Texto de Estudo

Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.

Atos dos Apóstolos 1:8

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos o poder transformador do Evangelho de Cristo. Tal poder pode transformar, libertar, restaurar e religar o homem a seu Criador, por meio das Sagradas Escrituras.

É preciso evangelizar! Essa missão traz desafios a cada um de nós, pois o primeiro fator requerido de nós é o amor pela obra de Cristo. Uma igreja bem-sucedida nessa missão é a que se relaciona com as pessoas, que se importa com sua vida espiritual, que sai em busca das almas. É uma igreja que embasa sua estrutura somente nos alicerces da Palavra de Deus e de Sua sã doutrina. Tal igreja vive em um processo contínuo e progressivo nessa tarefa árdua.

Citamos como exemplo o agricultor que trabalha a terra para o plantio da boa semente. Quando planta, é preciso aguardar o processo de germinação. É uma tarefa cheia de desafios; como o agricultor não sabe se a terra é boa até plantar, a Igreja nunca saberá em que terra está lançando a boa semente. Por isso, cabe a ela lançar em toda a terra e esperar que o Espírito Santo faça a transformação (germinação).

 

O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO

“Pelo contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel: Nos últimos dias, diz Deus derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os Seus filhos e as Suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão”. (Atos dos Apóstolos 2:16-18 NVI)

A profecia de Joel concretiza-se no meio do povo de Israel, em especial sobre os discípulos. A ordem de Jesus tinha sido de ficarem em Jerusalém, até que fossem revestidos de poder. Isso acontece no capítulo dois do livro de Atos dos Apóstolos - o derramar do Espírito Santo. Esse foi o ponto de partida para o processo de evangelização: “...em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. Eis o marco zero, o início da Igreja Primitiva.

É vital para o cristão que ele reconheça a importância que o Espírito Santo exerce no plano da redenção. Pois, sem a sua presença, não existiria a Bíblia (2 Pedro 1:21), nem um poder para proclamar o Evangelho; tampouco fé, novo nascimento ou santidade.

Algo sobrenatural e extremamente surpreendente aconteceu; não era mais Deus no céu e o homem na terra - é Deus dentro do homem, na pessoa do Espírito Santo! Ocorre o maior índice de intimidade possível. Quando a Palavra da Verdade é pregada por homens cheios do Espírito Santo, vidas são salvas e transformadas. Passa-se de pecador perdido a filho remido de Deus.

O que os discípulos receberam naquele dia transformou suas vidas. A partir daquele momento, estavam prontos para o “Ide”, para evangelizar, para proclamar o ano aceitável de salvação. Depois de serem cheios do Espírito Santo, eles enfrentaram vários tipos de adversidades, passaram por muitos momentos de escassez, por perseguições, angústias, prisões, dores e até mesmo foram levados à morte (Hebreus 11:36-38). Porém, ainda que diante de tais situações, o anseio de levar ao mundo as boas-novas de Salvação era o que motivava seus corações. Os perdidos sem Deus, presos na idolatria, na religiosidade obstinada, no paganismo, na imoralidade e prostituição; enfim, todos aqueles que se encontravam presos nas garras de Satanás, precisavam ouvir essas boas-novas. Precisavam gozar desse sentimento tão intenso, profundo e sobrenatural, que os discípulos já haviam experimentado - o de ser cheios do Espírito Santo.

Nós, como Igreja do Senhor na terra, temos o compromisso de não parar com a missão. Ela não foi dada só aos discípulos, mas à Igreja de Cristo como um todo. O “Ide” de Jesus é uma ordem geral.

Notoriamente, a despeito do momento que a Igreja vive, em meio a uma série de facilidades para proclamar o Evangelho da Paz, das boas-novas de salvação, por meio da televisão, do rádio, das redes sociais, sua estagnação pode ser interpretada como total descaso à ordem do Mestre. É interessante notar que, muito provavelmente, toda essa facilidade e liberdade atuais trouxe apatia. Por outro lado, no início da Igreja Primitiva, quanto mais havia perseguição, mais a Igreja crescia.

É preciso esclarecer que não é, nunca foi e jamais será, a capacidade do homem que faz a Igreja do Senhor crescer; mas, sim, a autoridade e a unção do Espírito Santo, operando e usando o homem como instrumento. Assim, é necessário que ele seja dependente do Espírito Santo, e isso ocorre mediante uma vida de oração (Colossenses 4:2-3,12), com meditação na Palavra e busca constante por santidade.

É necessário, para que o Evangelho verdadeiro volte a crescer – não essa massa crescente de mentiras e interesses próprios que fazem do Evangelho –, que haja ousadia e intrepidez, como acontecia com os servos de Deus no passado (Atos dos Apóstolos 12:1-7).

Estando a Igreja em oração, todos foram cheios do Espírito Santo (Atos dos Apóstolos 4:31). É esse o segredo para o Evangelho ser propagado com poder a autoridade. O Espírito Santo precisa ser a bússola norteadora da Igreja de Cristo, ser dependente d’Ele é a base do crescimento. Sempre foi.

 

E SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS

“Testemunhar: assistir à realização de um ato para dar-lhe validade legal, relatar o que viu ou ouviu. Testificar, comprovar, atestar, presenciar, manifestar, revelar”

Depois do revestimento do Espírito Santo, os discípulos receberam uma missão. Eles presenciaram o ato da manifestação clara do Espírito Santo. Jesus, então, chama-os parar serem testemunhas e sair anunciando mundo afora.

Essa missão, o chamado para ser testemunha do Senhor, mostrando o Seu amor e a Sua santidade a todos os homens, não foi dada somente aos 12. Seu cumprimento iniciou-se com eles, mas a missão só termina quando Cristo vier recolher Sua Igreja. Dessa forma, devemos continuar a - árdua e incansavelmente - fazer esse trabalho.

Mas, como uma tarefa tão importante, senão a mais importante, foi dada a nós, pecadores? A pergunta realmente é crucial, porquanto tamanha é a responsabilidade de representarmos o Senhor Jesus Cristo, visto que, com o pecado entrando na vida do homem, este se mostra incapaz de realizar tal missão.

É nesse momento que somos impactados com o poder do Evangelho e do derramamento do Espírito Santo, bem como com sua restauração e transformação (Romanos 3:24-26). Cristo nos faz aptos à boa obra de testemunhar. Paulo, o apóstolo, ao declarar que não se envergonhava do Evangelho (Romanos 1:16), revela o poder regenerador do Evangelho que sobreveio à sua vida de modo sublime e poderoso. O perseguidor torna-se perseguido e vira testemunha fundamental de Jesus Cristo. Dedicou, desde então, todos os dias de vida a relatar a respeito de Cristo, sobre seu encontro com Ele e de toda a transformação que acontecera em sua vida. Ao anunciar o tamanho do perdão que recebeu, ao conhecer o amor salvador do Senhor, mostrou que não se envergonhava do Evangelho. E provou isso dia após dia, ao longo de sua trajetória missionária. A vida do apóstolo serviu de testemunho; ele declarou que, pelo Evangelho, revela-se a justiça de Deus (Romanos 1:17), que é, do princípio ao fim, pela fé. Deus, como justo juiz, imparcial, declara justo todo aquele que confessa os pecados, mediante a um genuíno arrependimento, e os deixa. Assim, Ele nos torna aptos a sermos testemunhas em todos os lugares da terra.

Não fomos chamados para mostrar nossa justiça ao mundo; e, sim, a justificação por meio da justiça de Cristo (Gálatas 2:16/ Romanos 5:1-2). Porque, se estamos em Cristo, nova criatura somos (2 Coríntios 5:17). Esse é o testemunho o qual fomos chamados a anunciar.

Conta-se uma história de que um homem, frequentemente, passava pelo mesmo caminho, portanto uma Bíblia em mãos. Com bastante alegria, cantarolava louvores a Deus enquanto caminhava. Certa vez, deparou-se com um jovem sentado e convidou-o a seguir com ele para ouvir do amor de Cristo em sua igreja. Imediatamente aquele jovem respondeu que não podia ir, porque lia um livro e que, ao terminar, iria. Por seguidas vezes isso aconteceu. E a resposta era sempre a mesma: “Estou lendo um livro e, quando terminar, irei”. Por fim, um dia, o homem, já incomodado e constrangido, decidiu perguntar a respeito do livro o qual o outro nunca terminava de ler. Passando no mesmo horário, ele não viu o jovem! De repente o avistou, bem vestido, à sua espera. Ele, então, disse: “Vamos! Estava o esperando para irmos à igreja e ouvir de Jesus”. Espantado, e ao mesmo tempo contente, indagou: “Você terminou de ler o livro?”, e se admirou com a resposta: “Sim; o livro era você!”. 

A vida do cristão é observada diariamente, assim como a maneira a forma como reage às adversidades, às frustrações, às provocações, às lutas e às provações. O cristão é analisado pelo mundo, até mesmo quanto à maneira de superar as perdas, se depois de uma queda vai levantar, erguer a cabeça e prosseguir. Seu comportamento é continuamente observado. Por isso, a orientação do Mestre foi tão enfática: “... e sereis minhas testemunhas”.

Outra orientação que deve seguir junto a anterior é: “sede meus imitadores...”. Dessa forma, não existe o risco de falhar na tarefa de representar Cristo na terra; não há risco em se perder no caminho ao testemunhar a respeito d’Ele e de Seu Evangelho.

 

CAPACITADOS PARA EVANGELIZAR

A missão de Jesus Cristo na terra chega ao fim. Ele ressuscita triunfante e, cheio de glória, volta ao seio do Pai. Mas a obra que inaugurou está apenas no começo; é preciso dar continuidade a ela, e aos apóstolos coube a missão. Eles eram frutos da escolha feita pelo Mestre. O Senhor Jesus mesmo os comissionara. Eis uma árdua tarefa, difícil de ser cumprida.

Quando o Senhor Jesus os escolhe, separa-os e começa, então, a prepará-los por meio de instruções, ensinamentos e exemplos. Leva-os a um patamar superior de conhecimento. Jesus, sendo o melhor dos mestres, dedica Seu tempo a dar àqueles 12 homens o que podemos chamar de capacitação. Isso, depois da ascensão de Cristo, só seria possível com ajuda e orientação do Espírito Santo, para que seguissem com tão importante obra. Esse era um trabalho que teria de ser realizado por pessoas capazes de viver perante o Espírito Santo e sob de Seu poder.

Ao perderem a companhia física de Jesus, os discípulos sentem-se amedrontados, mas recebem a promessa do derramamento do Espírito Santo, cientes de que Ele haveria de voltar ao encontro de todos que O aguardassem.

O derramamento do Espírito Santo acontece, e os discípulos são revestidos de poder, como o Mestre havia prometido. Já revestidos e cheios de esperança, a promessa da volta de Jesus serviu de combustão ao evangelismo. Eles precisavam anunciar, o quanto antes, e para mais pessoas possíveis, a respeito do que viviam. Os discípulos e os que iam conhecendo acerca de Jesus - Sua história e Seus milagres - anunciavam com o mesmo entusiasmo e esperança, ansiosos por Sua volta. Os crentes, indistintamente, trabalhavam com extrema dedicação e afinco na expansão do Reino de Deus, crendo que, assim fazendo, contribuíam para o regresso de Cristo.

A cada dia, o Evangelho crescia e foi uma força libertadora no mundo antigo, desafiando velhas tradições enraizadas no preconceito humano. E essas foram desaparecendo. Desprezo, discriminação e referências degradantes não raro caracterizavam os ensinamentos rabínicos. No livro de Atos, Lucas citou homens e mulheres batizados e perseguidos, que contribuíram para o crescimento da Igreja (Atos dos Apóstolos 5:14; 8:12; 9:2; 17:4,12).

O resultado de todo esse ardor, unanimidade e unidade na Igreja Primitiva, não poderia ser diferente. Os 12, Paulo e todos os que iam conhecendo essa verdade transformadora que o Evangelho traz, saíam anunciando a mensagem do amor do Reino de Deus. A Igreja crescia e fortalecia-se, como está escrito: “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum...Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas e, juntos, participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor acrescentava-lhes, todos os dias, os que iam sendo salvos”. (Atos dos Apóstolos 2:42-44,46,47 NVI).

Eles fizeram com toda a dedicação e amor aquele trabalho de evangelismo, e a Igreja alcançou até os confins da terra, como Cristo havia lhes ordenado. Foram um a um encerrando sua jornada, mas a missão tinha de continuar, porque o fato que colocará fim é a volta do Messias. Então, posteriormente, os que amavam essa obra e o Evangelho seguiram fazendo o mesmo, anunciando a bondade de Deus, Sua salvação e Seu Reino. Foram chamados de pais da Igreja, os manifestantes da reforma, até chegarem a nós.

O Senhor continua nos capacitando por meio do Espírito Santo para esse honroso trabalho. Porque, na verdade, evangelizar é o efeito do que o Evangelho causa em nós, experimentamos novidade de vida, desejamos anunciar, expandir tal alegria a toda a humanidade. Evangelizar não é só uma tarefa, uma missão; é um privilégio, um presente. Como não gritar ao mundo o motivo de sua transformação? O Evangelho, a atuação do Espírito Santo, regenerou, restaurou e trouxe vida a todos nós.

O crescimento ainda acontece; não com o mesmo avanço do passado, pois falsas doutrinas vêm surgindo, deturpando a verdade do Evangelho. Porém, a Igreja viva precisa arregaçar as mangas e lutar contra as mentiras implantadas no interior de nossas igrejas. Afinal, uma Igreja poderosa é evangelizadora. Como o apóstolo Paulo tinha preocupação com a propagação do Evangelho, além de estar à frente anunciando, também preparava as pessoas que ficariam após sua morte. Eis o caso do jovem Timóteo, a quem exortou a ser um obreiro aprovado (2 Timóteo 2:15). A orientação do apóstolo ao jovem era para viver uma vida digna, na qual não tivesse algo para se envergonhar, ou seja, uma vida de decência, honestidade, hombridade e caráter. Outra orientação extremamente fundamental era a necessidade de conhecimento, não de longos e exaustivos estudos seculares, embora ajudem muito, mas Paulo referia-se ao conhecimento profundo da Palavra de Deus (as Escrituras).

Todas essas orientações devem ainda ser aplicadas hoje à Igreja de Cristo. O próprio Senhor, desde que esteve com os discípulos, alertava-os acerca dos falsos mestres e profetas. Ele já lhes dizia a respeito de falsas doutrinas que se levantariam no meio de Sua Igreja. (Mateus 7:15; 24:11; 24:24; Marcos 13:22; Lucas 6:26)

Pedro também exprimiu, em uma de suas cartas, as heresias (2 Pedro 2:1). João orientou a sondar o espírito e prová-lo, porque muitos falsos mestres estavam entre eles (João 4:1).

Tudo isso é patente aos olhos da Igreja atual; por isso, é preciso constantemente trazer à tona as orientações de Jesus, de Pedro, de João e os ensinamentos de Paulo a Timóteo. Há necessidade de viver de modo digno, de estar totalmente envolvido com a Palavra e de estar sujeito ao Espírito Santo. Isso fará de nós um povo realmente capacitado para evangelizar. E, assim, desmascarar qualquer tipo de mentira implantada por Satanás na tentativa, diga-se de passagem, frustrada, de destruir a obra de Deus. Porque o próprio Cristo garantiu-nos que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Sua Igreja (Mateus 16:18).

Permanecemos espalhados pelo mundo, dando seguimento a obra começada no passado pelos discípulos. O Espírito Santo continua nos usando, capacitando e fazendo de nós os que amam e aguardam a volta do Senhor Jesus, instrumentos de Sua vontade. Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem fornecido gratuitamente. Delas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para os que são espirituais”. (1 Coríntios 2:12-13 NVI)

 

CONCLUSÃO

Servir a Deus é um privilégio muito além de ser um dever cristão. Participar ativamente de Sua obra é um presente que Deus nos concedeu. Ele poderia usar inúmeras maneiras para levar a mensagem de salvação, e Ele até o faz quando O apraz. Sua metodologia é usar o homem para falar aos homens. Que, como Igreja de Cristo, possamos desfrutar do privilégio de fazer parte de Suas escolhas! Pratiquemos o “IDE”. Evangelizar é preciso... Evangelizar é um presente.

 

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