Texto de Estudo

42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. 43 E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. 44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. 45 E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. 46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, 47 Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.

Atos dos Apóstolos 2:42-47

 

INTRODUÇÃO

Evangelizar é a missão suprema da igreja e de cada um de nós cristãos! Obedecer a Cristo, não resume-se a frequentar os cultos, ler a Bíblia, participar de todas as atividades e congressos e lutar contra o pecado. Quando fazemos isto, quase sempre estamos pensando no “nós”, no “eu”. Para seguirmos e obedecermos a Cristo, devemos levar o Evangelho a todos os povos, e para pregarmos o Evangelho verdadeiramente, devemos alterar nossas prioridades. No mundo moderno, talvez a maioria de nós ordene as prioridades da seguinte forma: eu (família), Deus e finalmente o próximo; e na verdade, o que aprendemos com Cristo, é que esta ordem deve ser: Deus, o próximo (família) e apenas no final, o “eu”! Será que temos nos portado desta forma? A Igreja moderna tem seguido as ordenanças do Cristo e cumprido a sua missão suprema de evangelismo? Tem sido o evangelismo o nosso alvo? O estudo desta semana nos traz uma série de textos bíblicos, pensamentos e reflexões para nos ajudar a entender a nossa grande missão como Igreja: que é o evangelismo, nos situando em um momento tão difícil para toda a fé cristã deste tempo em que vivemos.

 

O “SER IGREJA” EM NOSSOS DIAS

“O EVANGELISMO DE NÓS MESMOS”

 - Lesslie Newbigin apud Michael W. Goheen e Craig G. Bartholomew, in: "Introdução à cosmovisão cristã: Vivendo na intersecção entre a visão bíblica e a contemporânea", p. 186.

O que é peculiar ao Evangelho cristão é que aqueles que são chamados a ser suas testemunhas estão comprometidos com a afirmação pública de que ele é verdadeiro - verdadeiro para todos os povos em todas as épocas - e ao mesmo tempo estão proibidos de usar a coerção para impor isso. Por isso, exige-se deles que sejam tolerantes com a negação, não no sentido de que precisamos tolerar todas as crenças porque a verdade é incognoscível e todos têm direitos iguais. A tolerância exigida do cristão não é algo que ele precisa exercer apesar de sua convicção de que o evangelho é verdadeiro, mas justamente por causa dessa crença.” Lesslie Newbigin apud Michael W. Goheen e Craig G. Bartholomew, in: "Introdução à cosmovisão cristã: Vivendo na intersecção entre a visão bíblica e a contemporânea", p. 186.

            Uma das grandes dificuldades do evangelismo hoje em dia reside no fato de que, ao mesmo tempo que cresce exponencialmente a necessidade de se levar a mensagem de Cristo à um mundo marcado pelo pecado e pelo ódio, cresce na mesma proporção e forma uma rotulação negativa à todas as religiões monoteístas (Em especial à cristã!), em parte causado pela corrida terrorista do islã; em parte pelo crescimento de seitas pseudocristãs diversas que trazem enganos, fundamentalismo e confusão por seu sincretismo; em parte pela mensagem do Evangelho que em sua essência é amor mas que exige arrependimento e afastamento do caminho do pecado e do mal.

Um outro e sério desafio, é que a Igreja Cristã moderna, e em especial o Cristão moderno, (Lembremos que igreja nada mais é do que uma reunião de crentes!) carece em demasia de amadurecimento, de senso crítico e de uma cosmovisão cristã genuína, que o situe no mundo secular, no universo moderno; condições básicas para uma evangelismo eficiente. Nós que deveríamos ser o sal da terra, a luz do mundo, nos tornamos ofuscados e insípidos por não possuirmos a maturidade suficiente para nos relacionarmos com o que está a nossa volta. Queremos ensinar e evangelizar pela coerção, e na verdade, o simples fato de sermos Cristãos nos impede disto!

Tantos anos já passaram e ainda assim herdamos e nos apegamos a modos e costumes (Alguns importantes, mas a maioria totalmente desnecessários!). Muitos de nós, se afastam do mundo, colocando-se em uma redoma de pseudosantidade, novamente pensando no “eu” mas esquecendo-se que não foi esta a ordenança de Cristo e tampouco seu exemplo. O Cristo que conhecemos através de Bíblia, interagia (E ainda o faz!) de forma mansa, humilde e madura com todos a sua volta (Prostitutas, ladrões, assassinos, mentirosos, adúlteros, como eu e você!), esperando o momento de uma vez mais dizer “arrependam-se e creiam no evangelho”.

Quantas vezes deixamos de convidar uma vizinha que está passando por uma situação difícil para ir na semana de oração simplesmente por que ela se veste de forma escandalosa? Ou criticamos o rapaz desejoso de tocar bateria no culto por não ser um “instrumento de Deus”? Quantos de nós, muitas vezes sinceros no coração dizem que não vão ao teatro, ao cinema, ou não ouvem músicas do mundo, sem observar que muito do chamado material “gospel” é em grande proporção herético. Não, a igreja não tem cumprido o seu papel de evangelismo. Nós temos falhado com Deus e com nossos irmãos que nunca ouviram falar do evangelho, e estas falhas tem nascido na nossa falta de maturidade cristã, na soberba ideia de que possuímos a verdade, e apenas isto nos basta!

Como igreja; como podemos evangelizar o mundo se não sabemos ao certo como evangelizar os nossos, ou melhor, se não sabemos como evangelizar a “nós mesmos” trazendo a devida maturidade e preparo? 

Notemos que hoje muitas pessoas “vão” à igreja, mas, poucas “são” igreja! Muitas pessoas hoje possuem uma “convicção” religiosa, mas poucos se entregaram verdadeiramente à “conversão”, e isto serve de mau exemplo a um mundo que nos rotula como hipócritas, fundamentalistas, falsos e aproveitadores. Parece duro, mas, não é! É a verdade! Quem nunca ouviu que “todo Pastor é ladrão” ou que todo crente “é sem vergonha”? Infelizmente é esta a visão que o mundo secular, em sua maioria, tem de nossos ministros e de nós cristãos. Nós sabemos que não é assim, nem todos somos assim! Porém, como apresentar uma outra verdade, se não conseguimos sequer traçar os pontos de intersecção com este mundo e pensamento? Como nos apresentar como exemplos? Será que temos sido Igreja ou apenas ido à igreja? Como evangelizar o mundo e cumprir a missão suprema da igreja, se sequer temos realizado o “evangelismo de nós mesmos” e dos “nossos”? Temos sido como igreja testemunhas do evangelho?

 

A IGREJA COMO “TESTEMUNHA” 

“Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham.Com grande poder os apóstolos continuavam a testemunhar da ressurreição do Senhor Jesus, e grandiosa graça estava sobre todos eles.”
(Atos dos Apóstolos 4:32-33, NVI)

A visão pós-moderna sobre o cristianismo - sobre nós cristãos - é em geral muito negativa, e em partes, correta. A igreja moderna, de uma forma geral, não tem dado um bom testemunho. Sabemos que muitas igrejas e cristãos sérios tem se empenhado em levar e testemunhar o evangelho a todos os povos, porém em meio a tantas novas correntes teológicas e modismos, estes desapercebidamente, passam quase que despercebidos. Mas o que é ser testemunha, o que significa testemunhar? 

A palavra "martyria" do grego, significa testemunho ou testemunha. Desde os tempos antigos e até hoje, testemunhar significa ser chamado perante às autoridades, ou a um grupo de pessoas para relatar algo que presenciou ou vivenciou. Testemunhar, significa ter a disposição de dizer a verdade de forma clara e objetiva e defender esta verdade com todas as forças necessárias e possíveis para que seja aceita pelos que a ouvem. Isto, no sentido literal de evangelizar, não significa porém usar a força, e sim o exemplo. Como disse Giovanni di Pietro di Bernardote: “Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras”

Um exemplo de testemunho é o que Paulo deu diante o Sinédrio (Atos dos Apóstolos 23:1) com tanta integridade, maturidade, dignidade e seriedade que irritou profundamente o sumo sacerdote Ananias.

O evangelismo, missão suprema de igreja, nasce do testemunho. Testemunhar como igreja ou como cristão é uma ordenança (Atos dos Apóstolos 1:8), um honroso presente (1 Timóteo 1:11-14), uma atitude de amor (1 Tessalonicenses 2:8-9; Efésios 3:1-2) e um instrumento de cuidado com a salvação alheia (Atos dos Apóstolos 2:36-41; 13:42-44).

A grande maioria de nós cristãos hoje encontra dificuldades em evangelizar ou mesmo engana-se por que:

  • Estamos acostumados a testemunhar uma doutrina, um rito litúrgico, uma corrente teológica, o nome de uma denominação e não simplesmente o Cristo (1 Coríntios 2:1-5). Evangelizamos como se quiséssemos trazer novos amigos e membros a um clube, e não por que precisamos ajudar a trazer a mensagem da boa nova da salvação ao mundo.
  • Não tivemos ainda ou não temos cultivado experiências pessoais e íntimas com Deus que nos reveste com o Espírito Santo e nos exorta ao testemunho (Atos dos Apóstolos 22:14-21). Sem a certeza da presença de Deus através de seu Santo Espírito nos instruindo e guiando somos como cegos guiando cegos (Mateus 15:14).
  • Não somos bons exemplos! (1 João 1:7-10; 1 Pedro 3:15-16)

 

 

 A APOLOGÉTICA CRISTÃ, E A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

NA MISSÃO DE IGREJA

Uma derivação da palavra apologética, significa em seu sentido primordial e essencial, “uma defesa fundamentada da fé cristã”. À medida que cresce o campo onde a Igreja necessita semear o Evangelho, cresce a necessidade de um preparo para conferir integridade e preparo intelectuais à evangelização e à defesa da fé. Pedro nos exorta pedindo que a defesa da fé seja feita com preparo.

“Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias.”  (1 Pedro 3:15-16)

Na nossa sociedade pós-moderna quanto maior o nível social e acadêmico mais ouviremos as pessoas definindo-se como ateus, agnósticos, etc. É extremamente difícil levar o evangelismo como Igreja missionária a um público que segue certos modismos e tendências relativistas. Ser cristão e heterossexual é o mesmo que homofóbico e intolerante; ser ateu e homossexual é o contumaz e politicamente correto (sic). Existem várias barreiras intelectuais a fé, e quase todas elas se apoiam em dois pilares (Muitas vezes de forma até inconsciente!), sendo eles a autossuficiência (Para que preciso de Deus se tudo tenho?) e o desconhecimento ou a falta de conhecimento da Bíblia e do Evangelho. Com esses dois pilares nascem perguntas ou citações do tipo “Como Deus permite que exista tanto sofrimento no mundo?”, “A ciência tornou o cristianismo irrelevante!”, “A Bíblia é um livro de ficção!”, etc. Quantos de nós estão realmente preparados para defender a nossa fé destas acusações? E a Igreja em sua suprema missão de evangelizar; está?

É importante ressaltar que uma tendência muito comum hoje em nossos dias, e um grande erro estratégico, é querer separar a teologia acadêmica da Igreja e vice-versa. Vemos excelentes teólogos fazendo apologética, lançando grandes trabalhos acadêmicos e de defesa da fé, que não circulam em nossos púlpitos, parte por crerem ser de um teor avançado, parte por que os pastores, presbíteros e membros não entendem como algo “importante” (Novamente o “eu” primeiro que o “eles”!) estando confortáveis com a mensagem “água com açúcar”.

Observamos estruturas eclesiásticas inteiras prontas a criticar o conhecimento teológico por crer ser de certa forma “frio” sem enxergar que sem ele não se faz apologética. Ressaltemos aqui que a apologética não produz a fé mas sim o conhecimento para defendê-la; fé esta que cada vez mais tem sido vista como um assentimento intelectual pelos não-cristãos. Aí surge uma pergunta: Apenas ter o conhecimento teológico basta para uma correta apologia da fé Cristã?

Um dos grandes antimônios da fé cristã está na equação soberania divina x responsabilidade humana na salvação. Por séculos tem se discutido este tema que até hoje perdura em nossos templos, púlpitos e seminários. Em um mesmo paralelo, existe a discussão sobre a parcela de responsabilidade da Igreja na missão de evangelizar e levar a boa nova a todos os povos, e a ação de Deus que permite e facilita esta ação. Estamos academicamente preparados? Mas isto basta? Certamente que não!

Nossa missão fundamental de evangelismo como Igreja nasce do conhecimento da Palavra, no exemplo, no bom testemunho, mas só floresce e dá os devidos frutos em meio a ação do Espírito Santo de Deus face às nossas orações e súplicas. De nada serve um excelente conhecimento teológico sem a devida ação de Deus nos usando pra servir. Quando verdadeiramente o Espírito Santo age em nós, nos modificando e usando, quando buscamos incessantemente aprender e servir é que começamos a ser uma Igreja missionária e evangelista.

 

A QUEM A IGREJA MODERNA ESTÁ SERVINDO?

QUAL O ALVO?

Utilizando uma metáfora de C.S.Lewis de seu excelente livro “Cristianismo Puro e Simples”, imagine-se neste momento no saguão de uma casa onde cada um de nós está, e onde devemos escolher para viver, uma das portas dos cômodos do interior desta casa. Apesar de ter tido sua primeira publicação em 1942, esta metáfora não podia ser mais atual. Nós cristãos nos deparamos com diversas portas e denominações cristãs diferentes que nascem todos os dias. Cada uma delas com teologias, liturgias, doxologias, modos e costumes diferentes. Mas aonde está a ortodoxia? Ou ainda como cita C.S.Lewis, em qual desta portas se encontra o sagrado? Estamos em um tempo onde a chamada igreja Cristã diverge em muitos aspectos, e as pessoas escolhem “as portas” pelas razões erradas. Algumas pessoas gostam de templos cheios, alegres, com musica alta, e apresentações quase que em forma de show. Outros buscam portas crendo que por muito dar, muito receberão e tentam negociar, barganhar com Deus. Outros buscam locais onde se sintam úteis, tenham cargos e assentos importantes; mas serão estas as razões verdadeiras para se escolher uma porta?

"Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram". "Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?” (Mateus 7:13-16)

Infelizmente grande parte das igrejas cristãs modernas - ou que se dizem cristãs - estão cheias de devoradores, de lobos em peles de ovelhas, que arrebatam multidões não por que estão obedecendo ao mandamento de Jesus na grande comissão, mas por que desejam encher seus cofres dos dízimos e ofertas de um povo carente de palavra e atenção (Mateus 7:21-23)

Chegamos em um ponto onde precisamos “evangelizar os evangélicos” e isto está em total consonância com o que Jesus nos disse que ocorreria! Agora façamos uma reflexão, se estas pseudoigrejas cristãs não servem a Deus, a quem elas servem?  A essência do evangelismo e missão da Igreja cristã verdadeira reside e se resume em um único alvo, que é trazer a palavra de Deus a “todos” os povos apresentando Jesus como único Senhor e Salvador.

O que temos feito para esclarecer este povo que busca a Deus mas escolhe as portas erradas? Temos servido ao nosso Senhor de forma abnegada, pensando primeiro no próximo e depois em nós mesmos? Ou temos nos preocupado unicamente com a nossa salvação? É a Deus que estamos servindo? Está o sagrado na porta ou caminho que escolhi?

 

UM NOVO HOMEM = UMA NOVA IGREJA

Há alguns meses, aguardando em uma sala de espera, eu estava sentado ao lado de duas senhoras que falavam de suas convicções religiosas. Uma delas “testemunhou” o fato de ter dado uma oferta maior aquele mês e ter recebido uma benção por isto. A outra incentivava e confirmava que com ela algo idêntico já tinha ocorrido. Poucos minutos após este diálogo, as duas começaram a “elogiar” algumas pessoas de desafeto com os mais diversos palavrões. Sempre existiu uma sutil, porém profunda, diferença entre o caminho que leva a uma convicção religiosa e o caminho que leva a conversão.

Ser cristão nos dias de hoje nos põe um rótulo, cuja percepção por grande parte da sociedade passa demasiadamente distante do que verdadeiramente Cristo espera de nós. Os verdadeiros cristãos, os que estão em conversão – lembrando que esta é uma via dinâmica, intensa, inconstante, com curvas, precipícios, tropeços e escaladas – entendem que sua salvação é unicamente um dom de Deus, e como míseros pecadores, nada do que façamos nos justifica perante o Pai. Somos justificados pela graça mediante a fé e nada disto é diretamente relacionado a uma convicção religiosa! O cristão verdadeiro, maduro, é aquele que enxerga e reconhece a sua natureza má, vil, ímpia e que diariamente medita e pede a ação do Espírito Santo de Deus em sua vida para transcender esta natureza. Toda conversão apenas se inicia desta forma, com o reconhecimento de nossa humanidade fraca e destrutiva, e não por se dizer crente, evangélico ou membro da igreja tal. É imprescindível congregarmos, fazer-nos presentes na casa do Pai, viver a alegria da partilha com os irmãos, dar nossos dízimos e ofertas, porém nada disto tem valor se não nos dermos a Cristo, consagrando nosso existir, pedindo e lutando por constante regeneração, e servindo a Ele com nossos dons e talentos. É muito comum no meio evangélico ouvirmos aquela expressão típica: “você aceita Jesus como seu Senhor e salvador?”. Diariamente milhares de pessoas dizem “sim” o que certamente é muito bom. Porém, existem alguns aspectos que precisamos repensar pois creio que como evangelistas, como Igreja que tem em sua missão mais importante levar a mensagem do Evangelho a todos os povos, temos sido um pouco equivocados. Seguir a Jesus, é muito mais do que um sim, eu aceito, ou um sim, eu creio. Para que a semente de Deus germine em nossos corações, primeiramente precisamos reconhecer e nos envergonhar de tudo o que somos. (Isaías 64:6)

Temos produzido muitos convictos religiosos, pessoas que frequentam diligentemente os cultos, entregam seus dízimos, fazem seus estudos, mas que são incapazes de reconhecer quão indignos somos da salvação. Isto mesmo, por nós mesmos, todos somos totalmente indignos da salvação, e quem nos tornou dignos foi Jesus ao se entregar por nós. Esta deve ser a mensagem principal e simples que como cristãos e igreja mssionária devemos levar às pessoas. Creio que um de nossos grande erros inicia-se quando perguntamos ao outro de forma direta, objetiva porém sem um preparo: você aceita Jesus como seu Senhor e Salvador? Perguntar para a criatura, se ela aceita seu Criador, sem este tipo de reflexão, soa quase como ofensivo. Aquele que É, e sempre será, é que tem que nos perdoar e aceitar se for da vontade d’Ele. Os convictos religiosos, mas que não sofreram uma conversão real, adoram placas de denominações, tomam pequenas divergências teológicas e usam como pedra de tropeço para com seu próximo, vivem atormentando a outrem com suas ideias, porém são incapazes de viver sua espiritualidade de forma madura trazendo benefício para si e para o próximo; e tudo isto por um motivo muito simples, eles ainda não tiveram uma experiência pessoal e de entrega a Cristo Jesus. Sejamos convictos religiosos, mas não nos esqueçamos que nossa conversão apenas se inicia quando matamos o velho homem que antes existia em nós, e que apenas após este renascimento podemos ser igreja, e uma igreja missionária que leva o evagelho a todos os povos.

 

 

CONCLUSÃO

Restaurante cheio ontem no almoço, peço licença a um jovem casal e sento ao lado. Abaixo a cabeça, e silenciosamente oro em agradecimento pela refeição. Quando abro os olhos, os dois me olham com estranheza. A moça sem conter-se me diz em tom irônico: "eu não acredito na existência de Deus"! Eu sorrio e pergunto a ela: Você conhece o Telmo, marido da Janaína, pai da Júlia que mora em Cascadura? Ela ri e me responde que não. Antes que ela pudesse argumentar, disparo: Então você não sabe realmente se esse lugar e pessoas existem, correto? Ela visivelmente sem graça concorda. Explico então que Cascadura é o nome do bairro onde fui criado e onde um dia eu fui apresentado a um menino chamado Telmo. Eu conheço o Telmo apenas por que fui apresentado, e sei dele e de sua família pois nos tornamos amigos e temos uma relação pessoal e íntima há anos. Se eu não tivesse sido apresentado ao Telmo, não o conheceria e talvez não acreditasse em sua existência. Hoje o Telmo é um dos meus melhores amigos. Assim também é Deus para mim! Um dia fui apresentado a Ele, e desde então ele faz parte de minha vida. Portanto, no meu caso, não é uma questão de crer ou não, pois eu sei de Deus, eu conheço Deus, Deus é meu melhor amigo! Ouvir uma frase do tipo “Deus não existe” soa para mim da mesma forma que “o sol não existe” ou “as árvores não existem”. Soa de forma ilógica e irracional! Até mais irracional, pois toda a existência depende da existência d’Ele. Eles atenciosamente me ouvem, e continuo: creio que a maioria das pessoas que dizem não crer em Deus, nunca se permitiram ser apresentadas, ou se foram apresentadas, nunca se permitiram ter uma experiência de intimidade com Ele. Como qualquer amizade, a empatia e o conhecimento nascem com a convivência. Sem a dedicação, a oração, a leitura e o estudo da palavra, ou simplesmente sem as conversas íntimas que podemos manter diariamente com Deus, não chegaremos a conhece-Lo, tampouco a ouvi-Lo, que sempre nos fala de forma muito particular. Digo ao casal: se vocês não creem em Deus, é por que não o conheceram ainda! Eles ficam em silêncio meio sem saber o que dizer e entrego meu cartão com telefones e me ofereço para apresentar. Ofereço um estudo bíblico. Dizem que pensarão no caso, agradecem e saem silenciosos. Fico pensando em quantas pessoas ainda não foram apresentadas a Deus e nos que foram apresentados, mas não continuaram a nutrir uma relação pessoal com Ele. Penso nas oportunidades que perdemos de falar mais de Deus, seja através de nossas atitudes, gestos ou palavras. Penso nas oportunidades que perdemos de falar mais com Deus. Que possamos refletir a quem estamos servindo como Igreja, como cristãos, repensando sobre nossas escolhas e decisões. Que possamos escolher o próximo em detrimento a nós, o coletivo em detrimento ao “eu” e a porta estreita que nos levará a um novo nascimento e a uma nova verdade, sendo igreja e finalmente cumprindo a missão funadamental da mesma que é o evangelismo feito por adoradores em espírito e verdade. 

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