E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.    

1 Coríntios 6:11 

INTRODUÇÃO

A tarefa de tratar sobre o Espírito Santo constituiu-se, ao longo da história da Igreja, um desafio, e, ainda hoje, continua sendo um desafio a ser enfrentado, a despeito de toda a doutrina e estudos sobre esse assunto. Entre as maiores dificuldades estão explicar a personalidade e a divindade do Espírito Santo. Tais atributos tornam-se difíceis de analisar, pois encontra-se uma barreira a ser vencida, qual seja: expressar em forma relativa, por meio da linguagem, o que é absoluto e que está além da compreensão humana. Para enfrentar tal desafio, a Igreja formou uma doutrina básica, a partir das experiências relatadas e reveladas no texto bíblico.

A despeito das dificuldades, é fundamental considerar uma racionalidade básica para não se incorrer em um subjetivismo, que se configure em incompreensão e contradição com a mensagem bíblica. Neste sentido, não há como discorrer sobre o tema da divindade do Espírito Santo sem o fundamental e imprescindível amparo bíblico. Afinal, como falar do Absoluto senão por meio da Sua revelação especial no Texto Sagrado? A revelação é a forma como Deus se mostra para o homem tanto pelas obras criadas como, de modo especial, pela Escritura e por Jesus Cristo. Assim, toda a caminhada nesse tema será estritamente amparada nos textos bíblicos, que apontam e revelam expressamente a divindade do Espírito Santo.

A DIVINDADE PROVADA PELOS ATRIBUTOS

Ao se examinar as Escrituras, pode-se ver que há um ensino claro e enfático da divindade do Espírito Santo. Por divindade do Espírito Santo, pode-se compreender a sua união na Trindade Divina. O Espírito Santo é um com Deus, pois faz parte da divindade, sendo co-eterno, co-igual, existindo consubstancialmente com Deus-Pai e Deus-Filho. Pode-se notar que todos os atributos de Deus são também referidos ao Espírito Santo, de forma livre e direta.

 

A ETERNIDADE

A Eternidade é atribuída ao Espírito Santo em referência à sua obra junto à redenção em Cristo, como na carta aos Hebreus 9:14: “...muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus 9:14). No mesmo sentido, o Espírito Santo é o doador da vida eterna, conforme vemos no texto da carta aos Gálatas. “Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gálatas 6:8).

Em sentido condenatório, pode-se ver, no texto do Evangelho de Marcos, que o Nosso Senhor Jesus Cristo atribui ao Espírito Santo divindade, ao dizer que o pecado contra Ele teria como consequência a condenação eterna. “Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Marcos 3:29). Há inúmeras passagens do Antigo Testamento que tratam o Espirito Santo como o Espírito de Deus, o Espírito do Eterno, o Espírito de Yahweh, etc. Essas formas de nominar e tratar o Espírito Santo deixam claro que o Espírito é um com Deus e é eterno.

 

A ONIPRESENÇA

Quando falamos na onipresença, temos que deixar claro que esse atributo aponta para o fato de não haver espaço/lugar onde Deus não possa estar. Ele está em todo lugar e sempre presente. A presença de Deus é plena, perene e mantenedora do universo. Do mesmo modo, ao Espírito Santo também é atribuída a onipresença, conforme o texto do Salmos 139 nos versos 7 a 10. “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Salmos 139:7-10).

 

A ONISCIÊNCIA

A palavra onisciente é formada do prefixo de origem latina oni(omni), que significa todo, mais a palavra ciente(sciente), aquele que tem ciência de todas as coisas, que tem pleno e total conhecimento de tudo do passado, do presente e do futuro. Não há saber que não seja conhecido. Esse é, portanto, um atributo que só pode ser imputado a Deus, o Eterno e Absoluto. Tal atributo também é imputado ao Espírito Santo, como se pode verificar no texto de 1 Coríntios 2:10-11. “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:10-11).

 

A ONIPOTÊNCIA

A palavra onipotente é formada do prefixo de origem latina oni(omni), que significa todo, mais a palavra potente(potens), aquele que é todo-poderoso. Com poder ilimitado e independente de qualquer outra força, poder ou ser. Nesse sentido, esse poder ilimitado é também um poder sobre todas as coisas existentes. Deus é ontologicamente onipotente, significando que a Sua existência é poder e Ele é poder manifesto sobre o universo criado. Não é apenas uma possibilidade e uso de poder, mas um poder que é atuante de forma plena e eterna. O Espírito Santo, o Espírito de Deus, é onipotente, conforme a Palavra de Deus em Lucas 1:35 relatando a “encarnação” do Verbo, na concepção de Jesus Cristo.

E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35). Do mesmo modo, temos o seguinte verso, declarado por Nosso Senhor Jesus Cristo. “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo; e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos dos Apóstolos 1:8,9 - ARA).

Deve-se notar que todo o poder pertence a Deus. Dessa maneira, nas duas passagens acima, a doação do poder pelo Espírito identifica-O e qualifica-O como divino, pois só Deus poderia doar poder de vida. Todo o poder emana d´Aquele que é onipotente. O que não significa que a pessoa que recebe o poder se torne onipotente, mas recebe vida e virtude para testemunhar. Por fim, deve-se salientar que o Espírito Santo é identificado com Deus em, pelo menos, duas passagens no Novo Testamento, sendo chamado de “Deus” e “Senhor”.

Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos dos Apóstolos 5:3-4 - ACF). “Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará. Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Coríntios 3:16-18 - ACF). Assim, pelos atributos do Espírito Santo, apresentados na Bíblia, fica claro que o Espirito Santo é Divino, sendo co-eterno, co-igual e consubstancial na Trindade.

 

A DIVINDADE PROVADA POR MEIO

DAS SUAS OBRAS

Em se tratando das obras do Espírito Santo que estão ligadas com o agir de Deus-Pai e Deus-Filho, é de suma importância que se entenda que não há individualidade de atuação, como se uma das pessoas da Trindade Divina pudesse atuar sozinha. Em nenhum texto há atuação isolada, mas prevalência de uma das pessoas nos atos com todas envolvidas sempre. Assim, o Espírito Santo está eternamente em ação na divindade, em total harmonia e atuação com o Pai e com o Filho.

 

O ESPIRITO SANTO É CRIADOR E DOADOR DA VIDA – ATUA NA CRIAÇÃO E PRESERVAÇÃO DA VIDA.

Falar da participação do Espírito Santo na criação é identificar a sua ação específica junto à atuação do Pai e do Filho7. As obras são indivisas, pois atuam juntos o Pai, o Filho e o Espírito Santo, contudo as ações são particulares. As pessoas da Trindade Divina são distintas, mas sem divisão em essência, pois têm a mesma essência divina. Como compreender tal afirmação? A única forma é reconhecer, na Bíblia, as indicações de atuação de cada uma das pessoas da Trindade em harmonia entre elas, verificando a unidade de essência, a ação conjunta e a diversidade de atuação. Pode-se pensar da seguinte forma, citando Horton (2018,p.36): “ Na narrativa bíblica...Encontra-se o Pai como a origem da criação, o Filho como o mediador e o Espírito Santo como quem leva toda a obra à conclusão”.

Duas passagens do livro de Jó revelam bem a atuação do Espírito Santo na criação e como doador da vida “Marcou um limite sobre a superfície das águas em redor, até aos confins da luz e das trevas. As colunas do céu tremem, e se espantam da sua ameaça. Com a sua força fende o mar, e com o seu entendimento abate a soberba. Pelo seu Espírito ornou os céus; a sua mão formou a serpente veloz. Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele! Quem, pois, entenderia o trovão do seu poder?” Jó 26:10-14 (NVI)

“O ESPÍRITO DE DEUS ME FEZ; E O SOPRO DO TODO-PODEROSO ME DÁ VIDA.” JÓ 33:4 (ARA)

Como doador ou transmissor da vida, temos passagens, também no Novo Testamento, onde são registradas a atuação do Espírito Santo como transmissor da vida. “E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vocês” Romanos 8:11 - NVI). No mesmo sentido, temos no evangelho de João: “O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida.” João 6:63 (NVI). Desse modo, podemos ver que o Espírito Santo é autor, juntamente com o Pai e o Filho, da vida física e da espiritual.

 

NA RESTAURAÇÃO E PRESERVAÇÃO DA OBRA CRIADA.

Desde o relato de Gênesis 1 vemos que há a atuação das pessoas da Trindade Divina. A ordem de desenvolvimento a partir do estado de caos original, sua ordenação e manutenção deram-se pela atuação, também, do Espírito Santo, conforme podemos verificar nos textos abaixo8. “Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Disse Deus: “Haja luz”, e houve luz.” (Gênesis 1:2,3 - NVI). “Quando escondes o rosto, entram em pânico; quando lhes retiras o fôlego, morrem e voltam ao pó. Quando sopras o teu fôlego, eles são criados, e renovas a face da terra. Perdure para sempre a glória do Senhor! Alegre-se o Senhor em seus feitos!” (Salmos 104:29-31). Como podemos atestar dos versos acima, o Espírito Santo é o doador da vida, criador e agente da preservação do universo material criado9 juntamente com o Pai e o Filho.

 

NA SUA ATUAÇÃO NO HOMEM

No tocante à atuação na humanidade, o Espírito Santo se constitui como a força dinamizadora que, agindo no ser humano, leva-o a ter conhecimento de diferentes dimensões da vida e das relações humanas. A alteridade, o autoconhecimento e a atuação do homem no mundo são os primeiros resultados da ação do Espírito Santo. Nesse sentido, tem-se que o Espírito Santo promove, no processo de autoconhecimento, a necessidade do ser humano reconhecer suas limitações, confrontar as doutrinações e influências das estruturas institucionais em que está inserido, bem como da sua condição espiritual. Esse processo se dá pelo convencimento “do pecado, da justiça e do juízo”, conforme descrito nas Escrituras.

 

REGENERA E SALVA

Quanto aos salvos, começando pela regeneração, passando pelo arrependimento, pela justificação, pela santificação até a glorificação, essa é a obra do Espírito de Deus. A obra primeira do Espírito Santo, para todos os que serão salvos, é a obra de regeneração (Jo.3:3-6), conforme está escrito: “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (...) O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. Essa foi a maneira que o Nosso Senhor Jesus Cristo tratou com Nicodemos. Ele disse: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (v.5). A partir da regeneração, desenvolvem-se as demais obras que compõem a salvação do homem.

Ainda no mesmo Evangelho é dito que todos os que receberam a Cristo só o fizeram por terem nascido de Deus, como está em Jo.1:12,13. Nem a etnia, nem a vontade do homem podem produzir um novo nascimento. A obra é atribuída tão-somente a Deus, conforme podemos verificar nas seguintes passagens: João 3:6; Efésios 2:1-5; João 6:63; Romanos 8:9-10; Tito 3:4-6.

Mais uma vez, deve-se ter em mente que toda a Trindade Divina está envolvida na obra de regeneração. Começando pela bondade e amor do Pai João 3:16 e Efésios 1:3-6, sendo sua obra de graça e amor. Em Cristo, o Filho, nosso Salvador que a toma para todos os pecadores, conforme Efésios 1:6. Finalizando com o “lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” nas almas, como está em Tito 3:4-612. Assim, o Espírito Santo é a pessoa da Trindade que primeiro entra em contato com todos os que irão crer e ser salvos, aproximando-os ao Pai por adoção no Filho.

 

HABITA NO CRENTE

Após a regeneração e salvação, o Espírito Santo passa a habitar na vida do cristão. A despeito do grau de imaturidade ou fragilidade espiritual que a pessoa possa ainda ter, o Espírito Santo faz morada e continua Sua obra de tratar o crente. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (1 Coríntios 6:19 - ACF). “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9 - ACF).

 

INCLUI NO CORPO DE CRISTO

A Igreja, na sua constituição, teve como força criadora/iniciadora o Espírito Santo. Não obstante Jesus Cristo ter soprado o Espírito sobre os discípulos (João 20:21-22), temos que a grande assembleia em Jerusalém, relatada no livro de Atos no capítulo 2, marca o início da Igreja. Deve-se salientar que a manifestação do Espírito Santo na Igreja, relatada nas Escrituras, apresenta duas dimensões: uma coletiva e outra individual. Na manifestação coletiva o Espírito une e preserva a Igreja. Na manifestação individual ele inclui no Corpo de Cristo, que é a Igreja, conforme se pode verificar nos textos abaixo:

Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” 1 Coríntios 12:12-13 - AFC). “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos dos Apóstolos 1:8).

Assim, antes de qualquer discussão sobre formalismos e denominações, é crucial que se entenda o que é Igreja. Deve-se, pois, compreender que esta é, mais do que uma organização religiosa, um corpo espiritual formado por pessoas que são renascidas em Cristo, pela ação do Espírito Santo. Como se pode verificar no texto da carta aos Efésios. “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.” (Efésios 4:1-6 - ACF).

Desse modo, pode-se afirmar, com base no relato Bíblico, que a atuação do Espírito Santo é de iniciador da obra de salvação e inclusão no corpo de Cristo e é, também, Aquele que “sela”, “liberta”, “guia”, “ensina”, “inspira” e “capacita para toda boa obra (Efésios 1:13-14; 4:30; Romanos 8:2-14; 1 Tessalonicenses 1:5). Não menos importante, é o fato de ser, o Espírito Santo, Aquele que produz o Fruto das Graças Cristãs, o Fruto do Espírito, conforme explícito na carta aos Gálatas, capítulo 5 e verso 22. Sendo, assim, responsável por forjar o caráter de Cristo na vida de todo aquele que pertence a Cristo e faz parte do Corpo, os salvos em Cristo. “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gálatas 5:22).

 

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO EM RELAÇÃO À PESSOA DE JESUS CRISTO.

No tocante à obra do Espírito Santo em relação a Jesus Cristo, devemos atentar para o fato de que, desde a sua concepção (Lucas 1:5), na encarnação do Verbo Divino – Deus-Filho, na unção (Atos dos Apóstolos 10:38; Lucas 4:18-19; Lucas 4:14), até a sua ressureição (Romanos 8:11) e glorificação – ascensão para a Destra do Pai, o Espírito esteve atuando. Quando o Nosso Senhor Jesus Cristo, no seu discurso final, declara que devia ser glorificado pelo Espírito, conforme está escrito em João 16:14 Ele está reafirmando o poder e a atuação do Espírito de Deus em toda Sua vida. O Espírito Santo foi o responsável por unir o Filho à nossa humanidade para que pudesse pagar pelos nossos pecados, também O ressuscitou dos mortos e O glorificou com a glória que tinha antes da fundação do mundo, conforme podemos ver em João 17:22-24.

 

PROVADA PELO MESMO GRAU DE

AUTORIDADE NA TRINDADE

A prova que o Espírito Santo tem o mesmo grau de autoridade que o Pai e o Filho, na Trindade, é demonstrada em todas as passagens em que atuam o Filho e o Pai. Como já foi dito ao longo desse estudo, as obras da Trindade são indivisas e não há hierarquia, pois as Pessoas da Trindade possuem a mesma essência. Assim, na grande comissão, em Mateus 28:18-20, tem-se que: “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:18-20).

Na mesma linha de autoridade, temos a atuação da Trindade na preservação e administração da Igreja, conforme os textos da Carta aos Coríntios e aos Efésios: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” 1 Coríntios 12:4-6. “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.” (Efésios 4:1-6 - ACF). E, por fim, na bênção apostólica, conforme está em 2 Coríntios 13:13 que diz: “A Graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós”.

 

CONCLUSÃO

Quando se examina as Escrituras, vê-se que o Espírito Santo é o consolador, vivificador, inspirador daqueles que O recebem. A relação do Espírito Santo com o Pai e com o Filho dá-se no sentido de harmonia e coparticipação na criação, no plano de Deus em Cristo e no homem em sua ligação com Deus. O Espírito Santo é, portanto, após a ressurreição, Deus presente e próximo da vida humana. Desse modo, diante do que está expresso na Bíblia, pode-se afirmar que “O Espírito Santo é Deus que, em Seu amor, age no mundo”. “...muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus 9:14).

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

  1. Como podemos verificar e comprovar a Divindade do Espírito Santo?
R.
 
  1. Como o Espírito Santo atua na salvação e vida eterna para o homem caído?
R.
 
  1. Como se dá a relação das pessoas da Trindade Divina nas ações no mundo, na Igreja e na humanidade?
R.

 

1 Bancroft, E.H., D.D. in Teologia Elementar, editora EBR, São Paulo, 2001, pp. 183 e 184.

2 Relativamente à etimologia, a palavra onipresente é formada omni (que significa tudo ou todo) e praesentia (significa presença). Assim, presente em todo lugar. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, Champlin, R. R.; Bentes, J.M., vol. 4, p. 597, Editora Candeia – S. Paulo, 1995.

3 Champlin, R. R.; Bentes, op. Cit., p. 598.

4 Idem, p. 595.

5 Esse é um princípio consagrado na história da Igreja chamado Opera trinitatis ad extra indivisa sunt (as obras da Trindade são indivisas). HORTON, Michael – Redescobrindo o Espirito Santo, 1ª edição, Editora Vida Nova, São Paulo-2018, p. 30.

6 HORTON, Michael – Redescobrindo o Espirito Santo, 1ª edição, Editora Vida Nova, São Paulo-2018, p. 29.

7 Horton. Michael, op. Cit. P.35.

8 Bancroft, E.H., D.D. op. Cit. pp. 192 e 193.

9 Bancroft, E.H., D.D. op. Cit. p. 193.

10 B.N de Moura, Luciano – A ação do Espirito Santo – abordagem antropológica - Teologia Sistemática e Ecumenismo – Universidade Metodista, 2018 (adaptado).

11 Jornal Os Puritanos – Ano X – No 04 – Out./Nov./Dez./2002 (Extraído do Livro “O Espírito Santo”, do teólogo puritano John Owen (O Príncipe dos Puritanos), publicado pela Banner Of Truth, cap 8, pg 43-51. Adaptado das suas obras para uma linguagem contemporânea por R.J.K. Law.) – www.monergismo.com.

12 Idem.

13 Kuyper, Abraham, A obra do Espírito Santo, São Paulo, Cultura Cristã, 2010, pp. 32 2 33.

14 Bancroft, E.H., D.D. op. Cit. p. 198.

15 Idem.

16 Bancroft, E.H., D.D. op. Cit. pp. 200-202.

17 Horton. Michael, op. Cit. P.281.

18 Renders, Helmut – Guia de Estudos – Teologia Sistemática, Universidade Metodista, 2018, pp. 39-40.

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