Não foi a toa que Jesus provocava surpresa nas pessoas que o ouviam e o acabavam conhecendo. Não apenas pelos milagres, Jesus arrebatou a alma de seus ouvintes também por meio da sabedoria em suas palavras. Certa vez levantou um pergunta, que em minha opinião, é um das mais inquietantes em toda a Bíblia. Ele perguntou: "Que aproveitaria ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?".

A pergunta não trata de possibilidades surrealistas. Jesus entende que tal façanha, ou seja, a de ganhar o mundo é algo plausível e alcançável, e que está nos sonhos de muitas pessoas, seja lá o que for este “mundo” a ser ganho como um prêmio. O ponto tenso da pergunta é que ganhar este prêmio ameaça uma coisa, que na percepção de Jesus não dá para perder – a alma. Tomado em seu contexto podemos pensar, primariamente, que esta passagem bíblica se aplica apenas aquelas pessoas que vivem afogadas em suas riquezas materiais. Pessoas que são frágeis em seu caráter, a ponto de trocar algo tão precioso por alguns montantes de bens materiais. Pessoas que estão sempre em busca do passarinho que está voado.

Todavia o que não paramos para perceber é que este texto também se aplica aqueles que ainda não alcançaram o patamar ideal de “vida feliz”. Ou que estabelece este patamar em outros termos. O problema não é crer numa vida feliz. O problema é se estamos cientes ou não de que nunca estaremos plenamente satisfeitos. O ser humano traz um incinerador insaciável dentro de si. Tanto mais alcança, tanto mais quer. A vida é corrida, sofrida, batida, impelida. Ela é muita coisa para muitas pessoas. Mas será que ela suficiente para a busca de tantos sonhos, de tanta felicidade?

Talvez o leitor da Bíblia em nossos dias, não deseje mais pensar na relação mundo alma da mesma forma como Jesus colocou. As pessoas parecem insistir em não querer escolher entre uma coisa boa e outra coisa boa. Preferem colocar tudo num pacote só. Pensam que assim serão felizes. Muitos talvez indaguem:
"Haveria uma forma de eu poder ganhar o mundo inteiro sem perder a minha alma?". Pensa-se que com isso o dilema se resolve. Muito pelo contrário, ele é realçado. Venhamos e convenhamos, a vida feliz que tantos buscam está sempre adiante. Talvez uma saída para este dilema é o contentamento. Estar contente é um estado da alma. Por isso Jesus considerou a alma como algo tão valioso. E na alma que tomamos a decisão de viver o hoje sem ficar preso ao amanhã.

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