E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.   Deuteronômio 6:6-7
INTRODUÇÃO
Vivemos em uma época muito difícil para aqueles que querem ser seguidores do Senhor Jesus. A sociedade é um retrato de 2Timóteo 3:1-4. Também vemos o cumprimento de 2 Tessalonicenses 2:3 que profetizava uma apostasia dentro da Igreja de Cristo. Com esse quadro desfavorável, dentro e fora da Igreja, não é de admirar que professos cristãos estejam abandonando suas denominações e unindo fileiras aos inimigos da verdade. O que mais chama a atenção é que esse abandono tem se dado em maior grau com os jovens. Algo tem levado essas ovelhas queridas do Senhor a se afastarem do caminho que conduz à vida eterna. Por isso, precisamos identificar a origem desse mal para que possamos encontrar a solução. 
Também percebemos que as famílias cristãs estão se dizimando pela cultura moderna. O divórcio tornou-se corriqueiro nesse meio; e o casamento não é mais tido em consideração. Não é incomum que jovens, e até mesmo adultos, unam-se em um relacionamento conjugal sem a bênção de Deus e o registro civil, numa clara transgressão das palavras de Cristo: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21). 
O casamento com a pureza da virgindade, até mesmo entre os “seguidores” de Jesus, está se tornando raro. O que aconteceu para que a Igreja esteja mudando tanto, em tão poucos anos? Como podemos voltar às “veredas antigas” (Jeremias 6:16)? Como enfrentaremos esses males modernos? O estudo desta semana procurará auxiliar nessas respostas.
O RELACIONAMENTO COM DEUS, NO PRINCÍPIO
Desde a queda do homem, no Jardim do Éden, houve uma ruptura no relacionamento humanidade e Deus. No princípio, Adão e sua esposa tinham livre acesso a Deus. É relatado que, na viração do dia, o Senhor vinha ao jardim para se encontrar com o casal (Gênesis 3:8). Que grande honra era conferida a Adão e Eva: poder falar com Deus, face a face!
Por quanto tempo esse relacionamento direto com o Senhor durou não é informado na Palavra. Mas está escrito que, após a queda dos primeiros pais, o Senhor manifestou-se, no Jardim do Éden, chamando pelo homem. E este se escondeu, porque teve medo. Após o pecado, abriu-se um abismo entre o Céu e a Terra, e o Criador não pôde mais se relacionar diretamente com seus filhos. 
A primeira consequência dessa separação foi a exclusão da humanidade do jardim que Deus fizera para o homem. Esse local, de certa forma, representava o próprio Céu e a morada do Senhor. Era um lugar santo, como o é a morada do Senhor. Mas... Adão e Eva tiveram que sair dele. A partir desse momento, a comunicação entre Deus e o homem deixou de ser face a face para ser por meio de mediadores. 
De início, o mediador era o chefe patriarcal. Ele ficava como responsável pelo oferecimento de sacrifícios a Deus e pela direção do culto de adoração ao Senhor. Esse status quo permaneceu por milênios, até que Deus estabeleceu o sacerdócio levítico, em Israel. Desse momento em diante, o mediador passou a ser os sacerdotes e o Sumo Sacerdote que tinham a responsabilidade de interceder entre Deus e o povo. Eles ofereciam os sacrifícios, todos os dias; e, uma vez ao ano, o Sumo Sacerdote tinha o privilégio de entrar no lugar santíssimo, no qual a presença de Deus era real, por meio do Shekinah. Era o mais próximo que se podia chegar do Senhor; assim mesmo, apenas o Sumo Sacerdote tinha essa permissão. 
Essa situação perdurou por algumas centenas de anos, até que Deus veio e “habitou entre nós cheio de graça e de verdade” (João 1:14). Dali em diante, a ruptura entre o Céu e a humanidade começou a ser reparada. O Deus ofendido aproximou-se do homem e, quando Jesus foi levantado na cruz e morreu por nossos pecados, o abismo criado no Éden destruiu-se. Novamente, o homem passou a ter o privilégio de ter acesso direto ao Senhor, sem necessidade de intercessores humanos. Cristo tornou-se o nosso mediador e está assentado à destra do Todo Poderoso. Em nome dele, passamos a ter o direito de falar com o nosso Criador, sem a mediação humana. Mas a comunicação ainda não pode ser face a face, como era no jardim. Isso somente será possível na eternidade quando formos glorificados. De toda a forma, é uma grande dádiva de Deus permitir que possamos nos relacionar com ele diretamente, pois esse relacionamento direto é a arma a ser usada pela família cristã para vencermos o Diabo, as tentações destruidoras do lar cristão e a sociedade corrompida e distante dos princípios cristãos.
O CULTO DOMÉSTICO
Uma forma de adentrarmos o trono de Deus e participarmos dos benefícios da presença do Senhor é o culto doméstico. Esse, infelizmente, tem sido negligenciado pelas famílias cristãs. Todos os dias, o professo povo de Deus tem separado tempo para novelas, filmes, desenhos, internet e esportes, mas não destina um tempo para Deus. Horas são gastas à frente da TV, do computador ou do celular, em busca da satisfação pessoal. Claro que não podemos demonizar o uso da tecnologia em nossos dias, mas devemos ter bem claro que é necessário que haja um tempo separado para cultuarmos nosso Deus, e isso não se refere ao culto no dia do Senhor. Estamos nos referindo ao culto diário, junto à família. Como diz o Dr. Joel Beeke: 
O culto doméstico é um dos fatores mais decisivos de como vai o lar. Deus colocou o homem como o “cabeça” do lar. Isso é um privilégio, mas também é uma responsabilidade muito grande. Deve ser o dever de todo o pai de família seguir o exemplo dos patriarcas e reunir sua família para prestar um culto de louvor a Deus. Como conclui Douglas Kelly: ‘A religião familiar, que depende não pouco do chefe da casa que conduz a família diante de Deus em adoração diária, é uma das mais poderosas estruturas que o Deus fiel à Aliança deu para a expansão da redenção ao longo das gerações, de forma que multidões incontáveis sejam trazidas à comunhão e à adoração do Deus vivo diante da face de Jesus Cristo’. 
Todos os dias, o pai de família deveria destinar um tempo não muito longo, nem muito curto, para essa finalidade. Junto da esposa e dos filhos, ele deve orar. O futuro do casamento, das crianças e dos adolescentes será selado para vitória ou fracasso, em função desse tempo. Perceba que 15 a 20 minutos cantando, lendo uma passagem bíblica e orando farão uma diferença incrível em nossos filhos e somente a eternidade poderá apresentar os resultados de uma família piedosa que se preocupa com o culto familiar diário. Mas também o inferno reclamará os filhos dos que forem negligentes! Disse o Doutor Kelly:
...o princípio da representação inerente ao pacto de Deus no trato com a nossa raça indica que o cabeça de cada casa deve representar a sua família diante de Deus no culto divino, e que a atmosfera espiritual e o bem-estar pessoal de cada família, em longo prazo, será afetado grandemente pela fidelidade — ou pela sua falta — do cabeça da família nessa área”.  Tomas Brooks salientou que “Uma família sem oração é como uma casa sem telhado: aberta e exposta a tudo quanto é tempestade que cai do céu.
A BASE BÍBLICA PARA O CULTO DOMÉSTICO
Embora não exista um texto que oriente de forma direta o culto familiar a Deus, existem vários que, indiretamente, apontam nessa direção. A primeira referência que temos de um relacionamento diário entre Deus e o homem está em Gênesis 3:8. Ali é apresentada uma citação que mostra Deus vindo ao Éden para manter relacionamento pessoal com Adão e Eva. O texto não diz se isso era diário, mas indica que o contato era até certo ponto rotineiro já que Adão conhecia a voz de Deus e escondeu-se ao ouvi-la ressoar pelo jardim. 
Jó 1 5 apresenta o patriarca oferecendo sacrifícios por seus filhos. Embora não apresente um culto diário a Deus, mostra-se a preocupação do chefe da família com os filhos. É bíblico que o pai é o líder espiritual e deve se preocupar em manter os membros da família em contato constante com o Criador. Isso é manifesto em Gênesis 18 19, quando o Senhor escolheu Abraão para que “…ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito”. (Grifo nosso)
Também o Senhor falou por intermédio de Moisés, em Deuteronômio 6:6-7: “Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te”. Esse último exemplo deixa claro que devia ser uma preocupação de todo o israelita manter o foco na Lei do Senhor, ao acordar e ao deitar, e isso era uma obrigação do chefe do lar. Sendo assim, podemos ter como certo que o culto familiar diário não é uma invenção humana, mas procede do próprio Deus. Ele deixou a responsabilidade de colocá-lo em prática ao chefe do lar.
O CULTO DE RECEBIMENTO DO SÁBADO
Outro culto que se tornou imensamente negligenciado entre as famílias é o de recebimento do sábado. No passado, a tarde de sexta-feira era muito aguardada pelas famílias batistas do sétimo dia. Era um momento de grande alegria quando pais e filhos reuniam-se para receberem o sábado do Senhor. A casa estava limpa; as crianças, banhadas; e o cheiro da comida preparada para o dia de sábado ainda estava no ar, trazendo um ambiente de fervoroso amor familiar. 
Nessa atmosfera, o líder (o pai) convidava a todos para cantarem hinos de adoração. Eram contadas histórias às crianças e, então, a palavra do Senhor era aberta e lida. Depois, cantavam-se músicas individuais, duetos e, novamente, hinos do hinário ou cânticos de louvor. Por fim, fazia-se uma oração de agradecimento, e todos se sentiam mergulhados em um ambiente santificado que dava o tom de todo o Dia do Senhor. 
Era inevitável a presença de toda a família, no sábado, pela manhã, na casa de Deus. O caráter de nossos filhos era moldado por essa influência graciosa que, infelizmente, perdeu-se na poeira do tempo. Hoje é muito raro saber de batistas que se reúnem para receberem o Dia do Senhor em família, ou com irmãos da igreja. Todavia, com certeza, a TV está ligada em programas impróprios para o Dia do Senhor. Programas esses que imprimem em nossos filhos caracteres que um dia os afastarão da Igreja de Cristo. Como podemos esperar que eles permaneçam na igreja se não estamos fazendo o mínimo de nossa parte, que é reuni-los na sexta-feira, ao pôr do sol, para cultuarmos a Deus? Que lembranças terão de sua infância? Lembrar-se-ão de estarem com os pais, recebendo o Dia do Senhor e nutrirão saudade daqueles tempos, ou simplesmente o sábado nada mais será que um dia a mais na semana, em virtude do descaso dos pais?
Um dos motivos porque a frequência nos cultos sabáticos na igreja estão tão pouco frequentado é a negligência no culto de pôr do sol. Diz um ditado que “a boca fala do que o coração está cheio”. Mudando um pouco poderíamos dizer que a “a vontade ou não de estar na igreja aos sábados está diretamente relacionado com o que colocamos no nosso coração na sexta a noite”.
COMO DEVE SER O CULTO DOMÉSTICO
Esse culto não deve ser cansativo, principalmente se existirem crianças. Os momentos precisam transmitir grande alegria, e os membros da família devem esperar com alegria pelo tempo que estarão juntos para adorar o Senhor. Para tanto, precisamos tomar cuidado com alguns aspectos. 
Em primeiro lugar, é preciso diferenciar o culto de entrada do sábado dos realizados em outros dias. O de adoração diária deve ser curto, ao ponto e nunca entediante. Devemos evitar o canto de muitas músicas e fazer longas leituras da Palavra. Também devem ser evitadas as longas orações. Não podemos substituir a oração pessoal pela do culto. A oração particular pode ser longa se assim quisermos, mas a de um culto familiar deve ser curta, objetiva, de agradecimento e, quando necessário, de intercessão. 
Muitos cultos familiares são mortos pelo tédio; alguns membros da família resolvem fazer uma oração por todos os integrantes da igreja e da família, citando nome por nome. Assim fazendo, crianças e adolescentes acabam divagando e o que era para ser uma alegria e bênção passa a ser monotonia e obrigação. Essas crianças, assim que puderem, farão de tudo para se esquivarem do compromisso religioso. Que se evite todo tipo de coisa que leve o culto diário a passar de 15 a 20 minutos.
Já o culto de sábado pode, por ser especial, mostrar-se mais longo. Isso não significa fazê-lo extenso e tedioso. Mas, na sexta, ao pôr do sol, é importante que a família esteja reunida (quando não for possível que todos estejam juntos, por causa do deslocamento do trabalho para a casa, que se estabeleça um horário para todos se reunirem) e que sejam cantados diversos hinos. Que possa haver solos, duetos e músicas com instrumentos (se houver quem saiba tocar). Que possa haver recitação de textos bíblicos, anteriormente decorados durante a semana, e que novidades possam ser introduzidas. Após a oração de agradecimento pela semana, os pais podem brincar com os filhos com passatempos que os levem a manter a mente voltada para o que é santo e digno de honra do Dia santo de Deus.
Em nossos dias, não é fácil fazermos do culto doméstico uma realidade constante. Afinal, temos de disputar o tempo com a TV, a internet, o WhatsApp, o Facebook etc. Pedir a orientação divina para isso deve ser o mais importante a fim de termos sabedoria e prestarmos ao nosso Deus o melhor culto que ele merece.
IDEIAS PARA FAZER UM BOM CULTO DOMÉSTICO
Quando falamos de culto doméstico, precisamos levar em conta que ele destina-se ao estudo da Palavra, à oração e para cantarmos louvores a Deus. Para alcançarmos esses objetivos, é necessário que usemos meios que facilitem a participação de todos. Dentre as possibilidades a serem usadas para abrilhantar o culto diário e o de pôr do sol estão, por exemplo:
• Selecionar cânticos fáceis de serem representados. Ensaie com os filhos a melodia e a representação e faça uma “apresentação” no culto vespertino. 
• Encene as parábolas de Jesus. 
• Dramatize o Sermão do Monte. 
• Faça um mural com desenhos para cada parte do “Pai Nosso”.
• Faça um varal com colagens que representem cada uma das bem-aventuranças. 
• Na sexta-feira, durante o culto do pôr do sol, acenda um abajur, uma lâmpada colorida, uma vela, um chafariz, algo que marque a chegada do sábado. O objeto deve permanecer ligado até o pôr do sol do sábado. 
• Ajude cada membro a memorizar alguns versos da Bíblia.
• Conte as histórias dos milagres que Jesus fez enquanto aqui esteve. 
• Na sexta-feira, à noite, faça perguntas a respeito da lição da escola sabatina. 
• Estude, a cada dia da semana, um dos frutos do Espírito. Encontre maneiras para desenvolver esse fruto na vida de cada um. 
• Dê pistas sobre um personagem bíblico para que os demais descubram quem é e, depois, meditem sobre ele.
Existem muitas sugestões a serem usadas em qualquer culto diário. Usando a internet e a criatividade, poderão ser encontradas outras ideias que servirão bem para o intento de fazermos um culto curto e agradável.
CONCLUSÃO
Nós, pais, somos responsáveis pelo crescimento espiritual dos filhos. Temos de fazer tudo que pudermos para estabelecer e manter o culto doméstico regular, e isso fará das nossas casas um pedaço do Céu. Ele, com certeza, tornará nosso lar harmonioso, alegre e santificado. Esse culto auxiliará a família a honrar a Deus. 
Vivemos tempos difíceis, e cabe a cada líder do lar fazer tudo que está ao seu alcance para colocar os filhos e seu cônjuge na presença de Deus. Quando entrarmos no Céu, que gozo haverá ao podermos chegar diante de nosso Senhor e dizer: “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o Senhor” (Isaías 8 18). Que possamos restaurar o altar derrubado pela Modernidade e voltemos a oferecer um culto vivo, santo e agradável a Deus, em nossas casas!

 

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