacional da Mocidade Batista do Sétimo Dia (hoje Federação de Jovens Batistas do Sétimo Dia). Foi, também, secretária executiva da Diretoria Nacional, com remuneração e carga semanal de 8 horas diárias. Sem internet, eram utilizados arquivos de aço para guardar as fichas dos membros da Mocidade em todo território nacional, com endereço e telefone. Datilografava (máquina de datilografia), envelopava e encaminhava ao correio as correspondências, bem como todo o material (folhetos, revistas) solicitado pelos irmãos. Auxiliava, em tudo onde tinha competência para atuar, aos Presidentes Nacionais da época — Rudi Arndt, Eliseu W. Storck e Delmar Ezequiel Storck.

   Hoje em dia ela é, além de diaconisa (consagrada ao diaconato no ano de 1983), membro do Conselho Fiscal da Primeira Igreja Batista do Sétimo Dia em São Paulo/SP.

   A PIB7 São Paulo (IBSD Cidade Patriarca), semelhantemente, tem uma página no Facebook e outra no Instagram, bem como um canal no Youtube por onde transmite seus cultos. Invariavelmente, há pessoas que buscam um contato, seja para pedir oração, ajuda filantrópica, estudo bíblico, literatura e outros esclarecimentos sobre nossa história e doutrina. A secretária e o Departamento de Comunicação, juntamente com os Pastores, prestam os atendimentos necessários. E o alcance dessas redes sociais é tão abrangente que se constatam vários casos de irmãos que hoje frequentam a igreja em virtude dessa interação midiática.

   Dessa maneira, fica fácil observar que a secretaria não é apenas uma função, mas sim um ministério que Deus concede aos Seus filhos. Porque não é apenas escrever, mas é deixar um registro de forma clara para não gerar dúvidas no futuro sobre aquilo que foi decidido. É Deus que dá a sabedoria e o discernimento de como registrar cada ação. Como está escrito no livro de Tiago, cap. 1, v.17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.”

   Em suma, ao servir neste ministério é fundamental lembrar que qualquer coisa que façamos, não fazemos para homens, mas sim, para Deus. Essa, aliás, é a exortação bíblica: “Tudo o que fi zerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para as pessoas, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo.” (Colossenses 3:23 24).

 

APLICAÇÃO

   Como visto até aqui, a secretaria é uma função indispensável na Igreja, independentemente do seu tamanho e do número de membros, como também se o templo é próprio ou não. Nesse cenário, é oportuno lembrar que na live transmitida em 25 de julho de 2020 pela página do Facebook e pelo canal do Youtube da CBSDB — sobre o lançamento do livro “O Manifesto: um preâmbulo da história dos Batistas do Sétimo Dia no Brasil”37, escrito pelo Pastor e Professor André Garcia Ferreira e pelo Professor Juliano Mainardes Waiga — os autores disseram que tiveram dificuldades para escrever o livro devido à falta ou perda de registros das Igrejas pioneiras no Brasil. É do conhecimento de todos que o ser humano se depara com algumas perguntas que, à luz da Filosofia, são classificadas como existenciais. Estas são: De onde eu vim? Por que eu existo? Para que eu estou aqui? Para onde eu vou? Ora, no que se refere à Igreja e à vida de seus membros, o ministério da secretaria ajuda a responder pelo menos a primeira, porque através dos seus registros a Igreja sabe como ela começou e isso facilita na definição do que fazer no presente e no futuro.

 

CONCLUSÃO

   A Bíblia relata vários escrivães e cronistas. Eles eram pessoas confiáveis e estavam sempre junto da liderança, tanto política quanto religiosa de sua época, pois eles participavam das reuniões e das decisões, fazendo os registros. Em outras palavras, escrevendo as atas. Se observarmos a história da Igreja, houve vários secretários importantes, muitos dos quais ignoramos os seus nomes, que escreveram documentos também importantes para o Cristianismo hoje.

   Certamente, esse assunto não se esgota aqui. Mas, com isso, pretendemos contribuir para que nossas Igrejas sejam mais adequadamente organizadas e estruturadas, de modo a atender o ideal de Deus. Estamos convencidos de que o Senhor elegeu a Sua Igreja para ser “cabeça e não cauda” (Confira-se Deuteronômio 28:13).

   Por último, cumpre lembrar que a função de secretário(a) não exige uma ordenação especial, tal como a do Pastor, a do Presbítero, a do Diácono ou a da Diaconisa. Entretanto, dele(a) se requer o mesmo grau de comprometimento e fidelidade. Nos dias de hoje, os secretários das Igrejas locais são de elevada importância, seja para a história do Cristianismo em geral, seja para edificação do Corpo de Cristo.

   Deus nos abençoe!

 

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASS

 

1. Quais são os requisitos para ser secretário de diretoria? 

R.

2. Qual a importância de se ter Estatuto Social, Regimento Interno, Constituição e atas nas Igrejas locais?

R.

3. Qual o legado que os escrivães e cronistas do passado deixaram para nós hoje?

R.

4. Como a secretaria auxilia a liderança e os demais membros da Igreja?

R.

5. Qual, na sua opinião, é a relevância da secretaria no “dia a dia” da Igreja?

R.

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