E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.    

Lucas 24:49 

INTRODUÇÃO

A Sagrada Escritura é a forma pela qual Deus revela a Sua vontade. É o Espírito falando na Palavra. E nela encontramos muitas figuras de linguagem: metáforas, símiles, símbolos, tipos, parábolas, alegorias e emblemas. Os símbolos do ESPÍRITO SANTO são arquétipos, que são personagens, tema ou símbolo comum a várias culturas e épocas. Em diversos lugares, o vento representa forças poderosas e invisíveis; a água límpida produz refrigério e sacia nossa sede espiritual ou física; o fogo representa um elemento purificador ou destruidor, relacionado ao juízo final. Tais ilustrações demonstram realidades inalcançáveis, porém é uma tentativa da limitada mente humana de entender, por comparação, a ação do Espírito Santo em nossas vidas. São sete ilustrações sobre o Espírito Santo que estudaremos nesta semana: Água, Pomba; Óleo, Fogo, Vento, Penhor e Selo.

 

Água

A água é um elemento vital para a vida. Ela é o principal componente dos seres vivos e o corpo humano é formado de 70 % de água. A substância está presente em líquidos orgânicos como o sangue, e sem ela o organismo só funciona por alguns dias. De acordo com especialistas, o ideal é consumir, no mínimo, 2 litros de água por dia. Jesus se dirige a samaritana junto ao poço de Jacó e declara: “Todo que bebe dessa água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nuca mais terá sede: porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna ” (João 4:13-14). Neste texto, nosso Mestre fala sobre o Espírito Santo. Este é comparado à água viva vinda de uma fonte constante. Ele é a verdadeira fonte de vida, em comparação às fontes deste mundo, simbolizadas pelos poços e as poças estagnadas deste mundo. Enquanto os prazeres desta vida desaparecem e acabam, o Espírito Santo continua sendo uma fonte interior de vida e plena alegria.

A comparação entre o Espírito Santo e a água é muito pertinente. Sem ambos não sobrevivemos, no âmbito orgânico e espiritual, respectivamente. A mesma recomendação de beber água em abundância deve ser a da água do Espírito Santo. Não deixe de buscá-lO diariamente. É Ele quem limpa nossos corações na regeneração e continua nos purificando quando nos aproximamos de nosso Pai Celestial.

 

Pomba

Em João 1:32 encontramos o Espírito Santo em forma de uma pomba. Podemos elencar algumas características desta ave que se comparam ao Consolador: beleza, suavidade, fidelidade e a característica de ela ser facilmente incomodada. Paulo, em Tito, nos exorta a NÃO ENTRISTECER O ESPÍRITO SANTO DE DEUS. (Tito 4:30). Não há possibilidade de complacência do Espírito Santo em aceitar o pecado na vida de um salvo em Cristo. A pomba trouxe de volta uma folha de oliveira como um sinal de esperança para aqueles que estavam na arca. Isso prefigura o Espirito que traz a segurança da salvação para os que estão em Cristo. No batismo de Jesus, a pomba desce e permanece no Salvador. A ação do Espírito Santo na vida e ministério do Mestre é cabal e permanente. Todas as obras dos antigos libertadores e profetas passaram. Mas a obra salvífica de Cristo é plena e eterna. Lloyd Jones afirma:

“De que modo Deus tinha selado o Senhor Jesus vê-se em toda parte nos Evangelhos. Deus O tinha selado por ocasião do Seu batismo, enviando sobre Ele o Espírito Santo em forma de pomba. O Evangelho Segundo João diz-nos que “não lhe dá Deus o Espírito por medida” (3:34). O Espírito foi enviado sobre Ele em toda a Sua plenitude. Embora continuando a ser o Filho de Deus; eterno e igual ao Pai, Ele Se havia limitado a Si próprio, tinha vindo na forma de servo; e para poder realizar a Sua obra como o Salvador. Necessitava do poder do Espírito Santo. Por isso o Espírito Lhe foi dado, não por medida, mas em toda a Sua plenitude. Foi desse modo que Deus pôs nEle o Seu selo.”

 

Óleo

O óleo de oliveira (azeite) foi um artigo de grande importância na Palestina, sendo usado como comida, remédio, iluminação e unção. É um tipo constante do Espírito Santo tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento. Em Êxodo 40:9-11, aprendemos que o tabernáculo e os móveis deveriam ser ungidos com azeite. Como o tabernáculo era uma figura de Cristo, o azeite figurou Cristo sendo ungido pelo Espírito. Os profetas, sacerdotes e reis sendo ungidos prefiguravam a Cristo como nosso profeta, sacerdote e rei. O óleo é frequentemente associado, na Bíblia, a curas (Isaías 1:6; Lucas 10:34; Marcos 6:12-13). O Espírito Santo cura espiritualmente.

Em Êxodo 27:20-21, notamos que o interior do tabernáculo era iluminado pelo uso de óleo de oliveira. Como os pertences eram figuras de Cristo, a interpretação é fácil. Sem a iluminação do Espírito de Deus ninguém poderia ver as glórias do nosso Salvador.

O homem, por sua própria natureza, é incapaz de enxergar a majestade divina em Sua revelação escriturística, pois “..o testemunho que o Espírito Santo dá, é muito mais excelente do que qualquer outra razão”. E nem mesmo os salvos, os filhos de Deus, possuem capacidade para se auto-sustentarem na continuidade do entendimento bíblico. Calvino mostra que o Espírito Santo ilumina o homem para a compreensão da Sua doutrina. “A Sua iluminação pode ser denominada a vista de nossas almas”2. Nesse sentido, cabe-nos clamar ao Senhor, que Ele forneça óleo para a lâmpada que Ele mesmo tem iluminado, pois Ele pode fazer com que a pira permaneça sempre pura, e pode mantê-la constantemente cheia.

 

Fogo

Em Atos dos Apóstolos 2:3 vemos que o fogo era um sinal da presença do Espírito. Vemos no Velho Testamento que o fogo é uma evidência da presença do Senhor (Êx 3:2), da aprovação do Senhor (Levíticos 9:24) e da proteção do Senhor (Êx 13:21). Talvez, todas essas ideias estejam incluídas em Atos dos Apóstolos 2:3. Em Apocalipse 4:5 o Espírito é simbolizado por sete lâmpadas de fogo. O número sete tem confundido algumas pessoas, mas parece referir-se ao perfeito conhecimento dado a Cristo, o ungido de Deus (Isaías 11:1-4; Apocalipse 5:6).

Fogo é símbolo de juízo divino. Quando João diz, “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mateus 3:11), há o entendimento de que o termo fogo refere-se à condenação. É um termo que expressa o terrível julgamento de Jesus a todos quantos morressem impenitentes; quando Ele os condenará pelo pecado de rejeitá-lO; e quando Ele aparecer como o “fogo do ourives” e como o “sabão dos lavandeiros” (Malaquias 3:2); quando “o dia do Senhor” vier “ardendo como forno” (Malaquias 4:1); quando Ele “limpar o sangue de Jerusalém”, Seu próprio sangue e o sangue dos Apóstolos e Profetas derramados nela, “do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor”. No julgamento final, as árvores infrutíferas “serão cortadas e lançadas no fogo” e a “palha será queimada com fogo que nunca se apaga.”

 

Vento

O vento é um tipo especial do Espírito porque a palavra “espírito” também pode ser traduzida como “vento”. Nosso Senhor usa vento como uma ilustração do Espírito (João 3:8). O vento é invisível na sua obra (João 3:8). Cristo assim revelou a insensatez de conectar a regeneração com sinais visíveis como o batismo. O vento não é controlado pelos homens (João 3:8). O Espírito Santo é soberano em Suas operações. Da mesma forma que o vento é poderoso (Atos dos Apóstolos 2:1-2). O Espírito Santo pode quebrar o coração mais duro. Da mesma maneira que o vento seco pode murchar a beleza da natureza, o Espírito Santo pode secar o coração orgulhoso através da Sua obra de convicção (Isaías 40:6-7).

Jesus disse que com o Espírito Santo ocorre como vento: Não sabes de onde vem o Espírito, mas ouves seu sonido. Assim nós tampouco sabemos como o Espírito renova o nosso coração, porém ouvimos sua voz: a própria Palavra de Deus na Bíblia.

 

Penhor

Que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração. A palavra penhor vem do latim “pignus”, por isso se diz credor pignoratício o credor que tem uma coisa empenhada como garantia. Ter todo cuidado para não confundir a palavra “penhor” com “penhora”. Penhor é direito real de garantia; penhor se diz empenhada; penhora é ato do oficial de justiça no processo de execução; penhora se diz penhorada. Temos também a “Prego”, usada popularmente para substituir o vocábulo Penhor.Encontramos na Bíblia Sagrada o apóstolo Paulo fazendo forte citação ao Espírito Santo que nos foi dado como penhor, ou garantia de plena salvação quando Jesus vier arrebatar a Sua Igreja.

Para o nosso entendimento carnal, o apóstolo usou essa ilustração mostrando que o valor da alma humana excede tudo que possamos imaginar. Embora sejamos falhos devido à natureza terrena, o Senhor Jesus na Sua graça superabunda os pecados daqueles que se arrependem e voltam-se para o Reino de Deus. Em consequência do nosso pecado original gerado por Adão e Eva, estávamos separados de Deus. No entanto, Jesus Cristo nos entregou o livre acesso quando foi crucificado e ressurreto ao terceiro dia; além de restituir a comunhão com Deus, entregou o Espírito Santo e riscou uma dívida que havia contra os pecadores.

 

Selo

Paulo diz: “Tendo crido, vocês foram marcados nele com um selo, o Espírito Santo prometido” (Efésios 1:13). No mundo antigo, um selo era frequentemente aplicado a uma carta, um documento legal, um pedaço de propriedade, ou a uma carga importante com o objetivo de protegê-la, e para servir como uma prova de posse ou autenticidade. Uma carta ou carga selada queria dizer que ela só poderia ser aberta pelo receptor designado, e dependendo da pessoa cujo selo marcava o item, quebrar ilegalmente um selo poderia resultar em graves consequências.

A Escritura ensina que quando cremos no evangelho, Deus nos sela com o Seu Espírito Santo. Fazendo assim, Ele declara oficialmente que somos propriedade d’Ele e que Ele nos protege, e que não devemos pertencer a ninguém mais. E nós fomos também selados para um propósito, e isso pelo selo de Deus. Como Paulo escreve mais tarde na carta: “Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção” (4:30). Portanto, o selo de Deus sobre nós implica que, por Seu divino poder e autoridade, ele irá nos direcionar a permanecermos firmes na graça de Cristo, e que alcançaremos, por meio de Seu amor, força, orientação e direção, a finalização da nossa redenção.

 

CONCLUSÃO

O estudo das ilustrações do Espírito Santo confirma o amor e cuidado que nosso Deus tem conosco. Ao mesmo tempo, oferece-nos chaves para entender a obra do Espírito Santo em nossas vidas. Compreendemos que os verdadeiros discípulos de Cristo serão ensinados, consolados, remidos, abençoados e selados pela promessa do Consolador.

 

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

  1. Além das ilustrações estudadas nesta semana, cite outras que se referem ao Espírito Santo.

R.

 

  1. A Palavra de DEUS é rica em linguagem simbólica. Qual a importância da hermenêutica e da exegese para uma compreensão mais clara dos textos analisados? Para responder essa pergunta, pesquise sobre o que significa hermenêutica e exegese.

R.

 

  1. Faça um resumo sobre cada uma das ilustrações trabalhadas nesta aula.

R.

 

  1. Por que o Espírito Santo é o selo de Deus?

R.

 

1 LLOYD-JONES. David Martyn. Selados com o Espírito Santo. Exposição sobre Efésios 1:13. http://www.monergismo.com/textos/comentarios/ef1-13_lloyd.htm. Acesso. 05/11/2018

2 CALVINO, João. Introdução à religião Cristã. São Paulo. Paracletos. 1995. P.40

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