Porque os que servirem bem como diáconos, adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.

1 Timóteo 3:13 

INTRODUÇÃO

   A palavra diaconia, tem origem grega e pode ser traduzida por ministério ou serviço. Servir deve ser uma das características do cristão. Muito sabiamente, o Portal Luteranos, inicia este assunto de maneira assertiva ao dizer:

   “A Igreja cristã recebe sua identidade de Jesus Cristo. Por isso, se ele veio para servir, a missão da Igreja não pode ser outra. Está comissionada a unir ao seu testemunho o serviço, seguindo o exemplo de seu mestre. Para todo cristão, é válido o princípio de Jesus, dizendo: Quem quiser ser o primeiro entre vós, será servo de todos. (Marcos 10:44)”.

   Desta forma cremos também, toda a pessoa que professa a fé cristã é um instrumento de Deus a serviço do Reino à humanidade. Entretanto, fica clara pela Bíblia, a instituição do diaconato para o serviço no templo, na sinagoga ou mesmo no serviço aos irmãos na fé. Conforme Jaziel Guerreiro Martins, “esse serviço, efetuado pelos cristãos, deve ser em primeiro lugar aos que fazem parte da igreja e depois aos que não fazem parte dela, porque assim fazendo seremos sal e luz em meio à sociedade e Deus será glorificado pelas nossas ações, de conformidade com Gálatas 6:10 e Mateus 5:16”.

   A primeira menção ao serviço diaconal, no texto bíblico, surgiu por conta do cuidado pelas viúvas da Igreja de Jerusalém, evento este narrado em Atos dos Apóstolos 6 para cuidar e providenciar as necessidades materiais que surgissem naquela comunidade cristã primitiva.

   Para o já mencionado Pastor, “o ofício de diácono chegou ao meio cristão através da congregação judaica, pois toda sinagoga tinha ao menos três diáconos. [...] o diácono é uma alavanca na igreja, pois estes servos cuidam das necessidades das famílias da igreja, problemas sociais e filantrópicos, não sobrecarregando os pastores, que estarão mais disponíveis ao ministério da Palavra, à semelhança da igreja em Jerusalém, e poderão também melhor atender às demandas próprias dos líderes espirituais.”

 

DIACONIA NO NOVO TESTAMENTO

   Ao abordar o assunto diaconia, apresentado por James D. G. Dunn, em seu livro “Unidade e Diversidade no Novo Testamento”, existiam dois grupos de judeus, sendo o primeiro o grupo de hebreus formado por judeus cristãos de língua aramaica e cultura hebraica, que eram mais ligados à cultura judaica e à tradição de seus antepassados, e o segundo grupo, helenista, integrado por judeus cristãos de língua e cultura grega. Havia partidarismo entre os dois grupos e surgiu uma tensão dentro da comunidade cristã primitiva, quanto ao serviço de alimentação dedicado às viúvas, e este partidarismo resultou na omissão em relação ao cuidado com as viúvas do segundo grupo. Com o crescimento do número de discípulos, os judeus de cultura grega reclamavam dos demais judeus, porque as viúvas dos helenistas estavam sendo deixadas de lado na distribuição dos mantimentos.

   Para os gregos, servir não era algo dignificante, a menos que fosse aplicado aos deuses ou ao Estado. Já no contexto hebraico não tinha essa conotação de trabalho indigno, mas assumia um sentido religioso, de um serviço prestado a Deus e se relacionava também com o mandamento de amor ao próximo, já praticado na religião judaica. (Confira-se Levíticos 19:18).

   No texto de Atos, capítulo 6, versos 1 a 6, observamos que os discípulos anunciavam no templo e também de casa em casa o Evangelho de Jesus, o Cristo, na cidade de Jerusalém. E fica evidente que estavam muito envolvidos com o chamado do próprio Cristo, na disseminação do Evangelho da Salvação. O primeiro amor era grande, mas a tarefa era imensa e a multidão a ser atendida em suas demandas era enorme. Infelizmente, houve problemas, que geraram insatisfação.

   Diante das reclamações, os discípulos convocaram a multidão, e explicaram que não faria sentido eles deixarem de pregar a Palavra de Deus para servirem às mesas. Ficou então decidido que deveriam escolher sete homens de boa reputação e cheios do Espírito Santo, para realizar aquela tarefa de “diaconia” de servir às mesas. A proposta agradou a todos e, assim elegeram os primeiros diáconos, a saber: Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau. Os apóstolos oraram sobre eles com imposição de mãos. Eles ficaram disponíveis à atividade serviçal de toda aquela comunidade cristã. Esta atitude dos apóstolos, da oração com a imposição de mãos, deixa clara a importância espiritual destes consagrados. Embora possa parecer uma atividade apenas laboral e material, ela tem significado espiritual na Igreja de Jesus Cristo, pois o Mestre deixa clara a importância de servir no Seu Reino.

   Assim, com o surgimento desses diáconos, os discípulos ficaram isentos dessa tarefa, ficando mais livres para pregar o Evangelho de Cristo.

 

DIACONIA NO VELHO TESTAMENTO

   No Antigo Testamento, uma atividade equivalente à da diaconia foi instituída pelo próprio Deus, segundo o relato sagrado. O próprio Senhor Deus de Israel, a esse respeito, ordenou ao líder israelita naquela jornada rumo à Terra Prometida, o seguinte: “O Senhor disse a Moisés: — Mande chamar a tribo de Levi e coloque-a diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam e cumpram seus deveres para com ele e para com todo o povo, diante da tenda do encontro, para ministrarem no tabernáculo. Terão cuidado de todos os utensílios da tenda do encontro e cumprirão o seu dever para com os filhos de Israel, ao ministrarem no tabernáculo” (Números 3:5-8). E o Senhor disse mais: “Separe os levitas do meio dos filhos de Israel e purifique-os” (Números 8:6). A continuação do texto dá detalhes sobre esta purificação, e mais detalhes sobre este novo serviço, identificando também a importância espiritual daquela atividade ao separar entre as doze tribos de Israel uma tribo para o serviço exclusivo das demandas pertinentes à adoração no Tabernáculo, e depois no Templo do Senhor em Jerusalém. Infelizmente, na sociedade ocidental, as atividades ligadas a serviço, pela ausência de conotação intelectual, são menosprezadas e colocadas em segundo plano, todavia, não deve ser esta a prática na Igreja de Cristo, pois o Senhor, nosso Deus, exalta aos humildes.

   Outra citação igualmente oportuna se dá em 1 Crônicas, no capítulo 23, quando o rei Davi, já em idade avançada, constituiu a seu filho Salomão como seu sucessor no Reino de Israel. Ele reuniu os chefes de Israel e ordenou que fosse feita a contagem dos levitas, então ele mesmo separou vinte e quatro mil homens, dentre os levitas contados, para a realização das diversas atividades pertinentes ao templo em Jerusalém, que seu filho e sucessor iria construir, especificando como tais servos deveriam agir e em quais frentes atuariam. Certamente esta preocupação do Rei denota a importância das atividades dos levitas na adoração ao Deus de Israel. Confira-se:

   “Quando já era bem velho, Davi constituiu o seu fi lho Salomão rei sobre Israel. Davi reuniu todos os chefes de Israel, bem como os sacerdotes e levitas. Foram contados os levitas de trinta anos para cima, e seu número, contados um por um, foi de trinta e oito mil homens. Destes, havia vinte e quatro mil para supervisionarem a obra da Casa do Senhor, seis mil oficiais e juízes, quatro mil porteiros e quatro mil para louvarem o Senhor com os instrumentos que Davi fez para esse fim” (1 Crônicas 23:1-5).

  Com a construção do templo do Senhor, haveria uma nova organização a ser respeitada e executada, um novo ambiente, novas demandas. Davi, apesar de saber que não estaria presente nos cultos que seriam realizados no templo, dispõe tempo e atenção às novas demandas necessárias à perfeita adoração que deveria ter continuidade dentro das ministrações ao Senhor Deus de Israel. Grande demonstração de zelo às coisas santas daquele monarca! No final do capítulo, ele ainda instrui, detalhadamente, quais seriam as atribuições dos levitas, junto às atividades do templo do Senhor:

   “Porque Davi disse: — O Senhor, Deus de Israel, deu paz ao seu povo e habitará em Jerusalém para sempre. Assim, os levitas já não precisarão levar o tabernáculo e nenhum dos utensílios para o seu ministério. Porque, segundo as últimas palavras de Davi, foram contados os filhos de Levi de vinte anos para cima. O serviço deles era ajudar os filhos de Arão no ministério da Casa do Senhor, nos átrios e nas câmaras, na purificação de todas as coisas sagradas e na obra do ministério da Casa de Deus, a saber, cuidar dos pães da proposição, da melhor farinha para a oferta de cereais, dos bolos sem fermento, das ofertas assadas e das misturadas com azeite, bem como dos pesos e das medidas. Deviam estar presentes todas as manhãs e todas as tardes para darem graças ao Senhor e o louvarem, e sempre que fossem oferecidos os holocaustos do Senhor, nos sábados, nas Festas da Lua Nova e nas festas fixas, diante do Senhor, segundo o número determinado. Os filhos de Levi deviam cuidar da tenda do encontro e do santuário e deviam ajudar os filhos de Arão, seus irmãos, no ministério da Casa do Senhor” (1 Crônicas 23:25-32).

   Estes textos do Antigo Testamento identificam as mesmas atividades do diaconato, que foram realizadas pelos levitas, tão logo foi feito o Tabernáculo, ainda em meio à peregrinação no deserto. Deus designou a tribo de Levi para este fim específico. A importância dada a tal atividade no Tabernáculo e depois no Templo do Senhor, reaparece na formação da Igreja primitiva, confirmando o cuidado do Senhor Deus para com o Seu povo em toda a Bíblia. As atividades diaconais permanecem sendo de extrema importância nos cultos atualmente. Da mesma forma que os levitas foram suporte aos sacerdotes nas cerimônias de adoração ao Senhor Deus de Israel, os diáconos e as diaconisas exercem este apoio aos pastores e presbíteros, nos cultos celebrados em honra a este mesmo Deus!

 

ATRIBUTOS DA DIACONIA

   Como foi dito inicialmente, compreendemos que a atitude de servir deve ser encontrada em todo o cristão sincero, que declara a fé exclusiva no Salvador Jesus. Então, como identificar em nós mesmos este chamado, esta vocação para servir ao Senhor de maneira ainda mais focada? Para responder a esta pergunta, é importante observarmos o texto bíblico a respeito dos atributos necessários a um bom diácono. Na primeira carta a Timóteo, o apóstolo Paulo discorre sobre as qualidades esperadas pelo Senhor Jesus Cristo quanto ao caráter, discernimento, sabedoria, integridade e maturidade do diácono e da diaconisa. São atributos imprescindíveis diante do papel importante que representam para a Igreja ou Noiva do Senhor Jesus Cristo que está em constante preparação para o Grande Dia em que o Senhor virá nos buscar.

   Listamos, então, algumas qualidades encontradas e mencionadas no Livro Santo, na Primeira Epístola de Paulo a Timóteo, cap. 3, vs. 8 a 10, que nos ajudarão a estabelecer alvos e metas pessoais. Eis, pois:

   1º) Ser integro na conduta: sua vida deve ser uma só dentro e fora da Igreja. Demonstrando através do dia a dia uma vida de acordo com as Escrituras, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, pois esse será seu escudo contra as setas do maligno. A palavra “dignidade” nos remete à dignidade de ocupar a posição de servo/diácono, digno de ser instrumento do Senhor para servir à Igreja.

   2º) Ser íntegro de palavra: “...quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra” (1 Timóteo 3:8) sua resposta deverá ser sim, sim e não, não (Mateus 5:37). Seu hábito no falar não usa de insinuações, mentira ”branca” ou brincadeiras com duplo sentido, não dissemina fofoca e tem a confiança de todos. Tem um coração sincero e torna evidente esta sinceridade e humildade pela expressão com que se comunica com as pessoas ao seu redor, e não negocia princípios e valores. Sua linguagem social e familiar é temperada, sem exageros. Tem domínio próprio e busca ser cheio do Espírito Santo. Em Efésios 5:18 diz que onde há exagero na ingestão de vinho há dissolução. Os vícios, em geral, geram dissolução que no dicionário quer significar “dissolver-se”, “decomposição ou degradação”, que acontece àqueles que se entregam a essa prática.

   3º) Ser integro quanto às finanças: “... quanto a diáconos, é necessário que sejam [...], não gananciosos” (1 Timóteo 3:8). Seu coração e suas afeições não estão no dinheiro nem nos lucros desmesurados para o próprio benefício. Por outras palavras, não é dominado pelo dinheiro, mas o domina, usando-o para o seu benefício, o de sua família e para o Reino de Deus, sem o apego doentio. O mesmo texto bíblico, em outra versão, utiliza a expressão “sórdida ganância”, que significa possuir características daquilo que é baixo, vil, torpe, corrupto, comportamento sórdido. 

   As características fundamentais ao bom desempenho do diaconato são devidamente abordadas por Paulo nesta carta, todavia toda a virtude possível e necessária ao bom e fiel discípulo do mestre Jesus é sempre benvinda e se agregam às qualificações bíblicas dignas de serem encontradas em um diácono ou diaconisa. Então, é-nos possível identificar nestas atribuições o quanto estamos aptos a desempenhar referida atividade em nossa comunidade. Certamente, se é esta a forma que Deus encontrou em você para servi-lO, no tempo devido você será indicado para fazê-lo. Aquele que busca se aprimorar para o Reino de Deus será sempre portador da luz de Jesus, transmitindo a todos, quer por palavra, quer por atitude, a Presença do Senhor Jesus, através da obra que o Espírito Santo realiza na vida de todo o que o ama e serve. Esta vida cheia do Espírito Santo é a vida que o Senhor Jesus quer para todo o salvo pelo Seu sacrifício.

CONCLUSÃO

   Como vimos em todas as menções das Escrituras, os escolhidos para desempenhar o serviço no Tabernáculo e, depois, no Templo foram separados por Deus. No livro de Atos, são citadas qualidades que se tornam requisitos para se escolher uma pessoa para servir no diaconato, como boa reputação, sabedoria, ser cheio do Espírito Santo; permanecendo aqui a exigibilidade da separação divina para a ocupação desta função. Mesmo preenchendo tais requisitos, não podemos nos acomodar, precisamos estar sempre em busca de santificação para nossa vida, para que possamos estar em comunhão constante com nosso Deus. Portanto, precisamos nos empenhar para atender ao padrão prescrito na Palavra de Deus. E estas virtudes exigem um relacionamento de intimidade e constante comunhão com o Senhor, com Sua Palavra e, por consequência, com Sua Igreja através das orações, inclusive. Que o Senhor Deus nos ajude a alcançar uma vida de santidade para melhor servi-lO e também ao nosso próximo, da nossa comunidade ou não; pois é servindo ao semelhante que prestaremos a verdadeira devoção ao Senhor.

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

1. Se não houve menção de diaconato no Antigo Testamento, por quem e como foram desempenhados os serviços no tabernáculo, ou no templo do Senhor?

R.

2. Lendo 2 Timóteo 3:8-10, o que a Bíblia pede para que se possa servir no diaconato?

R.

3. O que precisamos fazer para, após sermos escolhidos, para manter o padrão de vida solicitado pela Bíblia no exercício do diaconato?

R.

4. Como o cristão pode conseguir uma vida de santidade diante de Deus?

R.

5. Cite três virtudes necessárias em um diácono, para que ele possa servir a Deus e ao próximo segundo a vontade de Deus.

R.

Related Articles

O dom ministerial de evangelista, quinta-feira
10 Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar...
O dom ministerial de evangelista, quarta-feira
Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. 1...
O ministério de profeta, quinta-feira
SEGUI o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos...
Dons de revelação
Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. 1 Coríntios 12:7...