Texto de Estudo
HAVIA um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal. E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.   Jó 1:1-2

INTRODUÇÃO

            O mundo tem mudado com uma velocidade incrível. A tecnologia, a sociedade, e até mesmo o tempo já não são mais os mesmos! Dormimos, acordamos, trabalhamos, estudamos, ficamos parados no trânsito, fazemos compras, comemos, assistimos televisão, navegamos na internet, ouvimos música, vamos ao cinema, participamos do culto, estudamos a lição, lemos a Bíblia, conversamos com os filhos, partilhamos o dia com a esposa, ufa...! Será que estamos realmente conseguindo fazer tudo isso? Será que o tempo que estamos dedicando a estar com os nossos entes queridos é um tempo de qualidade? Em nossa vida corrida e em uma sociedade onde a busca pela subsistência nos traz desafios cada vez mais árduos, a maioria de nós consegue fazer duas, as vezes apenas uma refeição por dia com nossos cônjuges e filhos. O quão presente temos sido? O que significa ser homem, pai e esposo hoje em dia? Será que nossas atitudes têm sido como as de Jó? Íntegras? Justas? Evitando o mal? Será que a relação com nossa família e o mundo que nos cerca tem sido um reflexo de nossa vida Cristã? Em uma época onde o tempo é tão escasso, como podemos ser capazes de suprir as necessidades de nossos lares, sem deixar de lado nossas esposas e filhos? O estudo desta semana nos ajudará a refletirmos sobre a nossa importante posição no seio da família e da sociedade. O mundo precisa de mais homens, esposos e pais íntegros e justos, que se preocupem e cuidem dos seus, não só sustentando, mas sendo realmente presentes. Mais que homens, pais e esposos, precisamos ser sacerdotes em nossos lares, evangelizadores do mundo, homens tementes a Deus. Como este estudo é direcionado aos pais, ao longo do mesmo serão deixadas perguntas, que ficarão em aberto para a reflexão pessoal!

 

ABNEGAR-SE, SE PREOCUPAR; COM O ESSENCIAL!

O texto de Jó 1:1-5 é muito interessante! Comecemos analisando-o pela parte final. O patriarca Jó, como Abraão (Gênesis 15:9-10), desempenhava o papel de pai, líder e sacerdote da família. De madrugada, enquanto todos dormiam, intercedia por seus filhos oferecendo holocaustos, consagrando-os e esperando que Deus os perdoasse por seus pecados. Observem que a palavra chave implícita neste texto é “abnegação”; Jó se importava e se preocupava com o bem-estar e com a salvação de sua família, orava e intercedia por eles. Não vemos Jó pedindo por si neste momento, mas pelos seus em primeiro lugar. Observemos que nós não lemos no texto que Jó se preocupava com a poupança de seus filhos, ou com os bens e a herança que deveria deixar para os mesmos, porém com o perdão de seus pecados. Jó se preocupava essencialmente com o Reino vindouro de nosso Deus, e abnegadamente com os seus. Isso nos lembra do texto que diz: “Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas.” (Colossenses 3:1-2 NVI)

             Será que temos orado e dado a devida atenção a salvação de nossas esposas e filhos? Ou somente temos nos dedicado a prover o material? Pai, como Jó, ore sozinho diariamente antes de dormir por seus filhos, por sua esposa, por seus anseios, projetos, pela saúde de todos em sua casa e pelo perdão dos seus pecados, que certamente existem pois TODOS somos pecadores.

              Não é incomum em nossos dias que sintamos angústias e preocupações das mais diversas possíveis. Pode ser por um problema financeiro, excesso de trabalho, desemprego; são inúmeras as razões que podem nos levar às situações de esgotamento, estresse e até depressão.  Muitas vezes até, estas situações nos afastam de Deus e nos levam a pecar. A busca incessante pelo material, pelo conforto, na grande maioria das vezes ultrapassa às reais necessidades e vem de encontro aos modismos e modernismos vigentes. Nós vivemos em um mundo onde os requisitos são enormes! Precisamos manter o corpo em forma, aprender outros idiomas, a usar computadores, fazer faculdade, nos especializar, andar bem vestidos, etc.; e no meio às necessidades, somos afogados em algumas desnecessidades” egoístas e que nos afundam em nosso eu mais errôneo.

             A abnegação é uma qualidade de todo homem, pai e esposo cristão, que se preocupa primeiramente com sua família, e essencialmente com a salvação da mesma tornando-se sacerdote de seu lar, muitas vezes abdicando de seus desejos, para prover tempo de qualidade no ensino dos filhos e na entrega e na partilha com a esposa. O verdadeiro homem de Deus entende que sua família é um presente, um tesouro, que deve ser cuidado e guardado, e que o sustento, o trabalho, por melhor que seja, é apenas uma forma de prover o necessário para o bem-estar. A verdadeira felicidade está na partilha, no abraço, no convívio, na união; e o Senhor bem nos ensinou:

              "Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer? ’ ou ‘que vamos beber?’ ou ‘que vamos vestir?’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” (Mateus 6:25-33 NVI)

              Logicamente, devemos viver de forma responsável, trabalhar, prover honestamente e da melhor forma possível o sustento de nosso lar (1 Timóteo 5:8). Porém, não podemos deixar que isso se torne a nossa preocupação essencial, fazendo com que nos esqueçamos que o mais importante é nos fazer presentes no meio dos nossos, nos importando antes de tudo com a vinda eminente e quiçá iminente do Reino de Deus.

 

TEMER A DEUS, AMÁ-LO  E ANDAR EM SEUS CAMINHOS

 “Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos!” (Sl128:1).

           O texto de Jó, nos fala que ele foi um homem íntegro e justo! Manter a integridade, ser honesto e justo em nossos dias, na nossa sociedade em especial, é extremamente difícil e só através da ação incessante do Espírito Santo de Deus, podemos nos manter fiéis. A corrupção e o pecado nascem nas pequenas ilicitudes. Furar fila é uma atitude íntegra? Dar gorjeta a um guarda para fugir de uma multa é uma razão justa? Estacionar o carro em uma vaga para deficientes é uma atitude correta? Devemos ser fiéis no pouco, lutar o bom combate, caminharmos passo a passo e lembrar que antes de tudo, precisamos ser exemplos para nossos entes queridos (Provérbios 22:6).

            Jó era um homem cheio de temor a Deus; e como sabemos o temor a Deus é o princípio do conhecimento! (Provérbios 1:7).

             É importante entendermos que temer a Deus, para nós crentes, não significa ter “medo” de Deus, porém ter reverência por Deus e por sua obra (Hebreus 12:28-29). Aqueles que temem a Deus e reverenciam os ensinamentos de Deus, entendem que suas vidas, alegrias e até mesmo sofrimentos aqui neste mundo são passageiros, e que logo a vinda do Reino de Deus trará uma nova realidade.

          O homem, pai e esposo é o líder natural de um lar, porém certamente um homem, pai e esposo temente a Deus e que anda nos caminhos do Senhor é um líder bem melhor! Não um líder ditatorial ou em uma posição de superioridade, mas um líder similar a Cristo que amou e liderou a igreja. Jó é um exemplo a ser seguido, pois se preocupava não apenas com o bem-estar financeiro de sua família; ele liderava sua família em busca da salvação. Ele liderava sua família com amor! Ele amava sua família, ele amava a Deus, ele amava andar nos caminhos do Senhor!

          Paulo nos fala do amor de forma excepcional na primeira carta escrita a igreja de Corinto e que estava dividida pela rebeldia e orgulho pessoal:

         “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13:4-7)

           Erroneamente, sob certo aspecto, nossa sociedade nos condicionou a enxergar o amor como um sentimento! Falamos “eu te amo” aos nossos entes queridos – e isto é lindo – como uma forma de demonstrar o que sentimos, nossa atenção, carinho e apreço. O problema é que amar é um verbo, uma ação antes de tudo, e como toda ação, para iniciar-se necessita de uma decisão.

            Observem a ordem de Jesus aos discípulos:

            "Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros.” (João 13:34 NVI)

           Ele ordena que nos amemos correto? O sentido da palavra amor neste contexto significa antes de tudo servir, cuidar, muito diferente dos beijos falsos e calorosos das telenovelas.  

           Será que estamos decididos a amar nossas esposas e filhos?

          Como maridos, devemos nos apresentar às nossas esposas como companheiros amorosos, amigos leais e fiéis (Efésios 5:25), pois logicamente, elas esperam encontrar nos parceiros, homens “segundo o coração de Deus” (Atos dos Apóstolos 13:22) dispostos a servir.

         “Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações. Quanto ao mais, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos, amem-se fraternalmente, sejam misericordiosos e humildes.” (1 Pedro 3:7-8)

         Temos sido amigos fiéis e companheiros de nossas esposas? Temos realmente amado (servido) às mesmas?

          É muito comum, cansados após um dia de trabalho, chegarmos em casa exaustos e não termos a sensibilidade de entender que nossas esposas trabalharam tanto ou talvez mais que nós, cuidando da casa e dos filhos, faltando assim com a devida atenção. Temos ajudado nos afazeres domésticos e partilhado experiências? Temos sido atenciosos?

          Como pais, devemos servir de exemplo a nossos filhos, servindo-os com amor, carinho, diálogo, porém repreendendo-os sempre que necessário (Provérbios 13:24).

          “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.” (Deuteronômio 6:4-7)

              A história dos Hebreus revela que eles deveriam instruir seus filhos na palavra e nos caminhos de Deus persistentemente. Os caráteres pessoal e espiritual do povo Hebreu misturavam-se, e faziam parte de uma só instrução; os pais eram responsáveis pelo ensino que se dava basicamente pela repetição e pelo exemplo, constante, pessoal e diário.  Temos instruído nossos filhos e sido bons exemplos?

          Grande parte das mazelas do mundo e da sociedade se dá pela ausência; ausência de Deus, de amor, da figura paterna, materna, da instrução. Observem como é comum vermos crianças bem pequenas andando sozinhas pelas ruas de nossas cidades. Onde estarão estes pais? Que instrução terão estes pequeninos?

          Apenas seremos bons pais e esposos se antes de tudo andarmos nos caminhos do Senhor, temendo-o e amando-o. O conhecimento, que nasce do temor a Deus, e nos leva a reverência pelas obras de Deus, também nos leva ao amor servil pelos nossos entes queridos, tão escasso e tão necessário em nossos dias. Somente seremos bons pais e esposos se formos presentes e participantes nas vidas de nossos filhos e cônjuges. 

  

EVITAR O MAL

             O texto de hoje nos ensina que Jó era um homem que andava nos caminhos de Deus; justo, íntegro, abnegado, preocupado com sua família, ciente da importância da salvação dos mesmos, temente a Deus e que evitava o mal. Parece simples: evitar o mal; mas não é!

         “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Romanos 7:18-24 NVI)

         Evitar o mal, o pecado, requer de nós não apenas inteligência emocional, e grande atenção, mas o exercício diário da convivência com o Pai. Satanás em seu ardil, traz sutilmente pelos mais diversos meios, informações, imagens, sons, facilidades dentre tantas possibilidades, que acabamos muitas vezes por sucumbir caindo nas teias do inimigo. Apenas pela comunhão diária com o Pai, conseguimos nos fortalecer e nos suster, evitando o mal. Por isso, Jó de madrugada, orava a Deus.

         Peço licença aqui para trazer alguns comentários pessoais e assim concluir. Há poucos meses, estava com meu filho mais velho (tenho três), indo buscar minha esposa e os outros dois pequenos que chegariam de viagem em um aeroporto. Como era uma região onde o trânsito havia sido alterado e eu não conhecia bem ainda, acabei sem querer fazendo uma “barbeiragem” e fechando um carro ao meu lado que buzinou, piscou os faróis e proferiu gritos e xingamentos. Tivemos que parar logo à frente em um sinal demorado. Eu estava com os vidros fechados, imediatamente abri, coloquei a cabeça para fora e com as mãos juntas em sinal de pedido de desculpas, gritei “mil perdões”. O homem que dirigia o carro piscou novamente os faróis, fez um sinal de ok meio sem graça, e também pediu desculpas. Quando fechei a janela do carro, logicamente não perdi a oportunidade de instruir meu filho. Disse a ele que naquela situação eu poderia ter tido três reações: xingado como ele fez, que provavelmente começaria uma briga e não seria uma atitude Cristã; simplesmente ficado em silêncio que teria evitado a briga, mas não teria reparado o meu erro; e a atitude que tive onde eu assumi o meu erro e pedi perdão; terminei. Evitar o mal não significa essencialmente fugir de brigas e encrencas, porém evitar tudo aquilo que nos afasta dos caminhos de Deus ou que nos afasta de nossas responsabilidades como homens de Deus, pais e esposos. Evitar o mal e o pecado, é nosso dever e exemplo para as gerações futuras e o melhor evangelismo possível. Jó temia a Deus e evitava o mal!

 

CONCLUSÃO

Mansamente, humildemente, revisemos em nossas mentes e corações as perguntas que foram lidas neste estudo. Se existe algo que tenha nos tocado, se observarmos que estamos falhando como homens, pais e esposos, vamos com o coração contrito orar a Deus e certamente Deus nos mostrará o caminho da reconciliação. Deus não quer apenas adoradores em espírito e verdade, Deus quer famílias que o adorem em espírito e verdade. A família sempre foi um plano de Deus para nós, e a palavra de Deus tem instruído nós homens, de como devemos sustentar, apoiar, amar, interceder e lutar por nossas esposas e filhos. A palavra de Deus nos ensina a ser pais e esposos melhores. Que a luz do Espírito Santo de Deus, possa nos guiar e abençoar nesta jornada como Sacerdotes do Lar permitindo que andemos sempre nos caminhos do Pai. 

 

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