Colossenses 3:12-17:

12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; 13 Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. 14 E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. 15 E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. 16 A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração. 17 E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

Quando uma pessoa se converte a Jesus Cristo deve experimentar uma mudança completa em sua personalidade. Ela se despoja do seu velho Eu e se reveste do "novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade" (Ef. 4.24). Assim como um candidato ao batismo se despe de suas velhas vestimentas e se reveste de uma nova vestimenta branca, assim é a vida de quem realmente nasceu de novo.

O verdadeiro cristianismo produz uma mudança na vida da pessoa que já foi salva em Cristo. Além disso, esta mudança é progressiva. A nova criação é uma renovação contínua. Faz com que o homem cresça continuamente em graça e conhecimento até alcançar o que tem que ser: humanidade à imagem de Deus. O cristianismo não é realmente cristianismo a não ser que faça do homem o que está destinado a ser segundo o desígnio de Deus (Cl. 3:10).

É justamente por isto que o apóstolo Paulo sempre tinha em mente uma preocupação com o estilo de vida dos cristãos. Podemos perceber isto em seus escritos e, também, nesta carta aos Colossenses. Para ele, de nada adiantava estar na comunidade da fé se o proceder fora desta era o mesmo praticado pelos "gentios".

O proceder cristão vem por meio de um estilo de vida que tem como exemplo único Jesus Cristo. Para ilustrar como é esse novo estilo de vida, o apóstolo Paulo faz uso da metáfora de vestir e de tirar uma roupa.

Quando uma pessoa veste-se para uma determinada ocasião (festas, aniversário, casamento, formatura, etc.), ela quer ter a certeza de que está colocando as roupas certas. Se ela se veste de maneira inadequada e coloca roupas que chocam ou que são inaceitáveis para aquela ocasião, ela não é aceita e acaba sendo rejeitada pela maioria das pessoas. As pessoas a evitam porque está mal vestida, além de envergonhá-los. Basta lembrarmos um fato bem recente, divulgado pela mídia, que é o caso da Geizy Arruda, estudante da Uniban, que foi expulsa da faculdade pelos alunos, por estar trajando uma roupa escandalosa.

Assim é a nossa vida com Deus. Há coisas que temos que nos revestir e há coisas que não devemos vestir em nossas vidas. Há roupas que devem ser despojadas, jogadas fora, de uma vez por todas, porque estão sujas, velhas e desgastadas e não servem mais para nós.

Depois de falar das roupas que devem ser retiradas de nossas vidas, Paulo fornece, no verso 12, uma lista de algumas peças importantes com as quais os Colossenses deveriam revestir-se. E a conjugação verbal transmite a sensação de "Façam isso agora!"

Antes, porém, de começarmos a estudar a lista em detalhe devemos advertir sobre dois aspectos muito significativos.

Primeiro, Paulo começa dirigindo-se aos Colossenses como os escolhidos de Deus, santos e amados" (v. 12). O significativo é que cada uma destas três palavras correspondiam originariamente aos judeus. Eles eram o povo escolhido, a nação santa e consagrada (gr. hagios). Eles eram os amados de Deus. Paulo toma estas três importantes palavras, que num tempo tinham sido possessão de Israel, para aplicá-las aos gentios. Desta maneira, mostra que o amor e a graça de Deus chegaram aos limites da terra: Na economia de Deus já não existe a cláusula de "nação mais favorecida".

Segundo, é extremamente significativo que cada uma das virtudes e graças da lista tem que ver com as relações pessoais. Não se mencionam virtudes como a eficiência, inteligência nem sequer a diligência. Não é que tudo isto careça de importância. Mas as grandes virtudes cristãs básicas são as que dominam as relações humanas e lhes dão a tônica. O Cristianismo é comunidade e tem em sua parte divina o dom maravilhoso da paz com Deus e em sua parte humana a solução triunfal do problema da convivência.

Paulo começa sua lista com uma íntima misericórdia. Se havia algo que o mundo antigo precisava com certeza era a misericórdia. O sofrimento dos animais não significava nada para o mundo antigo. Os deficientes físicos e os que sofriam de doenças incuráveis eram simplesmente eliminados ou excluídos da sociedade. Não havia previsões sociais para os anciãos. O trato com os idiotas e os diminuídos mentais era sem piedade e desumano. O Cristianismo trouxe para este mundo - e ainda continua trazendo - uma misericórdia crescente. Não é muito dizer que tudo o que se chegou a fazer pelos anciãos, pelos doentes, pelos físico e mentalmente fracos, pelos animais, pelas crianças e pelas mulheres, foi sob a inspiração do Cristianismo.

Em seguida, vem a benignidade (gr. crestotes). Os antigos escritores definiam a crestotes como a virtude do homem para quem o bem de seu próximo é tão caro como o próprio. Flávio Josefo a usa para descrever a Isaque, o homem que cavava poços e os entregava a outros porque não queria litigar sobre eles (Gn. 26:17-25). Aplica-se ao vinho que com os anos se suaviza perdendo sua aspereza. É a palavra que se usa para o jugo de Jesus em seu dito: "Meu jugo é suave" (Mt. 11:30). A crestotes é a benignidade; a bondade amável que Jesus usou para com a mulher pecadora que lhe ungiu os pés (Lc. 7:37-50). Sem dúvida, Simão o fariseu era um homem bom, mas Jesus era mais que bom: era crestos, benigno. O cristão se caracteriza por uma bondade que é amável.

Depois vem a humildade. Com freqüência tem-se dito que a humildade é uma virtude criada e introduzida pelo Cristianismo. Destaca-se, freqüentemente, que no grego clássico não há uma palavra para humildade que não tenha certo toque de baixeza, servilismo e subserviência. A humildade cristã não é algo rasteiro, mas sim algo que se baseia em duas coisas. Em primeiro lugar, em seu aspecto divino se baseia na consciência sempre presente da condição de criatura do homem. Deus é o Criador, e homem é a criatura. Na presença do Criador a criatura não pode sentir outra coisa a não ser humildade. Em segundo lugar, no aspecto humano se baseia na crença de que todos os homens são filhos de Deus; e quando vivemos em meio de homens e mulheres que são todos de linhagem real, não há lugar para a arrogância.

Em seguida, Paulo destaca a mansidão (gr. praotes). Faz muito tempo Aristóteles definiu a praotes como o termo médio feliz entre a ira excessiva e a ira mínima. O homem que tem praotes é aquele que conserva o domínio próprio, porque está guiado por Deus: ira-se sempre a seu devido tempo e jamais quando não lhe corresponde. Tem ao mesmo tempo a energia e a suavidade da verdadeira gentileza.

Logo após, vem a paciência (gr. makrothymia). É o espírito que jamais perde a paciência para com o próximo. A estultícia e indocilidade jamais o forçam ao cinismo ou o desespero; os insultos e maus entendimentos jamais o empurram à amargura ou à cólera. A paciência humana é um reflexo da paciência divina que carrega todos os nossos pecados e que jamais nos rechaça

Depois disso, temos o espírito que suporta e perdoa. O cristão suporta e perdoa porque jamais esquece que aquele que foi perdoado deve sempre perdoar. Como Deus lhe perdoou, ele deve perdoar a outros, porque só aquele que perdoa pode ser perdoado (Mt. 6:12,15; 18:23).

Aos ornamentos das virtudes e graças Paulo adiciona um mais: o vínculo perfeito do amor. O amor é o poder de união que mantém intimamente ligado todo o corpo cristão. A tendência de toda sociedade de pessoas é, mais cedo ou mais tarde, desagregar-se; no amor existe o único vínculo que as manterá em inquebrantável comunhão.

Logo Paulo passa a uma imagem expressiva: "Que a paz de Cristo decida tudo em seus corações" (v. 15). O que diz literalmente é: "Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração". O verbo que emprega pertencia à arena dos campos atléticos: é a palavra que se aplicava ao árbitro que com sua decisão restabelecia a ordem em caso de disputa. Se a paz de Jesus Cristo for o árbitro no coração de cada homem então, quando entrarem em conflito os sentimentos e quando formos arrastados em duas direções ao mesmo tempo ou quando a caridade cristã estiver em conflito em nossos corações com a irritação e a irritação anticristãos, a decisão de Cristo nos levará pelo caminho do amor e a Igreja continuará sendo um só corpo, tal como deve sê-lo. O caminho para operar retamente é designar a Jesus Cristo como o árbitro das emoções que estão em conflito em nossos corações. Se aceitarmos suas decisões não podemos agir mal.

É interessante observar aqui como a Igreja cantou desde seus começos. Isto era herança do judaísmo. Filo nos conta que os judeus freqüentemente passavam toda a noite entre hinos e cânticos. Uma das primeiras descrições do culto da Igreja que possuímos é a de Plínio, o governador romano da Bitínia, que enviou a Trajano, imperador romano, um relato das atividades cristãs. Neste relato diz: "Se reúnem ao amanhecer para cantar um hino a Cristo como Deus". A gratidão da Igreja sempre se elevou a Deus em forma de louvor e cântico cristãos.

Finalmente, nesta passagem, Paulo estabelece o grande princípio para a vida de que tudo o que fazemos ou dizemos deve ser feito ou dito em o nome de Jesus. Uma das melhores provas para cada ação é a seguinte: "Podemos fazer isto invocando o nome de Jesus? Podemos fazer isto implorando sua ajuda? Podemos dizer isto lembrando que Ele nos ouve e lhe pedindo que não ouça?" Se cada palavra e cada feito passa pela prova da presença de Jesus Cristo, será impossível seguir o caminho do engano.

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