Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.    

Mateus 20:16 

Alguma vez você já recebeu por seu trabalho menos do que era justo? Como se sentiu? Assim também devem ter se sentido os trabalhadores da parábola que Jesus nos contou em Mateus 20:1-16. Mas longe de defender qualquer tipo de injustiça social, diversos comentaristas bíblicos expõem os profundos significados espirituais por trás dessa história. Para Hultgren, a parábola trata sobre o perdão e a graça extraordinários de Deus; para Jülicher, é uma explicação sucinta sobre o Evangelho; para Montefiore, é uma das parábolas mais valiosas; e Fuchs e Jüngel a consideram o clímax de Mateus.1 A maior mensagem do texto bíblico é que não devemos servir ao Senhor com a finalidade de receber recompensas, nem insistir em saber o que receberemos. Deus é infinitamente generoso e bondoso para nos conceder muito mais do que merecemos. Analisemos agora a parábola e as lições que ela nos ensina.

 

A PARÁBOLA

No texto que é o objeto de estudo de hoje, Jesus contou a história de um fazendeiro, proprietário de uma vinha, que vai em busca de pessoas para trabalharem em sua propriedade. Podemos imaginar que essa história aconteceria no mês de setembro, quando se dava a colheita das uvas em Israel.2 Na época da colheita, era necessário ampliar o número de empregados contratados (Mateus 9:37-38). Os homens que procuravam trabalho esperavam na praça da cidade. O expediente diário era de aproximadamente doze horas – do nascer ao pôr-do-sol (Salmos 104:22-23). A obra judaica chamada Tosefta continha instruções específicas para o pagamento proporcional ao trabalho realizado, caso um trabalhador tivesse uma jornada de tempo parcial durante o dia.3 O proprietário encontrou alguns homens de madrugada e os contratou para o dia de trabalho por um denário. O denário era uma moeda de prata que pesava cerca de 3,5 gramas, sendo uma medida monetária muito comum no império romano durante quatro séculos.4

Saiu novamente às 9 horas da manhã e tendo encontrado alguns homens desocupados na praça da cidade também os contratou para aquele dia de trabalho. Repetiu o mesmo procedimento ao meio dia, às três horas da tarde e às cinco horas da tarde (quando só faltava uma hora para encerrar o expediente). Não há indicação de que tais homens fossem preguiçosos, apenas que não haviam conseguido trabalho durante aquele dia. Com exceção dos primeiros contratados, os demais não acertaram um salário determinado, mas deixaram ao critério daquele que estava lhes contratando.

Ao final do dia, o dono da vinha pediu ao seu administrador que acertasse as contas com os trabalhadores. Isso estava de acordo com a lei judaica: “Não se aproveitem do pobre e necessitado, seja ele um irmão israelita ou um estrangeiro que viva numa das suas cidades. Paguem-lhe o seu salário diariamente, antes do pôr-do-sol, pois ele é necessitado e depende disso.” (Deuteronômio 24:14-15). O administrador assim o fez, começando por aqueles que haviam sido chamados por último. Estes receberam um denário como salário, o que levou aqueles que haviam começado a trabalhar desde cedo a pensar que receberiam uma retribuição maior. Ao perceber que haviam recebido a mesma quantia que aqueles que trabalharam por apenas uma hora, indignaram-se contra o dono da vinha. “Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia.” (Mateus 20:12)

O proprietário respondeu que não estava lhes enganando, nem fazendo injustiça alguma, pois havia concedido exatamente o que estava combinado. Era seu direito fazer o que bem entendesse com o seu dinheiro. Foi sua bondade e generosidade que o levou a dar a mesma quantia a todos, independentemente da hora que houvessem chegado ao serviço. O empregador demonstrou a falsidade dos empregados desapontados. Enquanto ele demonstrara bondade e gentileza, eles demonstraram inveja e avareza.5 E Jesus conclui a parábola com a lição: “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos [porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos].” (Mateus 20:16)

 

O QUE A PARÁBOLA ENSINA?

Diversos significados já foram dados a essa parábola. Para alguns intérpretes bíblicos, os primeiros trabalhadores contratados eram um símbolo da nação de Israel. Foi aos descendentes de Abraão que Deus estendera Sua aliança, com promessas e mandamentos (o “contrato” da parábola; confira Romanos 3:1-2; 9:4). Aqueles que não possuíam um contrato com o dono da vinha e chegaram por último eram um símbolo dos gentios, a quem Deus também estenderia Sua graça e salvação.

“Portanto, lembrem-se de que anteriormente vocês eram gentios por nascimento e chamados incircuncisão pelos que se chamam circuncisão, feita no corpo por mãos humanas, e que naquela época vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo.” (Efésios 2:11-13)

Os judeus pensavam que por causa da antiga aliança de Deus com o patriarca Abraão, eram superiores aos demais povos. Jamais poderiam admitir que no plano de Deus os gentios pudessem desfrutar os mesmos privilégios a eles concedidos. Mas desde o princípio era exatamente esse o plano de Deus! Por meio de Isaías, o Senhor declarou que “é coisa pequena demais para você [Jesus, o Messias] ser meu servo para restaurar as tribos de Jacó e trazer de volta aqueles de Israel que eu guardei. Também farei de você uma luz para os gentios, para que você leve a minha salvação até aos confins da terra.” (Isaías 49:6) Agora, por meio da obra de Cristo, nós (os gentios) somos “coerdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus.” (Efésios 3:6 NVI). Outros acreditam que a parábola dos trabalhadores da vinha está relacionada à pergunta do apóstolo Pedro em Mateus 19:27: “Veja! Nós deixamos tudo e seguimos o senhor. O que é que nós vamos ganhar?”

Na verdade, os discípulos teriam até mesmo tronos no estabelecimento do reino de Cristo. Receberiam cem vezes mais tudo que tivessem renunciado por amor a Ele (19:28-30). Em outras palavras, não estavam fazendo um sacrifício, mas sim um investimento.6 Mas agora, Jesus decide corrigir o egocentrismo e o espírito barganhador de Pedro. O Senhor não avalia o trabalho do homem da mesma forma que nós o fazemos.7 Os primeiros trabalhadores são um símbolo daqueles que reclamam preferência sobre os demais. Esforçam-se na obra visando apenas o seu engrandecimento pessoal. Pensam mais na recompensa do que no privilégio de servir a Cristo. Por seus sacrifícios, acreditam que deveriam receber maior honra que os outros. Se seu trabalho tivesse sido feito com amor e confiança, continuariam a ser os “primeiros”, mas seu espírito de ambição e exaltação própria os levam para o “fim” da lista. A bondade de Deus lhes leva a murmurarem. Tais pessoas fecham seu coração para entender a graça.

Muitos que se destacam entre os cristãos, e a quem muitas vezes consideramos pessoas altamente valorizadas por Deus, serão colocadas no “final da lista” daqueles que servem a Cristo; enquanto servos humildes, que não chamaram a atenção para si e foram pouco reconhecidos pelos outros, estarão no “alto” da lista. Nossa prioridade deve ser o serviço na obra do Senhor, e não a recompensa. “Pois, quem torna você diferente de qualquer outra pessoa? O que você tem que não tenha recebido? E se o recebeu, por que se orgulha, como se assim não fosse?” (1 Cor 4:7). Quando o Espírito Santo de Deus habita em nossa alma e transforma o nosso coração, não somos conduzidos pelo pensamento de recompensa. Servir a Cristo e compartilhar o Seu amor para com aqueles que não O conhecem brota naturalmente de nosso ser. Desejamos compartilhar quão grandes coisas fez em nosso favor. É o amor de Cristo que nos constrange (2 Cor 5:14). Conforme bem expressou Charles H. Spurgeon, “todo cristão ou é um missionário ou é um impostor”.

E para outros intérpretes ainda, essa parábola, mais um retrato que Cristo faz aos seus discípulos sobre o “Reino dos Céus” (v. 1), tem como foco a maravilhosa graça de Deus. Nenhum dos trabalhadores estava empregado quando foi chamado pelo dono da vinha para aquele emprego. Ser contratado para aquele dia de trabalho não foi resultado de esforço ou obra própria; eles não haviam feito absolutamente nada para receberem aquele convite. Antes, ninguém havia olhado por eles: “...ninguém nos contratou.” (v. 7) O emprego foi conseguido apenas pela boa vontade do dono da propriedade. Cristo estava ilustrando o amor imerecido que Deus estende a todos os seres humanos. No Reino de Deus, a graça é concedida por causa da natureza do doador, e não por causa de algum merecimento do recebedor. Não merecíamos mais do que a condenação, mas essa foi totalmente colocada sobre Jesus, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16).

Nos negócios desse mundo, a remuneração ocorre de acordo com o trabalho executado. O trabalhador espera que seja recompensado de acordo com aquilo que realizou para o seu patrão. Mas o reino de Cristo não é desse mundo; é o “reino dos céus”.

“Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.” (Romanos 4:4-7)

“...não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” (Tito 3:5)

Aqueles trabalhadores que chegaram à undécima hora devem ter se jubilado imensamente! Jamais esqueceriam a generosa recompensa que lhes fora entregue. Com o pecador salvo ocorre o mesmo: enche-se de alegria por ter sido aceito por Deus, com base no sangue de Jesus. Sente-se grato pela salvação que por si só, jamais seria capaz de alcançar. Todas essas possibilidades de respostas sobre o significado da parábola não se excluem entre si, e possivelmente, encontramos a combinação delas no texto.

 

O QUE ESSA PARÁBOLa Não ENSINA?

É importante apontarmos duas lições que não devem ser extraídas dessa parábola. Primeiramente, a parábola não ensina que no reino de Deus não haverá diferentes recompensas pelos serviços do cristão. O fato de todos receberem o mesmo salário, independentemente de suas horas de trabalho, era uma ilustração de que a graça de Deus na salvação do homem não leva em conta o quanto tenhamos trabalhado ou nos esforçado. O ensino de diferentes recompensas para os cristãos, de acordo com o seu trabalho para a obra do Senhor, é percebido em diversos locais das Escrituras.

“E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.” (Apocalipse 22:12)

“O que planta e o que rega têm um só propósito, e cada um será recompensado de acordo com o seu próprio trabalho.” (1 Cor 3:8)

“Portanto, não julguem ninguém antes da hora; esperem o julgamento final, quando o Senhor vier. Ele trará para a luz os segredos escondidos no escuro e mostrará as intenções que estão no coração das pessoas. Então cada um receberá de Deus os elogios que merece.” (1 Cor 4:5 NTLH)

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” (2 Timóteo 4:8)

“Se alguém constrói sobre esse alicerce, usando ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, sua obra será mostrada, porque o Dia a trará à luz; pois será revelada pelo fogo, que provará a qualidade da obra de cada um. Se o que alguém construiu permanecer, esse receberá recompensa. Se o que alguém construiu se queimar, esse sofrerá prejuízo; contudo, será salvo como alguém que escapa através do fogo.” (1 Cor 3:12-15)

Mas, poderia alguém questionar, se a salvação é pela graça e não por nossas obras, como poderiam haver diferentes recompensas para os cristãos? Precisamos entender que todas as coisas que o cristão recebe, as recebe pela graça de Deus, que nos alcança por meio de Jesus. Nada é dado a nós por causa de algum mérito. Mesmo que obedecêssemos perfeitamente a Deus, ainda assim seriamos “servos inúteis”, pois estaríamos fazendo apenas a nossa obrigação (Lucas 17:10).

Quando então Deus oferece recompensas ou galardões aos crentes, Ele está apenas acrescentando “graça sobre graça” (João 1:16), recompensando os trabalhos que foram operados pelo próprio Espírito Santo por meio deles (João 15:1-17). Nas palavras dos teólogos Norman Geisler e Thomas Howe, “na parábola de Mateus 20 a questão não é que todos os galardões serão o mesmo, mas que todas as recompensas são pela graça. É para mostrar que Deus recompensa com base na oportunidade, não simplesmente de acordo com a realização. Nem todos os servos tiveram igual oportunidade para trabalhar para o senhor o mesmo número de horas; entretanto, todos receberam o mesmo pagamento. Deus olha para a nossa disposição assim como para as nossas ações, e nos julga segundo esses dois aspectos.”8

Em segundo lugar, não devemos concluir da parábola que podemos adiar nosso compromisso com Cristo. De fato, Deus é tão amoroso que aceita aqueles que chegam até Ele de “manhã cedo” ou no “fim do dia”. Há pessoas que dizem: “já que Deus sempre está disposto a perdoar, vou primeiro aproveitar bastante minha vida, e no final de minha vida irei me converter!” Quanta tolice! E se essa mesma noite Deus pedir a sua alma? Por isso, a advertência clara das Escrituras é: “Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus.” (Amós 4:12). Não sabemos quando nossa vida na Terra chegará ao seu fim, mas sabemos que “aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27). Por isso, ouçamos os avisos que do céu Deus nos envia:

“Assim, como diz o Espírito Santo: ‘Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião, durante o tempo de provação no deserto, onde os seus antepassados me tentaram, pondo-me à prova, apesar de, durante quarenta anos, terem visto o que eu fiz.’” (Hebreus 3:7-9)

 

CONCLUSÃO

A parábola dos trabalhadores na vinha é uma forte repreensão de Deus a todos os cristãos que estão envolvidos de forma intensa em Sua obra, mas nos quais falta o amor pelos irmãos e a humildade diante de Deus. Quem busca a sua própria glória demonstra a ausência da graça que poderia torná-lo eficiente no serviço de Cristo. Não é a intensidade e a duração de nosso esforço que nos recomenda a Deus, mas a motivação e a fidelidade de nosso trabalho.

É possível trabalhar para Deus e ainda assim não fazer a vontade dEle no coração (Efésios 6:6). Servi-lO apenas para receber benefícios, sejam temporais ou eternos, é perder as melhores bênçãos que Ele tem para nós. Sempre que um servo vive queixoso significa que não está inteiramente submisso à vontade do mestre. Examinemos a nós mesmos!

A graça de Deus é suficiente e livre para todo aquele que se aproxima dEle pela fé. Que, juntamente com todos os que se tornam recipientes da graça divina, proclamemos com o salmista: “Rendei graças ao SENHOR, porque Ele é bom, e sua misericórdia dura para sempre.” (SI 107:1)

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

1 - Explique o contexto histórico agrícola que serve de fundamento à parábola estudada.

R._________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

2 - Por que os primeiros trabalhadores se sentiram injustiçados? Eles realmente o foram?

R._________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

3 - O estudo apresenta três possíveis significados para a parábola. Quais são eles?

R._________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

4 - Podemos concluir da parábola que todos receberão os mesmos galardões no Reino dos Céus?

R._________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

5 - Reflita sobre sua vida espiritual. Quais têm sido as suas motivações para servir ao Senhor?

R._________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

1 SNODGRASS, Klyne. Compreendendo Todas as Parábolas de Jesus. Guia Completo. Rio de Janeiro. CPAD, 2010, p. 510.

2 KISTEMAKER, Simon J. As Parábolas de Jesus. São Paulo. Casa Editora Presbiteriana, 1992, p. 95.

3 SNODGRASS, Klyne. 2010. p. 521.

4 RADMACHER, Earl D.; ALLEN, Ronald B; HOUSE, Wayne H. O Novo Comentário Bíblico: Novo Testamento com Recursos Adicionais. Rio de Janeiro. Central Gospel, 2010, p. 59.

 

5 KISTEMAKER, Simon J. 1992, p. 99.

6 WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento, volume 1. Santo André. Geográfica Editora, 2007, p. 96.

7 UNGER, Merril Frederick. Manual Bíblico Unger. São Paulo. Vida Nova, 2011, p. 386.

8 GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual de Dificuldades Bíblicas. São Paulo. Mundo Cristão, 2015, p. 287.

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